O Arquivo Digital Colaborativo do Livro do Desassossegoum acervo digital que permite consultar os documentos originais e comparar as versões impressas da obra-prima de Fernando Pessoa, é apresentado esta quinta-feira (11), no Auditório da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), em Lisboa.

Disponível online desde dezembro de 2017, o Arquivo Digital Colaborativo do Livro do Desassossego de Fernando Pessoa, ou Arquivo LdoD, é um projeto sem precedentes entre os arquivos digitais dedicados aos grandes nomes da literatura mundial.

Financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pela União Europeia (UE), o projeto começou a ser desenvolvido em 2012 por uma equipa de investigadores do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra (CLP) e do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Investigação e Desenvolvimento em Lisboa (INESC-ID).

Seis anos depois, foi criado um arquivo digital que contém não só todos os documentos autógrafos atribuíveis ao Livro do Desassossego e as versões impressas em revistas ainda em vida do autor, mas também transcrições de quatro edições póstumas, propostas por Jacinto do Prado Coelho (1982), Teresa Sobral Cunha (1990-1991), Richard Zenith (1998) e Jerónimo Pizarro (2010).

Para além de permitir consultar e comparar centenas de fragmentos, o Arquivo LdoD está ainda a desenvolver a possibilidade de escrita de variações com base nos mesmos. Todos os contributos serão registados e apresentados na plataforma interativa.

A apresentação do arquivo terá lugar no Auditório da BNP, pelas 18h, e contará com a presença de Manuel Portela, criador e coordenador do projeto, e António Rito Silva, responsável pela arquitetura do sistema de software.

O Livro do Desassossego pessoano

Quando morreu, em 1935, Fernando Pessoa deixou milhares de textos inéditos no fundo da sua arca, entre os quais o Livro do Desassossego. Escrito entre 1913 e 1934, o livro é um retrato da cidade de Lisboa e do seu retratista, composto por mais de 500 fragmentos, distribuídos por diversos documentos manuscritos, dactilografados ou impressos.

A primeira edição póstuma do livro foi organizada por Jacinto do Prado Coelho e publicada em 1982, pela editora Ática. Tratando-se de uma obra dispersa por uma vasta rede de escritos, outros autores se tem dedicado a recuperar a obra-prima fragmentária pessoana, o que resultou na publicação de várias edições ao longo dos anos.

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