Sabem qual é a diferença entre Norbit, filme de 2007 onde Eddie Murphy interpreta os dois papeis principais e que arrecadou três Razzies, e os cinco clássicos de cinema escolhidos para fazer parte desta lista? Norbit arrecadou uma nomeação para um Óscar. Com a chegada da award season é altura de revisitar alguns filmes icónicos que deixaram a sua marca no mundo do cinema, mas que foram completamente ignorados pela Academia.

City Lights (1931)

Charlie Chaplin no seu típico papel de "A Tramp" partilha o balneário com Tom Dempsey e Harry Myers

O primeiro filme desta lista é um clássico, realizado, escrito e interpretado pelo incomparável Charlie Chaplin.

“City Lights” (discutivelmente) o melhor filme da carreira do britânico, apesar de ter laureado pelo público e pela critica quase unanimemente, não recebeu uma única nomeação para a quinta entrega deste prémio. Existem muitas teorias sobre a omissão deste filme, sendo que a principal aponta para o facto de transmitir uma ideologia de esquerda. Outra, refere que foi o facto de ainda ter sido filmado a preto e branco e ser mudo, que fez com que a Academia o pusesse de parte.

The Night of the Hunter (1955)

Robert Mechum encarna o maquiavélico Harry Powel

Robert Mechum encarna o maquiavélico Harry Powel

Um dos mais influentes thrillers da história do cinema em termos realização, levada a cabo pelo na altura estreante Charles Laughton, como também no que se refere à performance individual de atores. O que realmente deixa um sabor amargo na boca é a omissão de Robert Mechum, no papel do intimidante Harry Powell, naquela que se tornou numa das mais memoráveis perfomances da história do cinema pela forma como este se deixa possuir por esta personagem quase demoniaca.

A falta de distinção pela Academia é um dos maiores pecados que esta alguma vez cometeu.

Breathless (1960)

Jean-Paul Belmondo e Jean Seberg, protagonistas deste filme, partilham uma cena mais intima

Jean-Paul Belmondo e Jean Seberg, protagonistas deste filme, partilham uma cena mais intima

Ao observar os vencedores dos prémios ao longo dos anos, é fácil perceber que os filmes prediletos da Academia seguem normalmente um padrão, e este padrão tende a excluir filmes estrangeiros. Poucos são os filmes feitos fora dos Estados Unidos que tem destaque nesta cerimónia, e o mesmo acontece com os atores ou realizadores não-americanos.

O realizador Jean-Luc Godard, um dos mais importantes realizadores da Nouvelle Vague, é dos exemplos mais claros desta tendência. Sendo que nunca foi nomeado para qualquer tipo de Óscar, há excepção de um Óscar honorário que o próprio se recusou a receber em mãos.

Não só este filme, como grande parte dos filmes de Goddard foram ignorados pela Academia. No caso de Breathless, o primeiro e um dos mais aclamados filmes do realizador, nem sequer recebeu uma nomeação para melhor filme estrangeiro, apesar de atualmente ser considerado um dos melhores filmes de sempre.

The Shining (1980)

A inesquécivel interpretação de Jack Nicholson no papel de Jack não mereceu qualquer tipo de reconhecimento por parte da Academia

A inesquécivel interpretação de Jack Nicholson no papel de Jack não mereceu qualquer tipo de reconhecimento por parte da Academia

Stanley Kubrick, um dos mais conceituados realizadores da história do cinema, nunca recebeu muito amor pelos jurados dos Óscares. Ao longo da sua carreira, o visionário realizador foi nomeado 13 vezes, contudo, o único Óscar que venceu foi o de Melhores Efeitos Especiais, com o filme 2001: Odisseia no Espaço.

Quanto a nomeações não diretas ao realizador, há a excepção de Spartacus e de Barry Lyndon (ambos arrecadaram 4 estatuetas douradas). Mesmo assim, os filmes de Kubrick nunca foram muito propensos a vencerem prémios nesta gala.

No caso de Shining, o seu tratamento pode ser considerado insólito. Um dos mais icónicos filmes de terror, que conta com uma das melhores performances oferecidas por Jack Nicholson acabou por não ser nomeado. A ironia máxima, é que para além do filme não ter recebido uma única nomeação para Óscar, recebeu duas para os Razzie, para Pior Realizador e com Shelley Duvall a ser nomeada para Pior Atriz.

The Big Lebowski (1998)

The Big Lebowski não mereceu qualquer tipo de carinho por parte dos grandes prémios de cinema but yeah, well, that's just, like, your opinion, man

The Big Lebowski não mereceu qualquer tipo de carinho por parte dos grandes prémios de cinema but yeah, well, that’s just, like, your opinion, man

O filme mais recente desta lista viu-se excluido de uma das mais controversas edições dos Óscares, que viu Roberto Benigni ser laureado com o Óscar de Melhor Ator e A Paixão de Shakespeare como o melhor filme do ano. O ano de 1999 foi estranho para o cinema.

Ao contrário de alguns dos realizadores anteriormente referidos neste artigo, os irmãos Coen foram bem tratados pela Academia, porém esta comédia que se tornou um filme de culto foi completamente esquecido de quase todos os grandes círculos de prémios de cinema. O único prémio que arrecadou foi o de Melhor Filme Estrangeiro para a associação russa de críticos de cinema.

Apesar de ser compreensível o porque de este filme ficado de fora da corrida para melhor filme. Uma vez que não é algo que não se pode considerar como um filme típico “dos Óscares” dado o seu estilo peculiar de comédia e de narrativa, é imperdoável não ter sido distinguido para melhor argumento original e, claro, a omissão da icónica interpretação de Jeff Bridges no papel de The Dude.