Num texto de opinião em que faz o balanço dos seus três anos na administração da RTP, Nuno Artur Silva revela que o plano da administração, na qual detinha o pelouro dos conteúdos, era extinguir a RTP Memória e transformá-la na RTP4, um canal dedicado às crianças.

De acordo com o gestor, que admite não estar a contar “sair no fim deste primeiro mandato“, a ideia era passar os conteúdos da RTP Memóriapara conteúdos transversais aos vários canais” e “transformar a RTP Memória num canal infantil, a RTP4, com conteúdos portugueses, tão necessários para colocar na RTP Internacional, para as segundas gerações de emigrantes“.

Na mesma crónica, que o Público publicou esta sexta-feira (9), o administrador agora de saída defende que esta mudança permitiria também “um reforço da componente de canal cultural” da RTP2. Relembramos que, neste momento, cerca de oito horas diárias da programação do segundo canal são ocupadas com programação infantil.

É preciso mais dinheiro

Nuno Artur Silva, que saiu após o Conselho Geral Independente não lhe ter renovado o mandato, argumenta ainda que “para se conseguir mais e melhor” serviço público, “é preciso continuar a exigir um aumento da contribuição audiovisual“, que qualifica como “escandalosamente baixa” para os padrões médios europeus.

Foi durante o mandato do também fundador da Produções Fictícias que a RTP3 e a RTP Memória chegaram ao acesso livre para todos os portugueses, através da Televisão Digital Terrestre.

O exercício da nova administração da RTP, que tem ainda pendente de aprovação o vogal da administração com o pelouro financeiro, deverá ter início durante o mês de março e prolongar-se-à até 2021.

Nuno Artur Silva mostrou-se, no mesmo texto, confiante que seja dada continuidade à estratégia até agora delineada, sublinhando conhecer o recém-indicado vogal da administração, Hugo Figueiredo, em quem muito confia.