Bárbara Cardoso é uma jovem escritora algarvia (e não só) de apenas 22 anos.

Começou a escrever Apesar de Ser Estranho com 17 anos, como resposta ao primeiro despedaçar do coração. Um livro de homenagem ao amor adolescente (ou a qualquer amor), uma ode à dor.

O Espalha-Factos leu o livro e ainda teve o privilégio de conversar com Bárbara. Este é o resultado.

Dos destroços à reconstrução

Apesar de Ser Estranho é composto por 179 entradas soltas que são o retrato de um dos lados do fim de uma relação.

Bárbara Cardoso não se refugia por detrás das palavras, assumindo que tudo em Apesar de Ser Estranho é autobiográfico:

“Foi escrito numa altura da minha vida em que tudo parecia duro demais. Não sabia lidar com isso e a escrita foi uma forma que apareceu naturalmente de eu o fazer. Escrevia compulsivamente sobre tudo o que sentia por dentro, sem filtros alguns. Sentia a necessidade de me questionar sobre o que sentia, mas não o queria fazer com ninguém. Não queria respostas, basicamente. Queria apenas exteriorizar o que sentia para sentir que o tinha tirado de dentro de mim.”

E, no fundo, é também essa a sensação que assola o leitor: a realidade da escrita. As palavras não são programadas e escorrem das mãos da escritora até nós, que parecemos sentir (ou recordar) a desolação da perda de alguém.

“Salas cheias de vozes e vozes cheias de nada. E ouvir pode ser doloroso quando se ouve um vazio tão ensurdecedor.”

Excerto de Apesar de Ser Estranho

Apesar de Ser Estranho é uma reflexão acerca deste processo: a dor íntima, a dor perante os outros e a dor dos outros.

A libertação do desapego da publicação do íntimo

À medida que folheamos Apesar de Ser Estranho parece que lemos o diário de alguém, que nos intrometemos na intimidade da escritora. Mas para Bárbara Cardoso, a publicação destas memórias foi libertadora:

“Sinto genuinamente que a partir do momento em que escrevo algo, isso deixa de me pertencer somente a mim e passa a pertencer também a quem têm a possibilidade de o ler. Senti apenas que a publicação de tudo aquilo era só mais uma fase neste processo de aceitação das coisas menos boas da existência. E de certa forma foi um alívio poder partilhar isso com o resto das pessoas.”

Para a escritora, escrever é terapêutico, como se falasse consigo mesma. Confidenciou-nos também que esse processo acaba por não ter filtros, nem vergonhas- a relação é entre a própria e o papel, sem constrangimentos.

Apesar de ser Estranho

Fonte: Chiado Editora

O fechar de um ciclo

Mas o intuito deste livro não era ser um livro de (des)amor. Bárbara refere que “aconteceu ser assim porque era de facto o que me preenchia a cabeça e o coração durante o tempo em que o escrevi”.

Mas com o passar do tempo (e das páginas) a dor vai tomando outros caminhos. Uma dor ameniza-se e deixa de ser central, até que os fantasma passaram a ser outros. O livro encerra-se inesperadamente num pedido de desculpas à sua mãe. Por ter crescido.

“Era já adulta, a começar uma nova etapa na minha vida, e a ideia de sair de casa da minha mãe e ”deixá-la” assombrava-me imenso. Ela sempre foi a pessoa mais importante na minha vida, e por alguma razão nunca tinha escrito sobre ela. Talvez porque ela era, para além da escrita, uma bóia que me ajudava a lidar com tudo. Nunca ela tinha sido motivo de qualquer dor minha, até ao momento em que tive de deixá-la. E essa realização foi um marco marcante ao ponto de achar que era ali o fim que o ”Apesar De Ser Estranho” pedia.”

Da escrita para o Mundo: das Artes Visuais até ao Youtube

Mas Bárbara Cardoso não se resume na escrita. Licenciada em Artes Visuais pela Universidade do Algarve, lançou a sua loja online, composta por peças únicas e feitas à mão pela também escritora.

Paralelamente, tem também o seu projeto no Youtube. Este é um espaço de partilha do seu estilo de vida vegano (que passa por muitas receitas até à moda sustentável e cosmética sem crueldade), mas também como plataforma de divulgação do seu trabalho na escrita.

Em relação ao futuro, Bárbara adianta ao Espalha-Factos:

“Estou a trabalhar já noutro livro, mas sem datas previstas. Estou a fazer tudo com toda a calma do mundo, tal fiz com o ”Apesar De Ser Estranho”. Não quero apressar as coisas, porque acredito é preciso tempo para fazer as coisas realmente bem feitas.”
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