2018 começou há bem pouco tempo e já estão a ser lançados alguns dos álbuns mais esperados do ano. Os MGMT, ausentes desde 2013, trazem-nos agora Little Dark Age. Os synths dos anos 80 estão em voga e os norte-americanos usaram e abusaram deles. O que é que reservaram para nós desta vez?

A era das trevas veio para dar cor aos novos velhos MGMT

Há cerca de dez anos, a banda norte-americana lançava o seu primeiro álbum, Oracular Spetacular, de forma graciosa. Os sons recheados enchiam o ouvido e rapidamente produziam em nós uma espécie de sinestesia. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e os MGMT não descuidam deste modo de viver.

Little Dark Age é claramente um statement. Vamos então mergulhar na escuridão muito própria, divertida até. She Works Out Too Much parece uma abertura pouco sensata para o que se segue ao abrir o portal nostálgico dos primórdios da banda. Segue-se nada mais, nada menos que a brilhante Little Dark Age.

Little Dark Age: a estrela orelhuda de que precisávamos

O primeiro single do álbum segue a linha sonora mais misteriosa. É o tema de que precisávamos com baixos efervescentes, sintetizadores em loop e um pop cheio de glamour. As palavras que vão saindo de Andrew VanWyngarden e contrastam com o estado de espírito sci-fi do instrumental. Estes são os MGMT na sua máxima eficiência.

When You Die e Me And Michael trazem de volta a vibe fluorescente dos anos 80 e juramos que há The Cure a tocar na nossa cabeça. TSLAMP manipula os baixos funky e a banda, a este ponto, já aprendeu a ser sarcástica.

Esta é a beleza da música – a capacidade de reinvenção dos artistas, até inspirados por outros, e a coragem de voltar ao som primordial que os tornou célebres. Que o diga James, na segunda parte de Little Dark Age.

Há faixas mais obtusas que, mesmo mostrando o lado catchy, acabam por não crescer em nós como Days That Got Away e One Thing Left to Try.

No entanto, existem peças que não precisam de ser pensadas para serem sentidas como When You’re Small. Hand It Over entrega a mensagem final e continua a divagar sobre a realidade, positiva ou negativamente, tal como a música deve ser.

Não é álbum para ouvir uma só vez e deitar fora, mas não é empolgante o suficiente

O conceito de escurecer os tons que pintam os MGMT foi uma boa ideia, mas nem sempre o conseguiram da melhor maneira. Estiveram largos anos parados e pelo meio houve muita confusão na música que lançavam. Este álbum marca um regresso tímido que, esperançosamente, poderá trazer bons ventos por parte da banda.

As vibes mais old school funcionam bem como o futurismo evidente em todas as faixas, no entanto há momentos chatos que pecam por não se integrarem nos temas mais sonantes.

Não devemos olhar a música como inovação constante, mas sim como uma partilha do estado de espírito que acompanha os artistas. O humor toma parte no contraditório Little Dark Age e por que não fazer um álbum divertido que saiba incomodar?

Pontuação: 7/10