Black Mirror

‘Black Mirror’: o melhor e o pior da 4.ª temporada – episódio a episódio

Não restam dúvidas de que Black Mirror tem sido um dos maiores fenómenos televisivos dos últimos anos. Criada por Charlie Brooker para o Channel 4 em 2011, a série está há duas temporadas na Netflix.

O enredo explora diferentes realidades, nas quais as relações humanas são comprometidas pelo perigoso avanço tecnológico – realidades essas que, segundo o próprio Brooker, podem não estar assim tão distantes.

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No dia 29 de dezembro, a Netflix estreou a quarta temporada da série, composta por seis poderosíssimos episódios que, no geral, mantiveram a elevada fasquia que havia sido criada até agora – alguns deles até a superaram. Deixamos-te aqui uma retrospetiva sem spoilers desta nova temporada.

#1 USS CallisterBlack Mirror

O protagonista, interpretado por Jesse Plemons, é o criador de um jogo de realidade virtual intitulado Infinity. No trabalho (e fora dele), a sua vida é miserável: o homem é solitário e negligenciado. Dentro do jogo, contudo, ele é o patrão opressivo e até violento que controla uma série de cópias digitais de alguns dos seus colegas como forma de vingança.

O episódio foi um começo fenomenal e até fora do comum para a quarta temporada. Usando ligeiros elementos de comédia e uma pesada carga de efeitos especiais, assemelha-se a uma paródia de Star Trek e sublinha tópicos importantes que assaltaram o mundo em 2017, tais como abuso de poder e assédio sexual. É também o episódio mais longo da temporada.

#2 ArkangelBlack Mirror

Após perder temporariamente a sua pequena filha no parque local, uma mãe (Rosemarie DeWitt) decide instalar um dispositivo na mesma, que lhe permite aceder a uma série de informações: a localização da filha, os seus níveis de saúde, o que ela está a ver, entre outras. Quando a filha se torna adolescente contudo, este controlo ganha proporções perigosas.

O tema do episódio é óbvio: controlo parental abusivo e até invasivo. Desta forma, o final acaba por ser um pouco previsível. Contudo, esta hora consegue salvar-se pelo grande foco no ambiente familiar e em duas personagens femininas, algo que raramente vimos até agora na série.

#3 CrocodileBlack Mirror

A jovem Mia (Andrea Riseborough) ajuda o namorado a esconder o corpo de uma vítima após um acidente de viação. Anos mais tarde, a protagonista tem novo marido, um pequeno filho e uma carreira de sucesso. Quando o ex-namorado regressa para a assombrar, ela decide matá-lo de modo a proteger a sua família e reputação. Do outro lado da cidade, uma agente de seguros (Kiran Sonia Sawar) utiliza uma máquina capaz de reproduzir memórias de modo a investigar os seus casos, um deles levando-a até Mia e à noite trágica do homicídio.

Este é um típico episódio de Black Mirror: quando a tecnologia se torna invasiva e ameaça comprometer o nosso bem estar, até que ponto estamos dispostos a ir para proteger aqueles que amamos? O episódio foi levado ao extremo, com violência chocante e até desnecessária, ganhando em grande parte pelo cenário (filmado na Islândia) e pela prestação de Riseborough.

#4 Hang the DJBlack Mirror

Dois jovens, interpretados por Georgina Campbell e Joe Cole, decidem experimentar uma nova aplicação de encontros românticos, a qual lhes diz quanto tempo irá durar a sua relação. O objetivo é que os interessados passem por uma série de relações até encontrarem o seu par ideal. Após perceberem que o tempo que lhes é atribuído não é suficiente, o casal decide revoltar-se contra o sistema.

À semelhança de San Junipero, o mais aclamado episódio da temporada anterior que chegou até a ganhar um Emmy, esta hora foca-se numa temática amorosa, tendo, do início ao fim, um tom marcado pela esperança. Como aconteceu em San Junipero, este episódio mostra como o amor é a solução perfeita para quebrar regras e derrubar barreiras, sendo considerado por muitos o melhor episódio da temporada.

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#5 Metalhead

Black Mirror

A protagonista (Maxine Peake) desloca-se a um armazém de modo a conseguir alguns objetos de valor para a família que a espera em casa. O armazém, contudo, é controlado pelos chamados “cães”, equipamentos tecnológicos altamente inteligentes que não descansam até matar qualquer humano que se atravesse no seu caminho.

A premissa é óbvia e em linha com o objetivo da série: quando a tecnologia ultrapassa o próprio Homem e sai fora do seu controlo, são as próprias vidas das pessoas que ficam em risco. No entanto, o episódio fica-se por aqui e peca pela falta de restante conteúdo. De onde surgiram os cães? Porque querem eles matar humanos? Provavelmente, o mais fraco episódio de toda a temporada.

#6 Black MuseumBlack Mirror

Rolo Haynes (Douglas Hodge) é o proprietário do chamado ‘Black Museum’, o qual é composto por uma série de artefactos tecnologicamente avançados, criados pelo próprio Haynes e que acabaram por, de uma maneira ou de outra, arruinar a vida de certas pessoas. O museu recebe uma única visitante, Nish (Letitia Wright), a qual revela estar mais envolvida na história do museu do que inicialmente aparenta.

Uma antologia dentro de uma antologia, o episódio inclui três mini histórias, as quais brincam com o potencial da mente humana e até que ponto esta pode ser ameaçada pelo avanço tecnológico. O melhor, contudo, está na ligação de Nish às histórias que são a ser contadas e ao modo como ela encerra o episódio (e a temporada) de uma forma absolutamente triunfal. Pessoalmente, o meu episódio favorito.

NOTA DA TEMPORADA: 8.5/10

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