Não são as típicas histórias de amor. Não foram feitas, todas elas, para culminar em bem. Muito à semelhança das de cada um de nós, são histórias de amor tridimensionais e nas quais os pormenores fazem toda a diferença.

Para este São Valentim, o Espalha-Factos fez uma lista especial de livros para oferecer ou ler (a sós ou acompanhado) pejados de romantismo alternativo.

1. António e Cleópatra, William Shakespeare

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Fonte: Amazon

O primeiro par que nos ocorre quando falamos em romance universal é, sem dúvida, Romeu e Julieta. Por isso, não falaremos da mais comemorada obra de Shakespeare, mas sim, de outra, que a precede e com formato semelhante.

Na tragédia que se debruça sobre a história de amor do cônsul romano com a rainha egípcia, a escrita monumental e ornamentada de Shakespeare tem um dos seus melhores exemplos, materializando-se em diálogos grandiosos e atípicos (Wook – 16 euros).

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Fonte: Wook

2. A Dama das Camélias, Alexandre Dumas (filho)

A obra francesa do século XIX tem tudo de fatalista. Uma das maiores histórias de amor de todos os tempos, escrita pelo filho bastardo do autor de O Conde de Monte Cristo, tem como epicentro a relação de um jovem estudante de Direito com a cortesã Marguerite Gautier.

Socialmente condenados desde do princípio, outras contrariedades surgirão para o seu amor. Uma obra com tendências autobiográficas e muito aclamada pela crítica através de várias gerações de leitores (Wook – 7 euros).

 

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Fonte: Wook

3. O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald

Nos anos 20, o casal Fitzgerald brilhava nas festas parisienses. Muito embora quisesse escolher um conto de Zelda para variar, Gatsby é incontornável e supera as expectativas românticas, apesar de ter ficado reconhecido pelas festas grandiosas e não pela sua faceta sentimental.

Considerado o segundo melhor romance do século XX pela Modern Library, esta é, discutivelmente, a história de um homem que tudo fez por amor  (Wook – 8 euros).

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Fonte: Wook

4. O Crime do Padre Amaro, Eça de Queirós

Eça de Queirós é, provavelmente, o maior escritor de romances “inapropriados” da nossa língua. D’Os Maias até ao Primo Basílio, as coisas não correm muito bem e desenrolam-se de forma, no mínimo, difícil e inconveniente. Nesta obra, passada em Leiria, Amélia e o Padre Amaro iniciam um caso ardente, apesar da condição de Amaro e de Amélia se encontrar noiva.

Embora seja um romance, é de salientar que é o primeiro realista, e que a moralidade dos personagens masculinos de Eça de Queirós é muito questionável. É um livro para acabar de ler depois do São Valentim para evitar o celeuma (Wook – 9 euros).

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5. Contradança – Cartas e Poemas de Camões, Luís de Camões

Este livro é talvez a melhor colectânea não-épica do autor. Os sonetos de Camões são indispensáveis na definição de amor luso mas, também, na concepção de amargura e mal de amores tão nossos como o Fado. A lírica camoniana é um dos ex-libris nacionais e não deve ser descuidada em detrimento d’ Os Lusíadas.

Quem melhor para descrever o amor do que Camões? Para falar verdade, provavelmente, o maior poeta português já foi ponto de referência para todas as formas de amor que o precederam não tendo, assim, a sua obra início nem fim de influência (Wook – 25 euros).

 

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6. Flores Sem Fruto, Almeida Garrett

O pai do Teatro Nacional D.Maria II, poeta, escritor e dramaturgo é um romântico por definição de estilo. O amor garrettiano está repleto de contradições, de brutalidade e sensualidade.

A obra poética Flores Sem Fruto é normalmente vendida em conjunto com a colectânea Folhas Caídas, escritas 17 anos depois, com um fôlego de desalento muito diferente da fugaz e violenta paixão da obra aconselhada (Wook – 5 euros).

 

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Fonte: Wook

7. Cartas de Amor, Pablo Neruda

Seria escusado fazer qualquer lista do género sem incluir Neruda. Fugindo ao óbvio, recorremos às cartas e não aos poemas do chileno. A relação de 23 anos com a sua mulher, Matilde, fez com que Neruda produzisse muitos poemas e muitos livros.

Nesta obra, a correspondência do autor é editada, revelando o amor, a paixão, os ciúmes e o despeito, enchendo de magia o quotidiano de quem lê (Wook – 30 euros).

 

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Fonte: Wook

8. O Preço do Sal (Carol), Patricia Highsmith

O sal como fonte de equilíbrio, sabor e conservação.
Publicado em 1952 sob o pseudónimo de Claire Morgan, este livro chocou os leitores em todos os sentidos: desde a relação homossexual retratada, passando pela diferença de idades dos intervenientes e culminado no simples facto de ser uma história que, apesar destas características, tem um final tendencialmente feliz.

Um amor à primeira vista com uma intimidade crescente e várias declarações literárias de afecto ao estilo epistolar. O filme, Carol, de Todd Haynes, trouxe o livro da autora de O Talentoso Mr.Ripley de volta aos escaparates. Hoje, é uma pièce resistance em qualquer lista de São Valentim (Wook – 18 euros).