O que comem os “alfacinhas” e os “tripeiros” no Natal?

Como é celebrado o Natal pelas duas cidades mais conhecidas de Portugal? O que se come pelo Norte e Centro nesta época especial? O Espalha-Factos investigou um pouco e neste Lisboa vs Porto descobrimos alguns pratos que é costume os “alfacinhas” e os “tripeiros” comerem na época natalícia.

Natal pela Cidade das Sete Colinas

Lisboa foi um território que nunca teve uma gastronomia 100% própria, tendo sido influência ao longo da sua história, pelos migrantes que nela habitavam, vindos de outras partes do país. Como tal, falar de uma “tradição” gastronómica na capital, é falar de ir beber a diferentes influências e tentar ao máximo uma homogeneização.

Na noite de 24 come-se o Bacalhau “com todos”. Saber caracterizar esses “todos”, vai sempre variar de casa para casa, de família para família. Se em alguns casos o bacalhau, demolhado e cozido é acompanhado por batata, couve portuguesa e ovo, noutros, a couve é substituída por grão. Tradicional sim, é a cama generosa de azeite em que se deposita o bacalhau e o hábito de molhar o pão nesse azeite.

Já no dia de Natal, almoça-se peru assado no forno. Temos a crer que esta possa ser um prato de influência anglo-saxónica, uma vez que esta é a refeição escolhida para o Dia de Acção de Graças ou Thanksgiving Day. Acompanham-no, regra geral, batatas no forno.

As sobremesas variam, mas destacamos o bolo-rei, a lampreia de ovos e as azevias. No caso do bolo-rei, a receita parece simples e eficaz: uma massa de bolo complementada com frutas cristalizadas. Não sabemos ao certo porque é que este bolo se chama de rei, mas acreditamos que é uma ofensa para outros bolos, de melhor qualidade. O mais famoso da capital, encontra-se na Confeitaria Nacional e recomendamos que o compres com antecedência, pois este símbolo icónico da cidade de Lisboa, também é conhecido pelas suas enormes filas durante a quadra natalícia.

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Já a lampreia de ovos é o chamado doce “impróprio para diabéticos”. A sobremesa, que tem a forma de uma lampreia, leva nada mais, nada menos que 40 gemas no total. É considerada um doce conventual e a sua origem remonta ao século XV, quando o açúcar começou a dar entrada na gastronomia dos conventos.

Como referimos anteriormente, as influências regionalistas na gastronomia alfacinha são bastantes e a prova disso são as Azevias. Este doce, típico do Alentejo, foi trazido durante as vagas de migração no século XX e destaca-se pelo ingrediente com que é recheado e que depois lhe dá a terminação. Existem, por exemplo, azevias de grão, de chila, de batata ou variantes, como batata-doce.

Pelo Norte

O Natal é vivido com uma enorme intensidade no Porto e no Norte de Portugal, regiões repletas de tradição e história que viaja, muitas vezes, de geração em geração. É habitual as receitas de família serem passadas dos avós ou pais para os netos e assim sucessivamente, nunca se perdendo o “toque especial” da avó naquelas rabanadas que tanto gostamos.

Aqui deixamos-te alguns dos pratos típicos de várias zonas a Norte de Portugal.

Lê também: BOLO-REI DE QUEIJO E PRESUNTO É A INOVAÇÃO DESTE NATAL

Noite de Natal

Arroz de Polvo

Foto: O meu Tempero

Sabias que um dos pratos típicos do Minho na noite de Consoada é o arroz de polvo? Inicialmente uma tradição muito cingida à região, cada vez mais pessoas por todas as casas do Norte de Portugal adotaram esta tradição (especialmente para aqueles que não são grandes fãs de bacalhau cozido).

Receita:

Em primeiro lugar coze-se o polvo em água com um pouco de sal. Assim que estiver cozido, corta-se aos pedaços e reserva-se. Depois, faz-se um refogado com a cebola e azeite, junta-se a água onde se cozeu o polvo e o próprio polvo anteriormente cortado. Quando ferver, junta-se o arroz e deixa-se cozer até estar pronto.

Dia de Natal

Roupa Velha
Foto: Viajar, Comer e & Divertir-se

No dia 25 de dezembro, em regiões como a Beira Alta, o prato tradicional do almoço é a Roupa Velha.  É um prato preparado com as sobras da noite anterior e é muito popular no Norte de Portugal.

Cabrito e Frango Assado
Foto: TripAdvisor

Ao contrário do que se faz no Sul do país, cozinha-se também para o almoço a carne de cabrito ou borrego na maioria das regiões do norte de Portugal. Também o frango assado caseiro é um dos pratos eleitos para regiões como Arouca, onde esta iguaria é muito apreciada e requisitada.

Receita:

Tempera-se de véspera em vinha de alhos as carnes para o dia seguinte. No dia 25, põem-se as carnes na assadeira com as batatas e mete-se ao forno por aproximadamente 1 a 2 horas. Todas as diversas carnes são sempre acompanhadas de arroz de forno, batata assada e salada.

Doces/Sobremesas

Rabanadas com vinho do Porto

Na noite e dia de Natal abundam nas mesas de todas as famílias os mais variados doces tipicamente portugueses. No Norte as receitas natalícias mudam consideravelmente, ainda que os tradicionais doces como as rabanadas, aletria, leite-creme e outros sejam sempre cozinhados, à semelhança do que se faz em todo o país. As rabanadas de vinho Tinto são típicas do Norte do país.

Receita:

Para dar início à receita de Rabanadas de Vinho Tinto, deves começar por cortar o pão às fatias, com a grossura de mais ou menos 1 cm. Entretanto, ferve durante 4 minutos o vinho tinto, o açúcar, a casca de limão e o pau de canela. Deixa arrefecer e passa as fatias de pão por esta calda. De seguida, bate os ovos até fazerem espuma e passa as fatias de pão por eles. É agora altura de fritar as fatias de pão na gordura quente e deixa alourar dos dois lados. Depois de escorrê-las, passa-as por açúcar e canela. Para decorar, utiliza a casca de limão e o pau de canela utilizado na calda.

Coscorões
Foto: As receitas lá de casa

Estes fritos de natal fazem parte dos doces tradicionais desta época. Hoje em dia são um doce tipicamente natalício de muitas regiões do país de onde se destacam o Alentejo, Beira Baixa e Trás os Montes. Quadrados, redondos ou triangulares fazem parte da nossa tradição e raramente faltam numa mesa de natal portuguesa.

Receita:

Numa tigela, amassa com as varinhas em espiral o açúcar, a manteiga, os ovos, a raspa de laranja, um pouco de sal, o sumo de laranja, a aguardente e a farinha. Amassa muito bem, até que a massa fique elástica. Tapa com um pano e deixa repousar durante 1 hora. Passado 1 hora, polvilha a bancada com farinha. Deita por cima a massa. Polvilha a massa com farinha e amassa muito bem, até deixar de colar nas mãos.

Com o rolo da massa, estende a massa até ficar com uma espessura de 2 mm. Corta a massa em retângulos ou quadrados e no meio dá dois cortes na vertical.

Leva a fritar de ambos os lados em óleo quente. Depois de fritos, retira para um prato com papel absorvente. Por fim, mistura o açúcar com um pouco de canela e polvilha os coscorões com a mistura.

Castanhas de ovos
Foto: http://www.mafaldaagante.com/2015/04/estrela-doce-em-viseu.html

Estes docinhos conventuais são extremamente fáceis de fazer e são muito vendidos no Norte de Portugal, em regiões como Viseu ou Arouca.

Receita:

Junta a àgua com o açúcar, leva ao lume e deixa ferver até obter ponto de pérola. Retira do lume e deixa arrefecer um pouco. Bate 8 gemas, reservando duas para pincelar, e com a ajuda de um passador de rede fina junta-as à calda de açúcar. Leva a lume brando, mexendo sempre até atingir o ponto de estrada.. Retira e deixa arrefecer completamente.

Com as mãos enfarinhadas, molda bolinhas de creme dando-lhe a forma de castanhas. Coloca-as num tabuleiro enfarinhado e pincela-as com as gemas batidas.

Com o maçarico de cozinha tosta as castanhas. Se não tiveres, leva ao forno bem quente com o grill ligado, cerca de 5 minutos ou até tostar.

Pêras Bêbedas
Foto: Kuantijust
As peras bêbedas são cozidas numa calda com açúcar, especiarias e, neste caso, vinho do Porto. A combinação é perfeita e o resultado é uma sobremesa visualmente apetecível.
Receita:
Deita o açúcar, o vinho tinto, a casca de limão, o pau de canela e a estrela de anis num tacho pequeno. Descasca as pêras deixando apenas os pés e coloca no tacho. Leva ao lume e deixa ferver, suavemente, cerca de 30 minutos ou até estarem macias. Vai virando as pêras de vez em quando. Retira as pêras  para uma taça e reserva. 
Junta o vinho do Porto à calda e deixa ferver até reduzir e começar a espessar. Retira a casca de limão, o pau de canela e o anis, deita a calda por cima das pêras e deixa arrefecer.
Artigo de João Correia de Sá e Maria Duarte

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