Salvador Sobral deu, esta noite, a primeira entrevista depois de recuperado do transplante de coração a que foi submetido. A conversa foi transmitida no Telejornal, da RTP1.

A vitória na Eurovisão, a rápida fama e o seu problema de saúde. “Foi o ano mais díspar que alguém poderia imaginar“, é como Salvador Sobral descreve os últimos meses.

Foi em dezembro do ano passado que o cantor foi sujeito a um transplante cardíaco, quando finalmente foi encontrado um coração compatível. O problema de saúde fez com que um dos mais recentes fenómenos da música portuguesa dos últimos anos tivesse de se afastar dos palcos.

Salvador Sobral

Salvador Sobral em entrevista no Telejornal (Foto: Nuno Galopim)

A alta médica chegou em janeiro, meses depois do afastamento das luzes da ribalta. Salvador garante que, apesar de tudo, o transplante não faz de si uma pessoa diferente; pelo contrário, encara esta fase da sua vida como uma experiência, que se junta à grande vitória no Festival Eurovisão da Canção, em Kiev.

Há duas experiências únicas. Ganhei o maior concurso pop europeu e, de repente, toda a gente no país me conhecia. (…) Uns meses depois enfiei-me num quarto de hospital, durante quatro meses, entre paredes brancas, e fiz um transplante de coração. Acho que foi o ano mais díspar que alguém poderia imaginar.

Afirmando-se pouco “metafísico“, sente uma dessas experiências – a do transplante – está ultrapassada. “Prefiro ser prático. Eu tinha este problema, agora está resolvido. Vamos lá começar a tocar, que é o que gosto.”

Salvador Sobral foi o grande vencedor da Eurovisão no ano passado

Se sentiu medo da intervenção cirúrgica? “Sim, claro. Seria um cubo de gelo se não tivesse medo.” Para o artista, o acordar da operação foi uma experiência quase que transcendente, “fora desta realidade“, que “não poderia descrever em palavras.”

Mesmo assim, não pretende saber de onde vem o seu novo coração. “Pode ser que eu, daqui a um tempo, pense de outra forma. Por agora, não tenho essa vontade de ir procurar.”

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Faço isto, para fazer as pessoas questionar-se, para tocá-las

É engraçado, insólito na verdade.” Para Salvador Sobral, este é o único sentimento que se manifesta ao ver as imagens que resumem o ano atribulado que viveu. Imagens essas que já não tinha presentes “há algum tempo. São muito bonitas. Ainda bem que não mostram a parte negra da história“, afirma a João Adelino Faria, que conduziu a entrevista.

A música é a sua verdadeira paixão. Mas afirma-se como interprete e não como compositor. “Componho quando um amigo meu me obriga a compor,” disse, fruto da boa disposição que caracterizou a entrevista. Mas, quando o faz, não compõe a “pensar no coração de outra pessoa.”

A volta aos palcos está para breve. Estando já confirmada uma digressão por Espanha, Salvador quer fazer renascer” a sua carreira musical com espetáculos nos Açores e na Madeira, embora ainda sem mais detalhes. Como sonho, tem o de “viajar pelo mundo e tocar pelo mundo inteiro.”

Salvador Sobral

Salvador no último concerto antes do afastamento dos palcos, em Cascais. (Foto: Observador)

“O coração é só um músculo, a alma fica lá e é a mesma”

Se sente que é o mesmo Salvador de antes da intervenção? “Totalmente.” O objetivo da sua música é, por isso, também o mesmo. “É por isso que faço isto, para fazer as pessoas questionar-se, tocá-las,” responde ao pivô da RTP quando questionado sobre o sentimento inerente ao que, nas suas palavras, mais gosta de fazer.

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Novo álbum a caminho

“[O transplante] influenciou-me de uma maneira muito física. Há medicamentos que fazem com que a minha voz esteja frágil, mas acho que vai voltar ao que era.” É este o mote com que Sobral afirma, também, já estar a preparar um novo disco, o segundo de originais.

Levantando um pouco o véu sobre as novidades do próximo álbum, o cantor revelou que algumas das letras dos novos temas irão contar com a composição dos escritores Miguel Esteves CardosoGonçalo M. Tavares e os músicos Mário Laginha e Samuel Úria.

Este regresso foi assinalado com um vídeo publicado nas suas redes sociais, o primeiro em meses, onde faz um cover de Landslide, tema de Fleetwood Mac.

Salvador Sobral foi o primeiro vencedor português do Festival Eurovisão da Canção, trazendo para Portugal a maior pontuação de sempre na competição. Este ano, o festival realiza-se em Lisboa, a 8, 10 e 12 de maio.

O tema Amar Pelos Dois foi o responsável por todo este fenómeno. Afirmando-se “um homem mais forte,” espera-se que o tema ecoe pelos 5.200 metros quadrados do Altice Arenacom Salvador a pisar o palco que o catapultou para a fama internacional.

A entrevista ao Telejornal está disponível para rever no site da RTP.