Muitos de nós sabem quem foi o Charles Manson, mas daí até querermos ler uma obra de True Crime pormenorizada para sabermos a suposta verdade atrás dos horrendos assassinatos (hollywoodescos, diga-se de passagem) por si perpetrados, vai uma distância compreensível.

Contudo, vivemos na era de Riverdale, somos filhos d’Os Cinco e se para Edgar Allan Poe a curiosidade matou o gato, Helter Skelter (1974) está disponível nas livrarias e não é o único terror folheável.

Assim sendo, o Espalha-Factos deixa algumas ideias a ter em conta para quem quer começar:

1. As horas

Ler histórias de crimes reais de noite, quando mais metade se passaram depois das 20h, não é uma resolução sábia, mesmo para os estômagos mais fortes. Afinal de contas, estamos a falar de crimes que, de facto aconteceram, de uma maneira ou de outra.

Esta opção pode arruinar os ciclos de sono e causar ansiedade só por causa do barulho da máquina de secar.
Talvez seja mais sensato começar à tarde numa esplanada iluminada e cheia de gente e ver a partir daí…

2. A paranóia do detetive

Não, ninguém está aqui para desmoralizar mas…não. Parece óbvio que foi o Christopher Walken a matar a Natalie Wood? Continua a ler. Há mais provas.

É mais fácil se aceitarmos de uma vez que não vamos ser nós a resolver o caso.

3. A paranóia do detetive (parte II)

Apesar de todos termos palpites sobre crimes da atualidade é, mais uma vez, sensato, deixar que a polícia resolva o assunto e não nos envergonharmos. Também é de salientar que o desaparecimento do comando da sala ou do último pedaço de red velvet do frigorífico não são, exatamente, dignos de investigação criminal.

Não é preciso pôr as culpas no Scooby-Doo nem na Nancy Drew.

4. A patologia

Ler True Crime não faz de ninguém psicopata, nem sociopata. O diagnóstico é muito mais complexo do que o In Cold Blood do Truman Capote na mão.

Podemos simplesmente assumir que a literatura especulativa é muito envolvente e acaba por canalizar os nossos lados mais…lunares.

5. Nunca começar com um podcast

É início do fim. Normalmente, estes casos estão arquivados e, embora isso se saiba de antemão, a necessidade de respostas é uma iminência no ser humano. Mais uma vez há que aceitar que não há mais informações e o problema do podcast é fazer do caso uma coisa muito mais efémera para o ouvinte e tornar-se muito assustador…muito depressa.

6. A paranóia da vítima

Se o telemóvel está a tocar e o número é dos Estados Unidos isso não significa que seja o assassino do Zodíaco. O Black Hood e o Ice Truck Killer não existem sequer e não há vítimas perfeitas. Há vítimas melhores em momentos mais adequados mas quem lê criminalidade real não deve estar em primeiro da lista, sejamos sinceros.

7. Conversa de circunstância

Falar do If I Did It do O.J. Simpson e do Pablo Fenjves como quem fala de limonada pode passar uma mensagem errada sobre sanidade mental. Há que procurar outros tópicos e explicar que se aprecia um bom livro de True Crime.

8. Os livros

Todos os livros mencionados acima (Helter Skelter; If I Did It; In Cold Blood) são fantásticos exemplos do género, embora nem todos se encontrem em português. Acrescenta-se ainda Zodiac de Robert Graysmith como grande referência.
Nos podcasts literários, aconselha-se um dos pioneiros do género, Hollywood & Crime pela Wondery, sendo Charles Manson o principal destaque da primeira temporada.

 

Está na altura de fechar a porta, abrir o livro e desarquivar os casos que nunca ficaram completamente resolvidos. Mas atenção! Olha para o relógio…

LÊ TAMBÉM: FEIRA DO LIVRO INFANTO-JUVENIL DE BOLONHA COM QUATRO ILUSTRADORES PORTUGUESES