A SIC estreia esta segunda (15) a nova novela da noite, O Outro Lado do Paraíso. A trama, produzida pela Globo, entra em ação para substituir A Força do Querer e promete vida difícil para os protagonistas no meio do paraíso que é o estado do Tocantins, no interior brasileiro. 

Apresentada pelo autor, Walcyr Carrasco, como “um folhetim clássico” com temáticas modernas, a história baseia-se no princípio de que, mais cedo ou mais tarde, “a vida se encarrega de dar o troco“.

A novela, que retrata uma história agressiva de vingança e recuperação, ambienta-se no Tocantins, mais especificamente em Palmas e na região do Jalapão. Nos locais escolhidos para a rodagem estão a Ilha do Canela e Praia da Graciosa, no Lago de Palmas, capital do estado, e ainda famosos pontos turísticos como a Ponte da Amizade e da Integração.

No Jalapão, os cenários foram os municípios de Ponte Alta, São Félix e Mateiros, bem como a Pedra Furada e o Cânion de Sussuapara. Os campos de capim dourado, dentro do Parque Estadual do Jalapão, foram usados para gravar sequências que retratam o processo de colheita deste tipo de vegetação.

Para o realizador Mauro Mendonça Filho, a escolha deste tipo de localizações foi essencial para compor a linguagem estética de O Outro Lado do Paraíso“Tentámos explorar da melhor forma possível a fotografia incrível destes lugares únicos. O Jalapão tem um dos pores do sol mais lindos que já vi”, reforçou Mauro.

Um amor de descer aos infernos

Clara (Bianca Bin) é a protagonista. Tem uma vida tranquila e simples na região paradisíaca do Jalapão com o avô Josafá (Lima Duarte). A mudança no seu destino dá-se quando conhece Gael (Sérgio Guizé), herdeiro de uma família de Palmas, que passa uns dias de férias na região. A atração entre os dois é imediata e ela, sem dúvidas do que sente, entrega-se a uma paixão “que a levará do Céu ao Inferno“.

Além de ter de lidar com a agressividade de Gael, a heroína de O Outro Lado do Paraíso terá ainda de enfrentar o maior obstáculo para ser feliz, a sogra Sophia (Marieta Severo). A matriarca quer acabar com os planos de casamento do filho, até descobrir que há esmeraldas nas propriedades de Clara. A partir daí, vê nela uma oportunidade para salvar a família da decadência e tenta forçar, sem conhecer limites, a nora a permitir a exploração do local.

E, para isso, acaba por tirar Clara do caminho e consegue interná-la numa clínica psiquiátrica numa ilha. Esta mulher procura agora perceber, todos os dias, porque é que está ali. Até que entende que foi vítima de um grande golpe. Planeia voltar para resgatar o que é seu e, acima de tudo, o filho Tomaz (Vitor Figueiredo), vingando-se dos que a fizeram sofrer durante anos. A sua única saída será Beatriz (Nathalia Timberg), uma senhora internada na ilha, há tempos esquecida pela família, que guarda um valioso segredo.

Temáticas fraturantes numa história típica

Perante um enredo que é muito clássico na dramaturgia, o fator diferencial da história de Carrasco está, precisamente, nos temas da atualidade que acaba por inserir ao longo do enredo.

O racismo surge através da personagem de Érika Januza, empregada doméstica que se apaixona pelo filho dos patrões. A violência doméstica é sofrida pela própria protagonista. E a homofobia surge através da trama de Samuel (Eriberto Leão), um homofóbico que na verdade é alguém com dificuldades em aceitar a própria homossexualidade.

Estela, uma anã, entra na história para representar o que é vivido pelas pessoas que sofrem de nanismo. A personagem, interpretada por Juliana Caldas, sofre rejeição por parte da mãe, Sophia, que tem vergonha da filha e faz tudo para escondê-la, inclusivamente prendendo-a na própria casa.

Em entrevista citada pelo site Teledramaturgia, o autor de O Outro Lado do Paraíso explica o motivo para ter incluído uma anã na história: “Resolvi colocar uma personagem anã na novela, mas não é para rir. É para mostrar os sentimentos dela, a dificuldade dela até para ir a um restaurante. Porque eles chegam a um restaurante e às vezes nem sequer conseguem usar a casa de banho. O mundo não está preparado para integrar estas pessoas. É isso que eu quero mostrar.

A abordagem deste tipo de temáticas tem sido um dos motivos para o sucesso da telenovela, que conquista até agora uma média de 34% de audiência e 60% de share no principal mercado televisivo, a cidade de São Paulo. É o maior sucesso da Rede Globo desde 2013.

Em Portugal, vai suceder à telenovela A Força do Querer, que tem mantido a liderança das audiências no late-night da SIC. Durante as primeiras semanas serão emitidas em simultâneo. O Outro Lado do Paraíso às 23h30 e A Força do Querer às 00h20.