Ninguém pode acusar 2017 de ser um ano maçador. Da ascensão de Donald Trump ao poder à exposição de Harvey Weinstein, o ano que agora termina foi pródigo em escândalos políticos e sexuais e crises humanitárias sem fim à vista. Mas não só. O Espalha-Factos procurou fazer um balanço dos últimos 12 meses e reuniu o melhor e o pior da cultura em 2017.

Com inúmeros concertos, exposições e lançamentos em Portugal e no mundo, 2017 ficará como o ano em que a Cultura não só proporcionou alívio espiritual em tempos mais difíceis, mas também desempenhou um papel fundamental na construção do mundo de amanhã.

Recorda os principais temas que marcaram, pela positiva ou pela negativa, o ano na área da Cultura.

2017 em revista: o melhor e o pior da Cultura

Ana Teresa Pereira torna-se na primeira mulher a vencer o prémio literário Oceanos

O romance Karen, de Ana Teresa Pereira, foi o grande vencedor do prémio literário Oceanos, organizado anualmente pelo instituto brasileiro Itaú Cultural. A escritora madeirense tornou-se, assim, na primeira mulher, em 15 anos, a conquistar um dos principais prémios de literatura em língua portuguesa, num país onde ainda não tem nenhum livro publicado.

A repercussão de um romance do século passado

O romance A História de Uma Serva, da autora canadiana Margaret Atwood, foi publicado pela primeira vez em 1985. O livro retrata uma sociedade americana que, na sequência de uma revolução teocrática, obriga as mulheres férteis, ou Servas, a conceber filhos para a elite estéril.

A visão distópica de Atwood foi adaptada para o pequeno ecrã por Bruce Miller. A série de televisão contém dez episódios e começou a ser transmitida a 26 de abril na plataforma de streaming Hulu.

Aclamada pela crítica, a adaptação televisiva de A História de Uma Serva não só venceu cinco prémios Emmy, mas também levou a que as mulheres usassem as vestes das Servas nos tribunais e, mais tarde, no Capitólio dos Estados Unidos, como forma de protesto relativo ao aborto e aos direitos das mulheres.

Quadro de Leonardo Da Vinci bate recorde em leilão

O quadro Salvator Mundi, do génio renascentista Leonardo Da Vinci, foi vendido por 450 milhões de dólares (380 milhões de euros), num leilão promovido em novembro, em Nova Iorque (EUA), pela Christie’s. O retrato de Jesus Cristo a segurar um globo de cristal é a obra de arte mais cara adquirida em leilão.

Movimento The Silence Breakers distinguido como Personalidade do Ano pela revista Times

O anúncio de Person of The Year da revista americana Times é o momento mais aguardado todos os anos. Este ano, a publicação destacou o movimento The Silence Breakers, isto é, vítimas de assédio e/ou abuso sexual que quebraram o silêncio e partilharam as suas histórias pessoais. A hashtag #metoo que acompanhou o movimento coletivo de denúncias nas redes sociais suscitou um debate sobre o contrato social entre os sexos.

O fogo no Convento de Cristo em Tomar

O Convento de Cristo, monumento classificado como Património da Humanidade localizado em Tomar, marcou a agenda nos meses mais quentes do ano. O espaço, cedido para a rodagem do filme O Homem que Matou D. Quixote, de Terry Gilliam, teria sofrido danos provocados por uma fogueira nos claustros. O sucedido, alvo de controvérsias, deu origem a uma investigação.

Quando a arte vai à falência

De cinco em cinco anos, Kassel, na Alemanha, abre portas para acolher documenta, a maior e a mais importante exposição internacional de arte contemporânea. Conhecida também como um museu de 100 dias, a 14.ª edição do evento decorreu de 10 de junho a 17 de setembro, sob a curadoria do diretor artístico Adam Szymczyk.

Para além da exposição de obras de artistas de todo o mundo em locais chave da cidade, no programa de documenta constam também palestras, passeios, seminários, entre outros.

Este ano, pela primeira vez na história, a exposição estendeu-se também à cidade de Atenas, na Grécia. No entanto, a realização de documenta na capital grega implicou um investimento em sete milhões de euros superior ao valor previsto no orçamento e a empresa-mãe deparou-se com uma falência iminente.

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