Depois de termos escolhido quais eram os discos internacionais do ano, é tempo de revermos quais os discos nacionais que se destacaram em 2017.

Panoramix, Madrepaz, janeiro

Os Madrepaz estreiam-se nos álbuns em grande estilo. Panoramix tem uma sonoridade muito fresca, com um pop rock psicadélico muito próprio. Os estilos instrumentais são coerentes (o álbum chega a fazer ligação orgânica entre cada uma das músicas), mas cada canção tem o seu cunho único. As vozes de Pedro da Rosa e Ricardo Amaral são um óptimo complemento uma da outra, misturando-se como se fossem uma só. – AR

Luís Severo, Luís Severo, março

Luís Severo (álbum e músico) tem uma certa magia que prende e pede atenção durante a sua duração. Duração que é ao mesmo tempo um curto concentrado perfeito mas que deixa a desejar que fosse mais comprido. Repleto de uma simplicidade maravilhosa e com um pequeno toque de inocência, este álbum homónimo de Severo tem um espírito íntimo que faz parecer que o músico está à nossa frente de guitarra na mão a cantar só para nós. – AR

Pontos nos Is, Quatro e Meia, junho

Os Quatro e Meia aparecem num seguimento de bandas que pegam na música tradicional portuguesa e lhe dão um twist moderno. Cresceram muito no último ano e Pontos nos Is é a confirmação da qualidade do grupo. Têm como trunfo uma mão cheia de instrumentos menos usuais (como, por exemplo, o acordeão e o bandolim), que deixam as músicas agradavelmente cheias. Canções de sorriso no rosto e com ar de festa, pedem para bater o pé. – AR

The Art of Slowing Down, Slow J, março

Se já nos andava a convencer de que merecia ser ouvido, foi, definitivamente, este álbum que levou Slow J aos ouvidos de todo o país. Se alguns são mais adeptos de Serenata, outros são mais induzidos por uma Vida Boa. A verdade é que esta produção de João Coelho é Arte pura, que vem marcar outro período da história do hip hop em Portugal, com uma veia crítica ainda bem presente. – BP

Primeira Dama, Primeira Dama, maio

Manel Lourenço tem na verve todo o seu talento. Não que o rapaz de Histórias por Contar não se safe também no sintetizador que conduz as suas palavras e até na guitarra que as distorce mas é nos poemas à(s) menina(s) que a sua música ganha todo o significado. Mais cinco pontos para a Xita Records. – AS

Antwerpen, Surma, setembro

Débora Umbelino já vinha a prometer. Com os EPs lançados com o selo da leiriense Omnichord Records a one girl band junta as batidas da eletrónica com a sujidade da guitarra em sons ora delicodoces ora rudes que convocam para várias paisagens (mentais e sonoras). – AS

Orelha Negra, Orelha Negra, setembro

Samuel Mira, Francisco Rebelo, DJ Cruzfader, Fred Ferreira e João Gomes vêm provando, desde que formaram o coletivo Orelha Negra, que a música instrumental carregada de referências (muitas delas pessoas, supomos) tem um lugar nos ouvidos dos portugueses. Ao terceiro registo, e nos concertos em que o apresentaram, mostram como são uma lufada de ar fresquíssimo e cheio de groove. – AS
Escolhas de Ana Rosário, Bárbara Pereira e Alexandra Silva