Frederico Lourenço decidiu visitar de novo a Odisseia, o seu poema favorito de Homero, para fazer uma nova tradução. Nas livrarias dia 25 de fevereiro, esta edição foi revista e anotada.

Frederico Lourenço é escritor, tradutor, professor universitário e especialista em línguas e literaturas clássicas, nomeadamente em grego clássico. Leu pela primeira vez a Odisseia quando era pequeno e foi precisamente sobre o Homero que deu a sua primeira aula depois de se licenciar em Línguas e Literaturas Clássicas, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), em 1988.

Mais tarde, doutorou-se, também na FLUL, com uma tese sobre os cantos líricos de Eurípides, tendo sido aprovado por unanimidade por um júri que incluiu Maria Helena da Rocha Pereira, da Universidade de Coimbra, e James Diggle, da Universidade de Cambridge.

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Foto: André Nassife / Flickr

Em 2003, foi ele o responsável pela primeira tradução portuguesa, feita a partir do original grego, das aventuras de Odisseu (ou Ulisses, para os latinos) que, depois do fim da Guerra de Tróia (narrada na Ilíada), embarca numa longa viagem de regresso a casa, na ilha de Ítaca, repleta de peripécias. Dois anos depois, Frederico Lourenço voltou a fazer o mesmo, mas com a Ilíada.

Passados 15 anos, a Quetzal lançou ao tradutor o desafio de voltar às linhas que considerou serem inesgotáveis. Numa nova edição, revista e anotada, o livro, em capa dura e com aproximadamente 700páginas, estará nas livrarias dia 25 de fevereiro.

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Foto: Wook

Esta nova Odisseia surge entre traduções que tem realizado do original da Bíblia grega, cujo primeiro volume, de um total de seis, foi publicado em setembro de 2016.

Para esta nova Odisseia, Frederico Lourenço reviu “linha a linha” a primeira edição. Esta nova edição é diferente, até na tradução. A primeria teve o objetivo de dar a conhecer às pessoas que se interessavam por poesia um poema que em Portugal não era conhecido. Até 2003, existiam apenas versões em prosa feitas a partir do francês, quer da Odisseia, quer da Ilíada.

A língua grega

Numa versão mais virada para o rigor linguístico do que a primeira, que se debruçou mais sobre o som do poema, esta Odisseia “está mais fiel ao que está em grego”. Este grego foi uma língua que ninguém falou, uma mistura de dialetos, uma língua totalmente artificial, poética e literária. Ao contrário do grego da Bíblia, obra escrita num grego que as pessoas falavam e que, na altura, era mais ou menos internacional”, afirmou o tradutor na apresentação da obra na Cinemateca, esta semana.

Classificando todo este trabalho como absolutamente gratificante, o especialista quer com todas estas obras faz entender às pessoas que sabendo grego, e as línguas clássicas, podem entrar mais a fundo nas questões centrais da obra.

“Sinto que a minha missão é dizer às pessoas o quão importante é o ensino do grego. É horrível perceber que, um dia, em Portugal, não vai haver ninguém a saber grego.”

Novidades desta edição

Nesta nova edição, Frederico Lourenço decidiu incorporar notas explicativas no final de cada canto. Deste modo, é possível ler o poema e manter uma experiência de deslumbramento,  que talvez não,acontecesse se as notas estivessem no final de cada página.

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