A FX Networks fez a pesquisa e os resultados são agora conhecidos. O número de séries de guião original disponíveis em vários serviços de transmissão teve um aumento de 30% no ano passado. A era da Peak TV continua.

Muitos, muitos, muitos (mesmo muitos) programas originais produzidos na televisão norte-americana. É assim – resumidamente – a era da Peak TV, segundo John Landgraf, chefe executivo da FX.

Em 2012 eram 288. Em 2016, o número escalou até aos 455 e, um ano depois, chegou ao pico. 487 foi o “número de ouro” de 2017.

Porém, pelo segundo ano consecutivo, foi observada uma tendência menos positiva na televisão por cabo básico. Em 2017, o número de programas originais nesta categoria sofreu um decréscimo de 4%. Foi durante a tour de imprensa da Associação dos Críticos Televisivos, em Pasadena, que estes resultados foram divulgados.

Nas plataformas de streaming como Netflix, Hulu ou Amazon Prime, a quantidade de séries originais cresceu 30% em 2017, segundo a FX. Na TV tradicional, a percentagem de crescimento ficou-se pelos 7%.

Parece que Hollywood não quer que deixemos o vício de devorar séries. E por “devorar” quero dizer algo como ver as sete temporadas de Game of Thrones em 30 dias (não fui eu, foi uma amiga).

Apesar de, aparentemente, serem números animadores, Landgraf lamenta os desafios que hoje se enfrentam no que toca à criatividade – ou falta dela – e à “pressão” colocada nos espectadores e críticos. É que são tantos programas originais, que se torna difícil escolher e elaborar críticas construtivas para cada um deles.

Além disso, o chefe executivo da FX partilhou a sua visão relativamente ao papel da internet e novas tecnologias: “As tecnologias da informação e a internet estão a transformar rapidamente quase todos os aspetos da nossa vida: alguns para melhor, outros para pior“. “Estamos muito mais ligados de forma superficial e muito mais isolados de forma profunda. A cultura da internet elevou as vozes de muitas pessoas que merecem ser ouvidas mas também de outras que não têm nada importante a dizer“, justificou.

John Landgraf tem sido semianualmente reconhecido como o “mayor da televisão” (título não oficial) durante as tours da Associação dos Críticos Televisivos.