Com uma quantidade de séries atualmente em exibição, potenciada pelas plataformas de streaming, há séries que têm dificuldade em manter-se no ar. Há conteúdos que parecem destinados ao fracasso e outros que se revelam como as piores surpresas, porque apesar de terem tudo para funcionar à primeira vista, pura e simplesmente não funcionam.

Porque não queremos que percas o teu tempo com histórias que não valem a pena, escolhemos as cinco piores séries que estrearam em 2017.

Naomi Watts no papel de Jean Halloway (Fotografia: Netflix)

Gypsy 

Estreou este verão e não terá mais nenhuma temporada. A série original Netflix foi uma das grandes desilusões do ano.

Não admira que a série tenha sido cancelada seis meses depois da estreia. De facto, é doloroso ver o potencial da atriz principal, Naomi Watts, completamente desperdiçado numa personagem tão entediante como a protagonista, Jean Holloway.

Jean é uma terapeuta vulgar presa a um argumento fraco. Os episódios são aborrecidos e as personagens pouco interessantes. Gypsy tinha potencial para ser uma série intrigante com um caráter sexual intenso, no bom sentido do termo, mas falhou em atingir o objetivo. As temáticas da sexualidade e do tabu são mal abordadas e isso faz-se notar no resultado final.

Still Star-Crossed 

A prova de que o toque de Midas às vezes falha. A série de Shonda Rhimes sofreu mudanças de horário devido às fracas audiências, até se tornar óbvio o seu cancelamento.

Still Star-Crossed prometia revisitar a história de Romeu e Julieta, ao explorar a disputa entre as suas famílias depois do fatídico desfecho destas personagens. Tendo por base aquela que é considerada uma das mais bonitas histórias de amor, e com Rhimes a comandar os bastidores, a série tinha tudo para dar certo.

Porém, uns efeitos especiais tão maus que roçavam o irónico, interpretações que nada tinham de especial, e um argumento que parecia querer aguentar-se só pelas referências à peça de Shakespeare, Still Star-Crossed deve fazer o poeta dar voltas no caixão.

Friends from College 

Provavelmente o maior desperdício de elenco de 2017. A série da Netflix junta nomes como Keegan-Michael Key, Fred Savage e Cobie Smulders numa comédia parecia ser a fonte de gargalhadas perfeita para este verão.

Friends from College acompanha o reencontro de um grupo de amigos, depois de vários anos separados. No entanto este reencontro parece estar marcado única e exclusivamente por uma traição e não há nada que lhe acrescente valor. Nenhuma piada chega a ter verdadeiramente graça, nenhuma personagem consegue ter interesse suficiente para nos cativar e nada em toda a série se aproxima de qualquer conceito de amizade.

A Netflix deu outra oportunidade à série, ao renová-la para uma segunda temporada, mas nós não o vamos fazer.

Powerless 

A série de super-heróis sobre pessoas normais, que depois foi apresentada como uma sitcom num escritório. Powerless nunca soube muito bem por que caminho ia, levando-a ao único destino possível: o cancelamento.

As personagens eram fracas, os seus diálogos tentavam de forma histérica fazer referências à cultura pop ou forçar um sorriso que no máximo chegava ao espectador na forma de esgar.

Alguns episódios da série ficaram por ir para o ar, e até mesmo o adeus final de Powerless chegou dois meses depois do seu cancelamento, apenas em jeito de homenagem póstuma a Adam West que aparecia nesse episódio.

Making History 

Mais uma vez parece que 2017 não foi o ano das comédias. Em Making History, da FOX, nem o regresso de Adam Pally (Happy Endings) e Leighton Meester (Gossip Girl) conseguiu impedir o barco de naufragar.

A premissa das viagens no tempo não é nova, mas podia ter sido interessante. Porém, neste caso, os choques culturais entre o século XVIII e o século XXI não conseguem produzir nada que valha a pena.

Making History está tão carregado de referências a outras séries e filmes, que parece que os próprios criadores sabiam e queriam que a série falhasse. Da nossa parte, só gostávamos de poder também andar para trás no tempo, e que a série fosse outra.

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Texto: Joana Martins, Helena Santos e Mariana Espírito Santo