Quando questionado sobre a possibilidade de retratar a homossexualidade de Albus Dumbledore no próximo filme da saga Monstros Fantásticos, o realizador David Yates diz que a referência “não será explícita“. A opção gerou discórdia entre os fãs.

O feiticeiro, que no novo filme será interpretado por Jude Law, é uma das personagens mais populares do mundo mágico criado por J.K. Rowling. Em 2007, depois do lançamento do último livro da franquia, a autora revelou numa conferência que sempre imaginou Dumbledore, o diretor da escola de Hogwarts, como uma personagem gay.

Estas declarações puseram fim a anos de especulação. Nos livros, a homossexualidade do bruxo nunca foi diretamente evocada, apesar de ser referida uma relação muito intensa com outro dos grandes nomes da feiticeira, o temível Gellert Grindelwald (Johnny Depp). Intensa… e amorosa, acabaria por revelar Rowling.

No entanto, apesar desse intensidade e de Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald mostrar a juventude de Albus várias décadas antes da ação que conhecemos das películas originais da saga Harry Potter, a homossexualidade não fará parte do retrato cinematográfico.

Porque é que Dumbledore não pode ser gay em paz?

A revelação, por David Yates, desta opção, acabou por frustrar as expectativas de todos os fãs que acalentavam a hipótese de ver assumida no grande ecrã a orientação sexual de Dumbledore.

Eu acho que os fãs todos sabem que ele teve um relacionamento intenso com Grindelwald quando eram jovens. Apaixonaram-se pelas ideias e ideologias que tinham e também um pelo outro“, defende o realizador.

E, sendo assim, “porque é que não podem deixar o Dumbledore ser gay em paz?“, pergunta Caspar Salmon no Guardian. Os fãs têm assumido a frustração de forma sonora – “Se admitem que nós já sabemos que ele é gay, porque é que ele não pode aparecer como gay? Era uma oportunidade para mostrar diversidade“.

Há dois anos, na altura do lançamento do primeiro filme, J. K. Rowling retratou o Dumbledore que iria aparecer na saga Monstros Fantásticos como “um homem mais novo e um pouco perturbado” que poderíamos ver “num período formativo da vida, e também no ponto de vista da sexualidade“.

Os admiradores, com algumas expectativas sobre estas palavras, assumem agora sentir-se traídos e acusam a escritora de ter “adotado a via da cobardia” e não ser “uma verdadeira aliada LGBTQ“. “Se ainda não era claro: Rowling disse que o Dumbledore era gay durante estes anos todos só para tentar evitar críticas de falta de diversidade [em Harry Potter]“, acrescentam.

A autora reage no Twitter: “Estar a ser atacada devido a uma entrevista que não me envolve, sobre um guião que eu escrevi mas que nenhuma das pessoas descontentes leu, que é parte de uma série de cinco filmes da qual só foi disponibilizado um, é obviamente muito divertido“.

O amor de Dumbledore por Grindelwald tem sido visto, pelos fãs, como um elemento essencial na relação entre as duas personagens e no facto de Albus ter ignorado durante tanto tempo as atitudes cruéis e manipuladoras de Gellert. Resta saber se, nos três filmes que ainda serão exibidos, haverá oportunidade para entender melhor o envolvimento da dupla.

Muito ativa nas redes sociais, a autora tem tido trabalho para lidar com a contestação que se têm criado em torno do segundo filme da saga Monstros Fantásticos. Nas últimas semanas, a pressão tem sido elevada para a retirada de cena de Johnny Depp, que assume o papel de Grindelwald e foi recentemente acusado de violência doméstica.