A Daenerys Targaryen é uma das personagens preferidas pelos fãs da saga da Guerra dos Tronos. Contudo, talvez muitos fãs mudassem de opinião se conhecessem a Daenerys dos livros que é diferente (e muito menos “mazona”) que a da série.

A proclamada Khaleesi, Mãe dos Dragões, Quebradora de Correntes, entre muitos outros nomes, é uma das principais personagens da saga As Crónicas de Gelo e Fogo da autoria de George R. R. Martin e uma das mais adoradas pelos fãs. Isto a par de, provavelmente, Tyrion Lannister e Jon Snow, ou deveríamos antes chamá-lo de Aegon Targaryen?

Existem, contudo, umas diferenças entre a Daenerys descrita nos livros e a que é representada pela atriz britânica Emilia Clarke.

Além das diferenças óbvias, tais como a de Daenerys dos livros ter apenas 13 anos e a da série 17 ou 18, existem algumas diferenças mais profundas e intrincadas, ligadas às personalidades de cada uma e às suas respetivas ações e consequências.

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Fonte: Giphy

Em ambas as tramas, de início, a personagem é igual: a criança vendida a Khal Drogo (como se de uma égua parideira se tratasse) evolui e gradualmente transforma-se na rapariga determinada e independente, que assalta cidades com os seus dragões de modo a libertar os escravos.

Tanto uma como a outra querem fazer a coisa certa, mas as suas histórias passam-se de maneira diferente.

A Daenerys da série apenas tem alguns problemas com os Filhos da Harpia, deixando depois a cidade ao comando de Daario e partindo para Westeros, sendo que Meereen e toda aquela história, praticamente, caem no esquecimento dos espectadores.

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Fonte: Giphy

Por outro lado, nos livros, esta história da “salvadora” é muito mais completa e complexa, sendo que é o tema central da personagem, e não apenas uma “paragem” da personagem antes desta “migrar” para Westeros à procura do seu Trono de Ferro.

Na versão literária, Daenerys fez com que morressem milhares de pessoas, e as consequências dos seus atos e decisões teimam em persegui-la.

Esta Daenerys, por exemplo, libertou a cidade de Astapor, deixando um novo governo ao comando. Mas o governo instável caiu logo a seguir e uma horrível praga de disenteria assolou a população. Os que tentaram fugir da praga acorreram para Meereen, em busca de Daenerys para os ajudar, mas esta ao invés disso, mandou fechar os portões para proteger os cidadãos de Meereen que estão constantemente a sofrer ataques dos Filhos da Harpia, ao mesmo tempo que a cidade está sob ataque por Yunkai. Como bónus, os dragões não treinados de Daenerys causam estragos por todo o lado: é um autêntico caos.

E o caos não fica por aqui. Na maior parte daquela zona a escravatura não foi abolida e os escravos libertos por Daenerys ou estão a morrer à fome e doença, ou estão a voltar à sua prévia condição de escravos.

Posto isto, as intenções da Daenerys literária foram boas, até altruístas, mas esta não pensou nas consequências futuras, as quais se revelaram calamitosas.

Na sua última aparição nos livros, a Nascida da Tempestade encontrava-se meio morta no Grande Mar Dothraki, consciencializando-se do seu falhanço e sentindo-se perdida.

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Fonte: Giphy

A versão de Daenerys de George R. R. Martin é a de uma heroína trágica, que deseja praticar o bem, mas em que tudo acaba por correr mal, tornando-se “pior a emenda que o soneto”.

Por sua vez, na série, Daenerys é representada como a boa rapariga (com uns muito leves traços de vilania) que está pronta para conquistar Westeros, custe o que custar.

Muito resumidamente: a Daenerys dos livros é uma “hipócrita” bem intencionada que acaba por magoar e prejudicar aqueles que quer ajudar, enquanto que a da série é uma verdadeira “badass“.

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