Quincy Jones, produtor por detrás de vários sucessos de Michael Jackson, acusa o rei da pop de ter roubado muitas canções.

Numa longa entrevista ao site Vulture, em que anuncia que tudo o que sempre fez “foi dizer a verdade“, distribui farpas um pouco por toda a indústria musical, com especial atenção ao cantor falecido em 2011.

Não gosto de falar sobre isto publicamente, mas o Michael roubou uma data de coisas. Roubou uma série de canções“, assegura. E logo de seguida pede para que comparem a canção State of Independence, de Donna Summer, com Billie Jean. “As notas não enganam. Ele era tão maquiavélico quanto é possível ser“.

Ele era ganancioso. Em “Don’t Stop ’Til You Get Enough”, o Greg Phillinganes escreveu a secção c. O Michael devia ter lhe dado 10% das receitas. Não o fez“, revelou o mega-produtor e vencedor de 28 Grammys.

As considerações sobre Michael Jackson estendem-se também ao campo pessoal. “Eu costumava chateá-lo por causa das cirurgias plásticas. Ele justificava-se sempre e dizia que era por causa de uma doença. Tretas.“, afirma o músico.

Quincy Jones / Produtor de Michael Jackson

Beatles: “Achei que eram os piores músicos do mundo

Quando questionado sobre a primeira impressão que teve dos Beatles, Quincy Jones manteve a sinceridade: “Achei que eles eram os piores músicos do mundo. Eles não sabiam tocar nada. O Paul [McCartney] era o pior baixista que eu alguma vez ouvi. E o Ringo? Nem vou falar disso.

Noutras observações, o produtor critica a música pop de hoje, que acusa de não ser inovadora: “São só loops, batidas, rimas e ganchos. O que é que há para retirar daí? Já não há uma merda de uma canção.”. Por oposição, quando é inquirido sobre a sua “maior inovação na música“, Jones poupa na modéstia e atira: “Tudo o que fiz.“.

Tudo o que fiz foram coisas que posso estar orgulhoso – absolutamente. Foi um espantoso contraste de géneros. Desde muito novo, eu toquei todos os tipos de música: música de bar mitzvahs, marchas de Sousa, música de clubes de strip, jazz, pop. Tudo. Não tive que aprender nada para fazer Michael Jackson“, explica.

Hoje a música é pior “devido à mentalidade de quem a faz“. Quincy Jones aponta o dedo aos produtores, “que estão a ignorar todos os princípios musicais das gerações anteriores“.

Não é assim que as coisas funcionam: É suposto aproveitares tudo do passado. Se souberes de onde vens, é mais fácil entenderes para onde vais. Precisas de entender a música para tocar as pessoas e te tornares a banda sonora da vida delas“, defende o compositor.

Gilberto Gil e Caetano Veloso: Os reis

No entanto, também há elogios a atribuir, a começar por “Bruno Mars. Chance the Rapper. Kendrick Lamar“. “Eu gosto do sítio onde está a mente do Kendrick. Ele tem os pés assentes no chão. O Chance também. E o disco do Ed Sheeran é incrível. O Sam Smith. Ele é tão aberto sobre a homossexualidade dele. Adoro isso. O Mark Ronson sabe como produzir.”

E refere a música brasileira como um exemplo: “Gilberto Gil e Caetano Veloso são os reis. Eu visito as favelas todos os anos. Aqueles gajos têm uma vida difícil, mas são duros. Pensas que as coisas estão mal na América? Lá é pior.“.