Passados oito dias, a 46.ª edição do Prix de Lausanne terminou com muitos resultados. Jovens dotados de um talento imenso lutaram, mais uma vez, pelo seu sonho de se tornarem bailarinos profissionais.

Uma competição cuja preparação exige destes bailarinos horas de trabalho incalculáveis, sempre sob o olhar atento de grandes companhias de todo o mundo e de nove jurados, aos quais não escapa qualquer movimento.

Juntámos algumas curiosidades que assinalaram o Prix de Lausanne 2018.

74 candidatos

Das iniciais 380 candidatos (297 bailarinas e 83 bailarinos), de 38 países, chegaram ao Théâtre de Beaulieu, em Lausana (Suíça) 69, juntando-se a estes 9 pré-selecionados.

Prix de Lausanne

Foto: Gregory Batardon / página oficial do Prix de Lausanne no Facebook

Desde o início da passada semana, 74 dos 78 candidatos de todo o mundo participaram em aulas diárias, coaching e ensaios com profissionais de prestígio no campo

Observados atentamente por 9 membros do júri, os candidatos tinham apenas um objetivo: realizar as suas variações clássicas e contemporâneas e conseguir um lugar nas finais.

21 finalistas

Após 4 dias de trabalho intensivo, 21 candidatos foram qualificados para as finais da competição.

Os selecionados eram provenientes de 10 países diferentes, sendo que os mais representados foram os Estados Unidos com 5 candidatos e a China com 4.

As finais tiveram lugar no sábado, dia 3 de fevereiro. A cerimónia foi transmitida em live streaming e apresentada por Deborah Bull, diretora criativa da Royal Opera House.

De Giselle Furia Corporis

O potencial destes jovens promissores não foi avaliado apenas considerando a sua facilidade técnica, mas também a capacidade de dar uma resposta imaginativa e sensível à música.

Os candidatos tiveram que dominar o repertório clássico tradicional, bem como as criações contemporâneas de Louise Deleur, Richard Wherlock, Jorma Elo, Mauro Bigonzetti ou Wayne McGregor.

46.ª edição

2018 foi o ano 46 deste prestigiado concurso. O suíço Philippe Braunschweig e a sua mulher Elvire criaram a competição em 1972 e foram muitos os nomes que foram completando o prestígio do Prix de Lausanne, como Rosella Hightower e Maurice Béjart. A ideia era criar um apoio para jovens bailarinos, principalmente vindos de escolas mais pequenas, que pretendam construir uma carreira no ballet clássico.

Prix de Lausanne

Foto: página oficial do Prix de Lausanne no Facebook

O evento é considerado um dos mais exigentes de dança a nível internacional. Muitos dos vencedores deste concurso são agora estrelas nas maiores companhias de ballet de todo o mundo.

9 jurados

Nina Ananiashvili (diretora artística da State Ballet of Georgia e vice-presidente do júri), Yuriko Kajiya (primeiro bailarino no Dancer of Houston Ballet), Davit Karapetyan (diretor artístico da Pennsylvania Ballet Academy), Birgit Keil (diretor da Academy of Dance em Mannheim), Oliver Matz (diretor da Zurich Dance Academy), Lisa Pavane (diretora da The Australian Ballet School), Christopher Stowell (diretor artístico associado da The National Ballet of Canada) e Demis Volpi (coreógrafo e diretor de ópera) avaliaram esta edição.

Este ano, o diretor artístico do Dutch National Ballet, Ted Brandsen , foi o presidente do painel.

Durante toda a semana, os membros do júri observaram os candidatos a realizar as suas variações clássicas e contemporâneas. Como profissionais de dança de renome internacional, escolheram depois os 8 talentos mais promissores.

8 bolsas

Dos 21 bailarinos selecionados para a final, 8 conquistaram as 8 bolsas de estudo atribuídas todos os anos. Estas oferecem-lhes a oportunidade única de escolher entre as 72 prestigiosas empresas e escolas de ballet parceiras do Prix de Lausanne.

Este ano Shale Wagman (17 anos), do Canadá (Princess Grace Academy do Mónaco), foi o grande vencedor, tendo ganho uma bolsa oferecida pela Oak Foundation. Hanna Park (Coreia do Sul, 15 anos), Wenjin Guo (China, 16 anos), Junsu Lee (Coreia do Sul, 16 anos), Xinyue Zhao (China, 17 anos), Miguel Angel David Aranda Maidana (Paraguai, 18 anos), Carolyne Galvão (Brasil, 17 anos) e Aviva Gelfer-Mündl (EUA, 16 anos) foram merecedores das restantes.

Pela primeira vez, desde 2005, nenhum japonês esteve entre os vencedores.

4 prémios

Foram ainda atribuídos 4 prémios a 4 dos bailarinos finalistas. Um pela perfomance de dança contemporânea (Furia Corporis), entregue a Junsu Lee, da Coreia do Sul, que vai poder usufruir de um curso de dança contemporânea durante o verão.

A bailarina mais aplaudida pelo público nas suas atuações (Grand Pas ClassiqueChroma) e, por isso, a vencedora do prémio de Favorito do Público, foi a brasileira Carolyne Galvão.

O grande vencedor desta edição do Prix de LausanneShale Wagman, ganhou ainda o prémio da Fundação Rudolf Nureyev por ter mostrado um grande potencial.

Por fim, a Lukas Bareman (18 anos), da Bélgica, foi atribuído o prémio de Melhor Candidato Suíço.

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Os finalistas não contemplados com nenhum destes galardões, receberam o Prémio Finalista e a oportunidade de participar no  Networking Forum, que aconteceu no domingo, 4 de fevereiro. Com isto, os bailarinos tiveram mais uma oportunidade de serem selecionados por representantes de escolas e empresas parceiras.

5 bailarinos lusófonos e 1 entre os vencedores

Sete foram os bailarinos que dançaram em português. Mesmo alguns deles pertencentes a escolas de outros países, concorrem com nacionalidades lusófonas. Carolyne Galvão (Brasil), Márcio Mota (Portugal), Isabella Bellotti Fargnolli (Brasil), Giovanna Pessoa (Brasil) e Thiago Silva (Brasil) estiveram em competição.

Carolyne Galvão, vencedora da bolsa de estudo n.º8, estuda na escolha Itego Basileu França.

1 bailarino português

O bailarino português Márcio Mota, de 16 anos, aluno da Escola de Dança do Conservatório Nacional (EDCN) foi selecionado para competir na edição do Prix de Lausanne deste ano.

Prix de Lausanne

Márcio Mota é o número 402 | Foto: Rodrigo Buas / página oficial do Prix de Lausanne no Facebook

Todos os anos, há alunos da EDCN que concorrem. Este ano, Portugal concorria inicialmente com nove candidatos.

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1 escola portuguesa

Portugal e EDCN não estiveram apenas representados pelo Márcio Mota. A japonesa Shion Miyahara também ingressou a lista de bailarinos selecionados para a semana do Prix de Lausanne, na Suíça.

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