A bitcoin desvalorizou mais de 14% esta segunda-feira (5). A cotação da criptomoeda (moeda digital) caiu para sete mil dólares americanos, acentuado a tendência do último mês.

Janeiro foi o pior mês de sempre na história da bitcoin. Depois de ter registado recordes históricos a 18 de dezembro de 2017, quando atingiu o seu valor mais alto de sempre (18 690 dólares americanos), a moeda tem vindo a desvalorizar drasticamente. A nova queda torna a perda de valor superior a 60%.

Cotação da bitcoin

A desvalorização desta segunda-feira ocorreu na sequência do anúncio do Lloyds Banking Group (que inclui o gigante londrino Lloyds Bank) ter anunciado que vai deixar de aceitar transações de cartão de crédito que envolvam a compra de criptomoedas. De acordo com o porta-voz do grupo “é uma questão de proteger os nossos clientes de cartão de crédito dos riscos associados a volatilidade de preço das criptomoedas“.

A decisão do Lloyds não é inédita. A Citigroup Inc., a JP Morgan, o Bank of America e a Capital One Finantial Corp. tomaram decisões semelhantes nas últimas semanas.

Para além das instituições financeiras, também os especialistas se têm mostrado reticentes em relação a este tipo de moeda. Um estudo reportado pelo The Wall Street Journal afirma que 51 dos 53 economistas inquiridos acredita que os preços da bitcoin eram uma “bolha insustentável“.

No início deste mês, o Facebook anunciou que vai banir os anúncios à bitcoin e outras criptomoedas. Na nova política, a rede social afirma que os “anúncios não devem promover produtos e serviços financeiros frequentemente associados com práticas promocionais enganosas“.

A desvalorização da bitcoin tem sido acompanhado por uma tendência semelhante nas outras moedas digitais. Nas últimas 24 horas a Ethereum caiu mais de 22%, a Ripple mais de 32% e a Litecoin mais de 21%.

Este fenómeno está a levar os especialistas a questionarem se este será o “rebentar da bolha” para a bitcoin. Alguns especialistas parecem acreditar que a moeda irá sofrer um crash, resultando na perda de bilhões de dólares dos investidores.

O que é a bitcoin?

Segundo a Bitcoin Portugal, a bitcoin é uma moeda virtual “sobre uma rede de pagamentos sem fronteiras” que “não necessita de autoridade central ou banco” para operar. A intenção é facilitar as transições online, tornando-as mais rápidas e reduzindo as taxas associadas.

Esta criptomoeda foi criada em 2008 pelo programador que usa o pseudónimo Satoshi Nakamoto. Até a data não é do conhecimento publico quem é a pessoa (ou pessoas) por detrás deste nome.

Para além da origem anónima, os especialistas têm repetidamente chamado atenção para a natureza volátil da moeda. Como não tem regulador, o valor da bitcoin depende somente da  procura e oferta, apresentando variações constantes. O perigo de fraude e ataques informáticos são igualmente preocupações. Por este motivo, a classe mostra-se reticente em relação a viabilidade a longo prazo da moeda digital.

Apesar do ceticismo dos especialistas, reguladores e grandes investidores, a bitcoin foi acumulando investimentos. O valor total em circulação é atualmente superior a 150 mil milhões de dólares americanos (aproximadamente 126 mil milhões de euros).

Bitcoin em Portugal

A bitcoin em Portugal está ainda pouco desenvolvida, não havendo qualquer tipo de regulação prevista.

Ainda assim, o Banco de Portugal revelou já o seu parecer. Em dezembro, o administrador Hélder Rosalino afirmou que apesar de reconhecer vantagens do seu uso, como o potencial para transações mais rápidas e com taxas mais baixas, desaconselha o investimento na criptomoeda devido ao perigo da falta de regulação.

Em declarações citadas pelo jornal Dinheiro Vivo, o responsável considerou que “como este dinheiro não é regulamentado, são os seus utilizadores que suportam todo o risco”.