Após mais de um ano de presidência, já não é novidade que a conta pessoal de Twitter de Donald Trump é a principal forma de comunicação do presidente norte-americano, e também a sua maior arma. Desta vez, o alvo escolhido foi Oprah Winfrey. O propósito? A emissão do segmento de 60 Minutos no domingo (18) pelo canal CBS, do qual a magnata dos media fez parte.

O episódio de 60 Minutos em causa contou com a participação da apresentadora norte-americana, que comandou uma entrevista a 14 eleitores de Michigan, pertencentes a diferentes fações políticas: republicanos, democratas e independentistas. Oprah volta a conduzir um debate entre os cidadãos norte-americanos, com quem já tinha reunido após a eleição de Trump. Um ano depois, a apresentadora e os eleitores dão continuidade à discussão, ao debaterem sobre o primeiro ano de governo do 45.º presidente dos Estados Unidos.

Face à carga política do programa, Donald Trump reagiu à emissão do segmento e não poupou críticas. Num tom desafiante, escreveu sobre a sua expectativa de ver Oprah apresentar a sua candidatura à presidência em 2020, demonstrando-se um adversário determinado a “derrotar e expor” a apresentadora nas eleições.

“Acabei de ver uma Oprah Winfrey muito insegura, que a certa altura conheci muito bem, entrevistar um grupo de pessoas no 60 Minutos”, escreveu. “As perguntas foram tendenciosas e transversais, os factos incorretos. Espero que Oprah concorra à presidência, para que seja exposta e derrotada como todos os outros!”

Com o principal intuito de dar a conhecer perspetivas diferentes sobre o tema escolhido, o mais recente episódio de 60 Minutos não falhou ao cumprir o formato do programa e trouxe pontos de vista diversos sobre o governo de Trump. Alguns entrevistados expressaram admiração pelo presidente, enquanto outros questionaram as suas intenções e estabilidade política. A moderadora do debate, Oprah, respeitou a imparcialidade digna da sua posição na discussão.

Oprah Winfrey conduz o debate com 14 eleitores de Michigan. Metade do grupo escolhido votou em Donald Trump na eleição presidencial de novembro de 2016.

A apresentadora fez, contudo, averiguações sobre a economia do país e a degradação do respeito pelos Estados Unidos. Terão sido as indagações da apresentadora a despoletar a censura de Trump? Neutralidades à parte, o que é facto é que o milionário não deixou de se pronunciar, algumas horas depois da emissão do programa.

A esperança de Trump de disputar a presidência dos EUA com a apresentadora não coincide, no entanto, com a vontade da própria. As especulações em torno da candidatura de Oprah às presidenciais de 2020 foram desmentidas pela própria, justificando que o cargo de chefia “não está no seu ADN”. Serão dois anos tempo suficiente para que a apresentadora reconsidere a ideia?