Espalha-Factos elege os 10 melhores filmes do ano

Com o final do ano, chegam as listas dos melhores discos, melhores livros e melhores séries que 2017 nos deu. O cinema não escapa desta onda de balanços finais e os últimos dias de dezembro são sempre marcados pelas inúmeras listas dos melhores filmes do ano.

O Espalha-Factos reuniu-se, como já é tradição, para elaborar a sua própria lista. A equipa de Cinema discutiu quais os melhores filmes estreados em solo português e o resultado é o top 10 que hoje apresentamos. De salientar ainda que muitos bons filmes, maioritariamente independentes, estreados em festivais este ano, não puderam figurar nesta lista, pois ainda não tiveram direito a uma estreia comercial em sala.

Quem participou: Adriano Ferreira, Carlos Francisco Bonifácio, Diogo Simão, Gonçalo Borges, Gonçalo Silva, Hugo Geada, Matilde Castro, Pedro Rodrigues, Ricardo Rodrigues, Rita Inácio, Rodrigo Umbelino e Rui Pereira.

Sem mais demoras, aqui estão os 10 melhores filmes do ano para o Espalha-Factos.

10 – Baby Driver – Alta Velocidade

“Edgar Wright é um realizador que, fora a desventura com O Homem-Formiga, tem conseguido manter o “seu cinema” afastado dos grandes estúdios: e isso nunca foi mais notório do que em Baby Driver – Alta Velocidade. Rápida, colorida e com ação coreografada (literalmente) ao milímetro este é, certamente, o seu melhor trabalho a um nível técnico. Adicionando comédia, bad-assery e um toque muito genuíno de preocupação e sentimentalidade a cada uma das suas personagens, este é, indubitavelmente, um dos melhores filmes do ano.”

Diogo Simão

9 – Blade Runner 2049

“O filme mais recente de Denis Villeneuve é uma das mais poderosas histórias de ficção científica dos últimos anos. E isso já é muito impressionante quando se tem em consideração a qualidade que filmes deste género têm tido. Blade Runner 2049 é um triunfo visual que reflete sobre a extensão da humanidade. Que nos faz questionar o que realmente faz um indivíduo ser humano. Será melhor do que o clássico de 1982? Provavelmente não. Mas o facto de ser comparável a um dos melhores filmes de ficção científica de sempre é prova suficiente da qualidade desta sequela.”
Adriano Ferreira

8 – mãe!

“Ancorado na mais corajosa performance de Jennifer Lawrence, a trilhar a mais violenta das jornadas emocionais, mãe! é um feito cinematográfico sem paralelo, a derradeira magnum opus de Darren Aronofsky. A descida mais insana ao apocalipse da moral, um ensaio grotesco sobre religião, egomania, fanatismo e misoginia, qual pesadelo a implorar pela mais exacerbada comoção. Selvagem teste à condição humana, eis a rara provação que se eleva além da controvérsia, um assalto aos sentidos do qual ninguém sai incólume. Houve grandes filmes em 2017, lá isso houve, mas daqui a 20 anos, é deste que ainda vamos estar a falar.”
Gonçalo Silva

7 – O Quadrado

“Ruben Östlund parte de uma simples premissa. Um curador de um museu de arte contemporânea recebe uma instalação, o Quadrado: “um santuário de confiança e solidariedade, dentro do qual partilhamos os mesmos direitos e obrigações”. Simultaneamente, o seu telemóvel é roubado e uma série de peripécias revelam a verdadeira natureza do homem idealista que parecia ser. O Quadrado é uma sátira acutilante, que aponta um foco de lucidez, numa sociedade elitista e de aparências.”
Gonçalo Borges 

6 – Logan

“Logan marca a despedida de Hugh Jackman da saga X-men, e resulta na película mais pessoal e humana de toda a série. Esta é a história de um homem que se apercebe agora da sua, outrora longínqua, mortalidade e que, longe das estridências e superficialidades em que a saga muitas vezes caiu, se eleva pela sua coragem. Mangold edifica um filme de sci-fi que se preza não só pela sua crua visão de um presente nostálgico, mas pela sua mensagem final de esperança, que passados 17 anos faz jus à visão de Xavier, e se foca verdadeiramente nas crianças.”
Carlos Francisco Bonifácio

5 – Dunkirk

“Com Dunkirk, Nolan libertou-se de todas as convenções: é um retrato da derrota, não conta com nenhum herói e a sobrevivência é o único objetivo. Mais do que um filme sobre a guerra, Dunkirk é um filme sobre estar em guerra, sem embelezamentos nem pretensões. O protagonista coletivo e a narrativa não linear dão ao filme um ritmo intenso que nos mantem colados ao ecrã até ao último minuto. O diálogo escasseia, mas nem por isso o filme se torna mais silencioso: da fotografia à banda sonora, Dunkirk fala por si.”
Matilde Castro

4 – Good Time

“Após Heaven Knows What, de 2014, os Irmãos Safdie regressaram este ano com Good Time, longa-metragem que conta com Robert Pattinson no papel principal. Temos aqui a cidade de Nova Iorque vista com novos olhos, o filme de fuga ou perseguição filmado de uma nova forma, a modernização do típico criminoso americano. Caótico, frenético, intenso, mas extremamente meticuloso e organizado. Torna-se assim impossível ficar indiferente ao mundo que os Safdies conseguiram criar neste filme que marca a melhor performance da carreira de Pattinson.”

Rui Pereira

3 – La La Land – Melodia do Amor

“O grande rival de Moonlight foi mesmo o musical de Damien Chazelle, que pôs toda a gente a cantar, a dançar e a sonhar em todas as estações. A história é simples: um pianista de jazz (Ryan Gosling) e uma aspirante a atriz (Emma Stone) conhecem-se e apaixonam-se. Mas entre o amor há sonhos e obstáculos. La La Land – Melodia do Amor conquistou seis Óscares incluindo para Melhor Realizador e Melhor Atriz. As opiniões divergem mas o certo é ninguém lhe ficou indiferente. “

Rita Inácio

“Uma declaração de amor de ChazelleJustin Hurwitz ao cinema, uma homenagem àqueles que ousam sonhar; aos tolos, poetas, pintores e artistas. Um relembrar aos quebrados e aos desistentes que a vida, tal como o cinema e a música, é mágica e que os nossos únicos limites são aqueles que impomos a nós próprios.”

Ricardo Rodrigues

2 – Moonlight

“Temos em Moonlight o justo vencedor do Óscar de Melhor Filme de 2017. Quase nada falha no filme de Barry Jenkins, fortemente – e, pode-se mesmo dizer, unicamente – focado na exploração e aprofundamento da personagem de Chiron, que procura a sua identidade e lugar no mundo ao longo de todo o filme. Não existem aqui efeitos especiais, twists ou algo de semelhante – há, sim, um cuidado extremo na composição de cada plano e uma atenção detalhada na organização de cada diálogo. O resultado? Um dos filmes mais belos a estrear em Portugal este ano.”

Rui Pereira

“Depois de trocas e baldrocas com o tão aguardado envelope que anunciava o grande vencedor, Moonlight foi considerado pela Academia como o Melhor Filme do ano não podendo, por isso, ficar fora desta lista. A segunda longa-metragem de Barry Jenkins acompanha o percurso de um jovem afro-americano, desde a infância até à idade adulta, num bairro problemático de Miami enquanto descobre a sua homossexualidade e luta contra o preconceito. No elenco destaca-se Mahershala Ali que ganhou o Óscar de Melhor Ator Secundário.”

Rita Inácio

1 – Manchester by the Sea

“Realizado por Kenneth Lonergan, Manchester by the Sea é o drama vencedor de dois Oscars da Academia, incluindo o de Melhor Ator Principal (atribuído a Casey Affleck) e o de Melhor Argumento Original (atribuído a Lonergan). O filme retrata a história de Lee Chandler, um indivíduo que é forçado a regressar à sua terra natal para tomar conta do seu sobrinho após a morte do irmão. Este retorno é marcado pelas reminiscências nostálgicas de Lee, ao enfrentar as razões que o levaram a distanciar-se de Manchester, da sua família e do seu passado. Protagonizado por Casey Affleck, Michelle Williams, Kyle Chandler, Manchester by the Sea tornou-se assim um dos grandes vencedores da award season de 2017.”

Rodrigo Umbelino

“Kenneth Lonergan apresenta em Manchester by the Sea um argumento magistral produzido com um prazer melancólico, expressivo, mas acima de tudo bastante realista. Uma obra genial do cinema independente norte-americano maravilhosamente atuada: Casey Affleck é aqui notável com uma verdadeira reflexão de raiva, tristeza e pura vulnerabilidade; uma representação exímia de uma vida sem fim de frustrações estéreis e profundo sofrimento.”

Pedro Rodrigues

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