A viragem do novo ano quase sempre surge acompanhada de novas ou recicladas resoluções. Sabemos que nem sempre é fácil cumprir aquilo a que nos propusemos inebriados na febre de “ano novo, vida nova”. Pior ainda quando o nosso objetivo passa por escrever mais.

Quantos manuscritos na gaveta? Ideias? Histórias, pessoas, enredos? Escrever pode não ser fácil, especialmente porque é um trabalho solitário e desgastante. Por isso mesmo, o Espalha-Factos reuniu 8 dicas que te vão ajudar a organizar o teu tempo e mente, para meteres mãos ao livro.

1. Lê mais

Nada estimula mais uma imaginação enferrujada do que ler. O bloqueio criativo é muitas vezes aquilo que nos impede de escrever: em frente ao computador ou da folha de papel e as palavras não se compõem, as ideias não surgem.

Ver como outros edificaram enredos, construíram histórias pode ser uma fonte de inspiração. Por isso, ler é a primeira sugestão.

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Foto: VisualHunt

Uma outra nota: muitos escritores sugerem que ler outros autores pode contaminar as ideias. Mas, se dessa leitura resultar algo teu (e em que tens consciência do teu papel enquanto autor), não temas e lê, lê muito!

2. Cria um horário

Uma boa forma de encarares com seriedade o trabalho de escrita é atribuíres-lhe um lugar na tua rotina.

Designa algum tempo do teu dia para te dedicares à escrita- mesmo que não tenhas inspiração nem nenhuma ideia para escrever. Somos seres de rotina e escrever vai-se tornando mais fácil com o treino.

Começa devagar, todos os dias de semana e descansa no fim-de-semana. O importante é cumprires religiosamente o teu horário de trabalho. Posto isto, este tempo tem de ser a tua prioridade. “Estás ocupado/a”– e isso implica que não vais sair com os amigos, nem fazer outra tarefa tempo que designaste à escrita. Encara este trabalho como um outro qualquer e obriga-te a focares toda a tua atenção nele.

3. Desliga-te das redes

Se o teu tempo de escrita é sagrado, o melhor mesmo é desligar os dispositivos e a ligação à internet. A tentação das notificações, dos feeds, dos vídeos não só prejudica o teu trabalho como interrompe a tua linha de pensamento e te torna muito menos produtivo.

Por isso, afasta-te do Facebook (e seus semelhantes) e concentra-te na escrita!

4. Define o teu espaço de trabalho

Independentemente do sítio que escolhas, o importante é que o teu cérebro o reconheça como o local de trabalho. Ter um espaço predeterminado para a tarefa de escrever, ajuda-te a organizar e evita distrações. Mantêm à mão tudo o que possas precisar: computador, carregador, folhas, canetas e resiste à tentação da procrastinação.

Ainda assim, muitos escritores gostam de sair e de escrever em lugares inusitados- floresce a inspiração. Cafés, jardins, parques, na varanda, em bibliotecas podem ser boas opções.

Um outro conselho: nem sempre os enredos surgem quando nos sentamos ao computador. A vida quotidiana é uma fonte profícua de inspiração e, por isso, anota num pequeno caderno (ou até no telemóvel) as ideias que pareçam interessantes desenvolveres à posteriori. 

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Foto: VisualHunt

5.Estabelece objetivos

É importante que em cada sessão determines o rumo que queres tomar; assim consegues organizar o teu trabalho.

Ainda assim, por objetivos não se entende nem números de páginas, nem capítulos- nada numérico, no fundo. Foca-te em personagens, ações e designa o teu tempo a elaborar o enredo. Quantidade nunca é o mais importante: por vezes um parágrafo curto é mais trabalhoso, mais denso e um trabalho de maior mestria que um rolo de páginas.

Noutra nota, não te cinjas simplesmente às metas. Devem servir como guias e por isso, não há nada de errado se não as atingires. Dedica-te, e se falhares, tenta de novo.

6.Frequenta cursos de escrita 

Na zona de Lisboa, por exemplo, a Escrever Escrever é uma das opções que oferece diferentes cursos de escrita com diferentes variações: escrita criativa, ficção, de humor, argumentos, poesia, romance (com o escritor João Tordo) empresarial entre outros.

online a oferta é extensa. A nossa sugestão é optares por desafios gratuitos numa primeira fase. Normalmente com a duração de 30 dias, em cada um dele é te sugerido que desenvolvas uma determinada ideia- não tem muito de criativo, mas ajuda-te a criar a desenvoltura na escrita.

Escola de Artista (EC.ON) é também uma opção interessante. Com nomes a leccionar como Afonso Cruz, Gonçalo M. Tavares, José Eduardo Agualusa, Ricardo Araújo Pereira, tem o conveniente da maioria dos cursos serem à distância: é prático e conveniente e ainda tens a hipótese de trabalhar e conhecer de perto muitos dos maiores escritores contemporâneos.

7. Não te auto-critiques demasiado

Provavelmente, o primeiro manuscrito que escreveres não vai ser digno de Prémio Nobel. Muitos escritores experientes e consagrados afirmam que escreveram muito e mal no começo da carreira.

Por isso, o importante é tentares e não desanimares. Não tenhas grandes expetativas, pensa que o treino leva à perfeição e só assim podes conhecer o teu processo de trabalho e a tua linha de escrita.

Por isso, escreve sem filtros, sem auto-examinação. Deixa fluir a tua imaginação e no fim, corriges.

8.Desfruta

Por fim, aproveita. Escrever é um exercício demorado, solitário e que surge de rotinas, de falhanços e de objetivos bem definidos.

Ainda assim, os grandes livros surgem de grandes paixões e de poucas regras. Por isso, persiste e aproveita o tempo a sós com as palavras, com as ideias. E o melhor de ti, virá!

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