15:17. A hora fatídica que marcou a vida e a história de três rapazes a visitar a Europa. O novo filme de Clint Eastwood é baseado num livro, que relata a história real de um terrorista, um comboio e três soldados americanos. Um ataque frustrado pela coragem. 

Estreado a 9 de fevereiro nos cinemas norte-americanos, relata o que se passou na tarde de 21 de agosto de 2015.

Nesse dia, um comboio de alta velocidade sai da estação Amsterdam Centraal, às 15h17, em direção a Paris. 554 passageiros a bordo. Entre os quais, Ayoub El Khazzani, um homem que segue armado com uma kalashnikov e um x-ato e tem intenção de matar todos os passageiros. Anthony Sadler, estudante norte-americano, Alek Skarlatos, militar da Guarda Nacional acabado de chegar de uma missão no Afeganistão e Spencer Stone, da Força Aérea Norte-Americana, também estão a bordo.

A viagem decorre normalmente, até que os passageiros reparam que uma das casas-de-banho está trancada há demasiado tempo. Ao baterem à porta, um terrorista sai com uma arma de fogo e começa a lutar com os passageiros na locomotiva em andamento. Um homem consegue arrancar-lhe uma arma semi-automática. Enquanto os passageiros fogem em direção às outras carruagens, Ayoub atira sobre o passageiro que lhe tinha retirado a pistola.

15:17 Destino Paris

Enquanto tenta prosseguir o ataque, a arma encrava. E, nesse lance de sorte, enquanto tenta desencravar a metralhadora, Anthony Sadler, Alek Skarlatos e Spencer Stone enfrentam-no, imobilizam-no e evitam a tragédia.

Uma história real, protagonizada pelos próprios “heróis da vida real“. Um thriller de ação assinado por Clint Eastwood, o mesmo nome por detrás de películas como Gran Torino, Sniper Americano ou Cartas de Iwo Jima.

Gente real para personagens reais: Boa opção?

Numa opção arrojada, o realizador opta por chamar para o elenco os protagonistas reais da própria história. “Queria ter a máxima precisão na forma como ia contar aquela história“, explica o cineasta à Hollywood Reporter.

Um dia passou-me pela cabeça: Será que eles conseguem fazer isto? Acho que há atores incríveis que podiam fazê-lo, mas há alguma coisa sobre este projeto em particular e o heroísmo envolvido. A forma como eles fizeram as coisas é única. E, por isso, tentei fazer assim“, revela Eastwood.

Foi a primeira vez em vários anos que, sem apresentar resistência, um grande estúdio aceitou ter ‘não-atores’ a protagonizar um filme. No entanto, a crítica a esta opção é sobretudo negativa, que descreve o argumento, em torno da vida dos protagonistas, como “banal”.

15:17 Destino Paris

Kevin Sullivan, da Entertainment Weekly, diz que as performances ilustram 15:17 Destino Paris com uma “falsidade que é tão irónica como distrativa” e que embora se entenda que “Eastwood tenta alcançar algum nível de realismo, mas quando cada interação entre as personagens parece inteligência artificial que foi mal programada a tentar recriar conversa de amigos, percebemos que foi feito um erro“.

Minoritária fica a opinião de A. O. Scott, crítico do New York Times, que defende que o que há a admirar em 15:17 Destino Parisé precisamente o seu despojamento“. O analista de cinema descreve as opções de Eastwood como um teste aos “limites do minimalismo” e uma tentativa de “perceber quanto artifício consegue dispensar mantendo, ainda assim, algum impacto dramático“.

Num filme normal, eles [os protagonistas] seriam duplos. E, num dia normal – eles teriam-no sido, parte da massa de turistas, passageiros em trânsito e outros viajantes que estavam a fazer uma rápida travessia entre capitais europeias“, descreve o jornalista da publicação nova-iorquina.

Em exibição a partir desta quinta-feira (15) nos ecrãs portugueses, a nova obra de Clint Eastwood junta-se a um legado de filmes do realizador de 88 anos que são um retrato, a partir de um olhar bem definido e já de todos conhecido, da América e dos americanos dos tempos contemporâneos.