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Time’s up: Hollywood veste-se de preto e leva ativismo para a passadeira vermelha

Nunca a passadeira vermelha dos Globos de Ouro foi tão homogénea. Na 75ª edição, que aconteceu no domingo (7), o preto foi a cor predominante na indumentária da elite de Hollywood. A iniciativa foi o resultado de uma onda de solidariedade para com o movimento Time’s up. Os grandes nomes da industria cinematográfica tomaram assim uma posição em relação aos escândalos sexuais que agitaram Hollywood nos últimos meses.

Meryl Streep, Oprah Winfrey, Sarah Jessica Parker, Viola Davis, Reese Witherspoon e Amy Poehler são apenas algumas das atrizes que usaram preto nesta noite. Mas não foram só mulheres a protestar. Também vários honems, como Tom Hanks, Sterling K. Brown, Daniel Kaluuya e William H. Macy, vestiram fatos pretos e exibiram pins alusivos ao movimento.

O que é o Time’s up?

Em outubro de 2017, o The New York Times e The New Yorker publicaram um conjunto de acusações contra Harvey Weinstein. Os artigos revelaram uma série de alegações de assédio sexual, algumas delas silenciadas durante três décadas. Em consequência, o produtor foi afastado do estúdio que tinha fundado com o irmão e enfrenta agora vários processos judiciais.

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Este caso despoletou uma onda de denúncias conhecida como o “Efeito de Weinstein”. Centenas de mulheres vieram a público revelar situações de assédio sexual de que tinham sido vítimas por homens em posição de poder. A maioria das histórias tinham uma coisa em comum: a balança desequilibrada do poder tinha silenciado as vítimas por temerem pelas suas carreiras.

O “Efeito de Weinstein” começou na indústria cinematográfica, mas alargou-se rapidamente a outros setores. A Time mantém uma lista atualizada de todos os casos envolvendo nomes famosos que surgiram desde o caso Weinstein. A lista que conta atualmente com 113 nomes e  inclui atores, produtores, músicos e políticos.

Foi neste contexto que surgiu o movimento Time’s up, um fundo de defesa legal que pretende ajudar vítimas de assédio sexual a perseguirem ação judicial. Sob o lema “O relógio acabou para a agressão sexual, assédio e desigualdade no local de trabalho. É tempo de fazer qualquer coisa em relação a isto”, o movimento pretende lutar contra a descriminação e violência baseada no género.

No site oficial está disponível uma carta de 1 de janeiro de 2018, intitulada “Queridas irmãs”, onde é demonstrada solidariedade por todas as vítimas.

Nesta carta, as mulheres da indústria cinematográfica reconhecem que se encontram numa posição privilegiada para chamarem atenção para o tema e assumem assim procurar justiça para todas as mulheres em todas as indústrias. Esta carta foi originalmente assinada por mais de 300 mulheres ligadas ao cinema, televisão e teatro.

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A carta, assim como outras imagens alusivas ao movimento, tem sido repetidamente partilhada nas redes sociais sob a hashtag #timesup. Esta foi a forma de explicar aos fãs a escolha do preto na gala dos Golden Globes.

O assédio sexual e a desigualdade de género foram temas centrais durante toda a cerimónia, sendo referidos em vários discursos.

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