O 18.º filme do Universo Cinematográfico da Marvel chegou mas, em muitas coisas, é o primeiro. Black Panther traz-nos o primeiro super herói negro da Marvel – e não podia estrear em melhor altura. Tal ajuda a explicar, decerto, a impressionante taxa de aprovação de 98% no Rotten Tomatoes. No entanto, Black Panther tem muitos outros pontos de interesse

Black Panther já tinha sido pensado nos anos 90, ainda com Wesley Snipes como protagonista. Foi referido em 2005 e oficialmente anunciado em 2014. A apresentação do personagem, essa, ficou para 2016.

Foi em Capitão América: Guerra Civil, último título da trilogia de Steve Rogers, que o mundo conheceu T’Challa. Príncipe e futuro rei da nação Africana de Wakanda, T’Challa surgiu em Capitão América como um mero diplomata, mas a ideia era clara: havia mais por explorar no personagem. Assim, com o assassinato do seu pai, o rei T’Chaka, o diplomata deu lugar ao herói. O público conhecia assim o vingativo mas justo Black Panther, que roubou um filme que não era o seu.

Frescura e diferença

O intérprete de Black Panther é Chadwick Boseman, que se celebrizou por personificar o cantor James Brown no filme Get On Up. Depois da inesquecível introdução em 2016, Boseman tem agora a oportunidade de protagonizar o seu primeiro filme a solo.

O americano encabeça um elenco predominantemente negro. E que luxo de elenco. De Black Panther fazem parte os “oscarizados” Forest Whitaker e Lupita Nyong’o. Também Daniel Kaluya (que concorre para o Óscar de Melhor Ator por Get Out), Michael B. Jordan, Angela Basset, Martin Freeman e Andy Serkis fazem também parte do elenco.

Os eventos de Black Panther sucedem-se aos do referido Capitão AMérica: Guerra Civil. Após a morte do seu pai, T’Challa regressa a Wakanda para a sua coroação. O que encontra, no entanto, é um país ameaçado. T’Challa terá de lidar com Erik “Killmonger” Stevens (Michael B. Jordan), um exilado de Wakanda com ambições ao trono que se alistou nas Black Ops americanas.

Também atrás das câmaras reina a frescura e a diferença. O realizador de Black Panther é o jovem Ryan Coogler. O americano é responsável por filmes como Fruitvale Station, sensação do Festival de Sundance, e Creed, que deu a Sylvester Stallone um Globo de Ouro. Ambos estes filmes foram protagonizados por Michael B. Jordan, que volta a colaborar com o realizador.

Créditos: Divulgação

Curadoria de Kendrick Lamar

Um outro fator de interesse em Black Panther é a sua banda-sonora, produzida por Kendrick Lamar. O rapper americano foi escolhido pessoalmente pelo realizador. Segundo Ryan Coogler, Kendrick  segue “temáticas artísticas que se alinham com o que exploramos no filme.

Lamar ia inicialmente apenas contribuir com alguns temas para a banda-sonora do filme. Mas, após ter visto a maior parte do mesmo, optou por curar e produzir um álbum inteiro, apelidado de Black Panther: The Album. Composto por vários temas interpretados por Lamar, o álbum estreou a 8 de Fevereiro. O website The A.V. Club considerou-o “um dos melhores álbuns de rap deste ano que ainda está a começar.

“Os líderes têm de ser heróis.”

O protagonista do filme não é visto como o típico herói. Chadwick Boseman considera Black Panther um anti-herói, apesar de “estar ciente das suas responsabilidades enquanto líder de Wakanda.” Já o realizador Ryan Coogler fala-nos de um personagem “que se vê sobretudo como um político, o líder do seu país. Só que, por acaso, o país assenta numa cultura de guerreiros. Os líderes têm de ser heróis.”

Black Panther vem carregado de um importante e atual simbolismo, podendo perfilar-se como um marco importante para a afirmação negra no universo de super-heróis. Mas os méritos do filme não se cingem a estes: a crítica especializada já deu o seu parecer, e dificilmente poderia ser mais positivo.

O website Rotten Tomatoes fala de um filme que “nos conta uma das histórias mais absorventes do Marvel. E com alguns dos personagens mais trabalhados.” O New York Times aplaude Black Panther como “um emblema da criação e liberdade negra, emblema de um passado que foi negado e um futuro que parece muito presente.” Já o L.A. Times enaltece “os diálogos que exploram questões sérias. O resultado é um filme que merece ser revisto, o que é raro.

Black Panther estreia esta semana em Portugal e promete trazer um novo e entusiasmante elemento ao Universo Cinematográfico da Marvel.