O último dia da Comic Con Portugal 2017 ficou marcado não só pelo painel de convidados alargado durante o fim de semana, mas também pelos momentos musicais e outros temas marcantes para quem é fã da cultura pop.

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Daniela Ruah: o talento português nos E.U.A

Uma das figuras mais aguardadas no evento era sem dúvida Daniela Ruah. A atriz que é um dos rostos principais de NCIS: Los Angeles ainda assim não se esquece das suas raízes lusitanas, tendo admitido em conferência que não coloca de parte a possibilidade de regressar a Portugal.

Ao falar da série que a catapultou para a fama internacional, Daniela salienta vários aspetos que se foram estabelecendo com o evoluir das temporadas, definindo a série como “mais jovem” devido ao tipo de público que tem atraído. A multiculturalidade também foi outro dos aspetos apontados pela atriz.

Daniela considera que, da sua parte, existe um grande responsabilidade em representar uma mulher forte de modo a promover várias formas de diversidade. “Nós queremos representar o melhor possível para as gerações mais novas. Mas ser uma mulher forte não significa não ter vulnerabilidade, não significa não ter os nossos momentos de fraqueza, mas significa a forma como nós ultrapassamos os problemas das personagens.” A atriz não descarta ainda a possibilidade de poder vir a fazer cinema um dia, embora a representação no pequeno ecrã seja a sua prioridade.

Uma das questões que não poderia deixar de ser abordada foram os escândalos sexuais que têm assolado Hollywood, embora a própria tenha admitido que nunca passou por esse tipo de situação.

“Acho super importante estarmos a falar porque mesmo que estas situações tenham acontecido há vinte ou trinta anos atrás temos que falar do assunto, porque isto tem-se tornado parte da vivência das mulheres. ‘Eu tenho que passar por isto para manter a minha carreira.’ E é uma treta! apesar de não me ter acontecido fico super emocional a falar do assunto porque é super importante as mulheres juntarem-se agora e ganharem forças umas nas outras.”

A atriz falou ainda da diferença entre criar carreira como atriz em Portugal e nos EUA. Vários fatores, entre os quais a sua experiência pessoal e a idade que tinha enquanto residia em Portugal, e a idade com a qual partiu para os EUA, foram tidos em conta. “Eu entrei mesmo num estado ‘perfecto’ na produção nacional enquanto que nos EUA tive que me tentar inserir o mais possível dentro de um oceano de raparigas da minha idade, parecidas comigo. Foi um bocadinho estar no sítio certo à hora certa“.

Clark Gregg: o líder dos Agents of S.H.I.E.L.D.

O agente Phil Coulson foi uma das confirmações de última hora dadas durante esta semana. Clark Gregg confessou que ao início foi complicado adaptar-se a Agents of S.H.I.E.L.D., mas acredita que cada temporada tem sido melhor que a anterior. Admitiu gostar da forma como a Marvel (uma empresa que adora desde pequeno) está “em grande” salientando que a série que protagoniza respeita o género de comics.

A cena mais complicada de filmar para Clark foi durante a terceira temporada, na qual o agente Coulson volta à vida. “Na mitologia grega há sempre um preço a pagar e ele regressa mas não sabe que o trouxeram de volta. Então ele depois descobre o segredo negro sobre como foi trazido de volta, contra a sua vontade e o quão traumatizante foi.” O ator avisou ainda os presentes que essa storyline ainda não acabou.

O ator revelou que algo de que também gosta muito, além da Marvel, é a música. Em tom de brincadeira Clark confessou ainda que gostaria que o agente Coulson tivesse uma missão em Portugal. Aliás, esta não é a primeira vez que o ator faz referência a Portugal: em The New Adventures of Old Christine (As Novas Aventuras da Velha Christine), houve um episódio que satirizou Portugal, episódio esse do qual Clark Gregg fez parte.

Madison Iseman e o regresso de Jumanji

A jovem atriz esteve presente durante o evento de forma a promover o filme Jumanji: Welcome to the Jungle, cuja antestreia decorreu no segundo dia. Com uma carreira a começar e uma boa disposição notável, Madison falou com grande entusiasmo sobre o seu papel como Bethany que é interpretada por ela e por Jack Black.

Madison, que cresceu com o filme original protagonizado por Robin Williams, referiu que à primeira ler o guião do filme foi um pouco confuso, mas que a experiência viria a revelar-se divertida. Visto que ela e Jack Black interpretam a mesma personagem durante o filme, tal implicou uma grande comunicação entre os dois antes das filmagens. “Ele tinha uma pilha de perguntas, como por exemplo, que filmes ver e quais as canções a ouvir. Tivemos muito ‘girl time’. E acho que o Jack Black é a pessoa mais simpática que conheci na minha vida; acho que ele interpreta uma rapariga de 16 anos de forma espetacular.

Outros aspetos referentes ao filme também foram salientados, tais como a boa caracterização das personagens, bem como a evolução das mesmas ao longo do filme. “Acho que este é um dos pontos fortes do filme: tu sabes distinguir quem é quem, acho que estão todas as personagens muito bem representadas ao longo do filme.”

No que toca à possibilidade de participação noutros géneros, Madison não se considera muito “esquisita”, mas admite que gostaria de experimentar o género de terror.

Dominic Purcell, de criminoso a lenda

Um dos maiores destaques do terceiro dia da Comic Con Portugal foi sem dúvida a presença de Dominic Purcell. O ator, que se destacou com a personagem Lincoln Burrows em Prison Break, mostrou ser uma personalidade com um peculiar comportamento que trouxe sempre um sorriso no rosto da sua audiência. Durante a conferência de imprensa, Purcell falou maioritariamente das suas personagens em Prison Break, The Flash e Legends of Tomorrow, entre as quais evidenciou que teve sempre uma boa dinâmica durante as cenas entre Lincoln/Mick e Scofield/Snart, personagens interpretadas por Wentworth Miller.

Contudo, apesar de Prison Break ter sido um dos pontos mais altos da sua carreira, Purcell nunca viu nenhuma complicação após o fim da série, sempre conseguindo entretanto interpretar papéis em cinema e televisão até finalmente voltar a ser reconhecido com o seu papel como o supervilão Mick Rory/Heat Wave em The Flash e Legends of Tomorrow.

No entanto, o ator já esteve para interpretar um herói da banda desenhada, desta vez da Marvel. Após um encontro de Purcell com Stan Lee, há muitos anos, o ator revelou que o criador da Marvel o teria escolhido para interpretar O Justiceiro (The Punisher), papel que infelizmente nunca chegou a representar.

Apesar de Purcell estar a gostar da experiência como Heat Wave em Legends of Tomorrow, ao mesmo tempo considera que os filmes de super-heróis estão já “muito batidos“, que é um género demasiado explorado, embora existam algumas exceções. O ator revelou ter uma grande afeição por Deadpool e por The Dark Knight, considerando mesmo este último como “uma obra de arte“.

Quando confrontado com o futuro de Prison Break, e a possibilidade de uma nova temporada, Purcell não revelou muitas informações, revelando apenas que tal ideia está “ainda em produção“.

Kirsten Vangsness, a mente nada criminosa

O quarto e último dia da Comic Con Portugal não podia começar melhor sem a presença de Kirsten Vangsness, atriz que interpreta a personagem de Penelope Garcia na série Criminal Minds. Numa conferência de imprensa carregada de ânimo e humor, Kirsten falou maioritariamente da sua personagem na série e explica o sucesso da mesma, que se encontra nas televisões desde 2005, evidenciando que, como existem pessoas que gostam de “coisas horrorosas” e aqueles espetadores que gostam da forma como o cérebro humano trabalha e como os casos são resolvidos, esses aspetos em muito contribuem para a longevidade de Criminal Minds.

Kirsten não falou apenas do que é visível ao espetador na série, mas também do que se passa nos bastidores. Mostrando o mesmo sentido de humor e extroversão por que a sua personagem tão bem é conhecida pelos fãs, a atriz afirma que não há muita diferença entre a Penelope Garcia e ela própria, o que facilita muito a sua interpretação.

Kristen foi também abordada por questões preocupantes do mundo real. Quando confrontada com a polémica da “net neutrality“, a atriz referiu que a Internet é um meio livre para todas as formas de pensamento, e que existem pessoas gananciosas que querem controlar tudo o que passa para o universo online, o que torna todo o propósito de uma rede livre completamente inútil.

A atriz mostrou também um grande interesse na possibilidade de relacionar a série com a polémica atual das muitas acusações de violação que têm acontecido em Hollywood, embora considere que o tema original de Criminal Minds não se altere tão cedo. Com um grande otimismo, Kristen acredita que o mundo real não é tão cheio de monstros como no universo da série, e que se monstros existem é porque são criados por outros monstros, e que “na sua maioria o mundo está cheio de pessoas excecionais.”

Simon Merrells, o romano que virou Templário

O ator britânico Simon Merrells também mostrou ser uma presença bem viva durante o último dia da Comic Con Portugal. Simon, que interpreta o Templário Tancrede no recente drama histórico Kinghtfall, mostra o quão única a série se está a tornar, tendo em conta a forma como os Cavaleiros Templários são retratados, algo que nunca fora tão aprofundado antes. Apesar de haver comparações com outras séries, é a abordagem realista que Knightfall faz da ordem religiosa que torna a série tão original.

Simon falou também da sua experiência, não só durante as filmagens da série, mas também do processo de preparação para a mesma. De forma a entrar na personagem, o ator visitou o castelo parisiense dos Templários (agora em ruínas) e teve treino intensivo de esgrima e hipismo, com o objetivo de conseguir convencer-se a si e ao espetador do realismo da sua personagem.

Comic Con: Mais do que Cinema e Televisão

Como o próprio nome do evento indica, também os comic books (livros de banda desenhada) são outro dos elementos que compõem a Comic Con. É aqui que vários artistas portugueses podem aproveitar a oportunidade de mostrarem o que valem no que toca ao desenho. Além das várias oportunidades de Portfolio Reviews, também decorreram os Galardões da BD, que todos os anos premeiam em várias categorias as melhores bandas desenhadas feitas e editadas em Portugal. Em baixo estão os vencedores da edição de 2017:

  • Melhor BD de autor estrangeiro: A casa de Paco Roca, Levoir
  • Melhor Curta: A Muralha de Filipe Andrade, Antologia Cidades, Comic Heart/G-Floy
  • Melhor Desenho: Hanuram, o Dourado de Ricardo Venâncio, Comic Heart/G-Floy
  • Melhor Argumento: Chili com Carne de Francisco Sousa Lobo, Deserto/Nuvem
  • Galardão Anual Comic Con BD: Deserto/Nuvem de Francisco Sousa Lobo, Chili com Carne – prémio de 2000€

Já a música foi uma das surpresas que marcou pela positiva. O Canal Hollywood, no âmbito do seu vigésimo aniversário, trouxe uma iniciativa musical interpretada pela Lisbon Film Orchestra. Vários fãs voltaram a reviver a magia dos filmes de algumas das sagas mais aclamadas do cinema, tais como Star Wars, Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Piratas das Caraíbas, Indiana Jones, Super-Homem, Missão Impossível, E.T., Homem-Aranha, entre outros.

Vários conteúdos foram sendo exibidos em vários auditórios, tendo decorrido algumas antestreias, bem como a exibição de mais de 200 conteúdos nos quatro dias do evento. Destacaram-se ainda outros convidados, tais como Giorgio Cavazzano (ilustrador da Disney, autor da banda desenhada Dragonlords, lançada recentemente), Filipe Melo e Juan Cavia (ambos os autores lançaram recentemente a banda desenhada Comer Beber).

Naturalmente, os cosplayers, que são um dos elementos que dão vida à Comic Con, não poderiam deixar de ser mencionados. Em baixo estão alguns com os quais nos cruzamos.

Artigo de Sara Sampaio e Tiago Costa.
Fotografias de Beatriz Teixeira e Mariana Gomes.