Atualmente vivemos na era da peak tv e, com tantas opções disponíveis, às vezes pode ser difícil escolher quais as séries que merecem a nossa atenção. Por um lado temos as plataformas de streaming, como a Netflix e a Hulu, que cativam com o investimento das suas mega produções e, por outro, os canais de televisão tradicionais, que são forçados a inovar para fazer frente à competição.

Para fazer a tua escolha mais fácil, escolhemos as 15 melhores séries que estrearam em 2017.

Dark

Esta foi a primeira produção alemã para a Netflix, e só augura coisas boas. A série centra-se no desaparecimento de jovens na cidade de Winden, criando um ambiente de thriller e suspense. O nome da cidade fictícia é um jogo com a palavra alemã para “reviravolta”, o que é indicativo do que nos espera.

Entramos num jogo temporal com as quatro famílias no centro deste universo, onde existem desde elementos reminiscentes dos anos 80 a reflexões sobre buracos negros. O estilo relembra Stranger Things, mas está mais do que à altura desta no que toca a cinematografia, história e desempenho do elenco. A narrativa apresenta um caráter misterioso e intrigante que faz com que seja quase impossível resistir a ver o próximo episódio.

Estreada no último mês deste ano, com dez episódios, conseguiu já um lugar na nossa lista. Ainda não foi confirmada uma segunda temporada, o que não impediu os fãs de começarem a criar teorias para o que poderá acontecer.

A Series of Unfortunate Events

A Series of Unfortunate Events

A história dos irmãos Baudelaire já não é estranha para muitos, sendo uma coleção de livros que foi adaptada ao cinema em 2004. O filme, onde participa Jim Carrey, tornou a história ainda mais conhecida e deixou os espectadores com vontade de ver mais. Neste ano, essa vontade foi correspondida, com uma série de oito episódios na Netflix.

Logo na música de introdução somos avisados que estamos prestes a ver uma história terrível, que não deveríamos ver. Quem não se deixa intimidar por esta recomendação é presenteado com uma surpresa muito agradável. Esta comédia negra faz-nos rir com as desgraças da família azarada, enquanto tentamos desvendar os seus segredos.

Com reviravoltas surpreendentes, nada é o que parece no mundo que nos é apresentado por Lemony Snicket. O elenco trata de dar o tom certo à série, nomeadamente a narração de Patrick Warburton, e o excêntrico Conde Olaf de Neil Patrick Harris. A segunda temporada está prevista para o início do próximo ano.

The Good Doctor

Este não é apenas mais um drama médico. Começa com a chegada do novo doutor ao hospital San José St. Bonaventure, que sofre de autismo e síndrome de Savant. A sua condição não é um impedimento para fazer um bom trabalho, mas dificulta principalmente a relação com outras pessoas, e a luta contra o preconceito. Freddie Highmore faz um ótimo trabalho a retratar o médico Shaun Murphy, que lhe valeu uma nomeação para os Globos de Ouro deste ano.

Personagens com autismo ou no espetro estão cada vez a ser mais representadas nos media, facto comprovado pela presença de duas séries assim nesta lista (sendo a outra Atypical). The Good Doctor fá-lo com sensibilidade e inteligência. Um aspeto que também diferencia esta série é a exploração do lado empresarial e legal da administração do hospital, que corta a ação médica por vezes exaustiva neste género.

Ozark

Realizada por Bill Dubuque, Ozark destaca-se pela estética artística e qualidade cinematográfica. A comparação à célebre série Breaking Bad é incontornável: ambas se centram na temática dos narcóticos. Porém, a perspetiva apresentada em cada uma delas é bastante diferente.

Ao contrário do químico Walter White, interpretado por Bryan Cranston, o protagonista de Ozark, Marty Byrde, nada tem a ver com o processo de produção. A ele compete-lhe uma outra tarefa: a lavagem de dinheiro de origem ilegal. No fundo, as duas personagens estão em pontos opostos da cadeia produtiva.

Marty é interpretado por Jason Bateman e o fabuloso desempenho do ator valeu-lhe uma nomeação para um Globo de Ouro, na categoria de melhor ator de drama.

Dear White People

A série tem como palco uma universidade elitista e centra-se num grupo de alunos negros que procura combater o racismo e discriminação de que frequentemente são vítimas.

Dear White People alcança uma abordagem genial de um tema ainda controverso: uma sociedade opressiva e discriminatória. Era fácil cair no erro da parcialidade, mas Justin Simien, diretor da série, recorre ao humor para equilibrar o peso que a temática acarreta. Reconhecem-se atitudes racistas por parte das personagens oprimidas e algumas das restantes personagens reprovam afincadamente o racismo.

Os cinco protagonistas, Samantha White (Logan Browing), Troy Fairbanks (Brandon Bell), Coco (Antoinette Robertson), Reggie (Marque Richardson) e Lionel (DeRon Horton), representam o outro lado da moeda e o modo como diferentes indivíduos apresentam reações distintas face à discriminação. A série é mais um excelente exemplo de um conteúdo que representa um hino à igualdade e união.

Mindhunter

Mindhunter

A série original Netflix, com palco nos anos 70, retrata a experiência de dois agentes do FBI, Holden Ford e Bill Tench, interpretados respetivamente por Jonathan Groff e Holt McCallany. Mindhunter inspira-se em factos reais e foge à tradicional abordagem do drama policial, tipicamente cíclica e muito superficial.

O ritmo lento e a intensidade dos diálogos, mérito do realizador David Fincher, promovem um profundo desenvolvimento das personagens. A série distingue-se sobretudo pela capacidade singular de abordar de forma exímia a psicologia criminal.

A interpretação do ator Cameron Brittone no papel do criminoso Edmund Kemper é um dos pontos altos da série.

Lê mais: ‘Mindhunter’: a reinvenção do drama policial


Atypical

Representar a vida de um jovem adolescente com perturbação do espetro autista não é tarefa fácil. Porém, Atypical propôs-se a isso mesmo. Sam, interpretado por Keir Gilchrist, é o protagonista deste drama cómico, realizado por Seth Gordon.

Apesar das várias críticas que surgiram de alguns membros da comunidade autista, a começar na escolha de um ator que não convive com a perturbação para representar o protagonista, a série consegue abordar um assunto delicado de forma divertida, sem nunca cair no erro da caricatura e do estereótipo.

A solução encontrada pelo realizador resulta numa abordagem equilibrada. Há uma clara harmonia entre um tom mais sério, que aproxima o espectador de uma realidade por vezes dramática, e um inteligente sentido de humor, capaz de contrariar a falsa ideia de que quem vive com autismo não pode ter uma vida normal, igualmente recheada de divertidos contratempos ou alguns dramas familiares.

13 Reasons Why

Começou por ser conhecida como a série de Selena Gomez, mas a verdade é que 13 Reasons Why conseguiu desmarcar-se com rapidez desta denominação. A série da Netflix foi uma das mais faladas e discutidas de 2017, e ainda bem que assim foi já que aborda um tema até à data muito pouco explorado, o suicídio juvenil.

13 Reasons Why acompanha a história de Hannah Baker (Katherine Langford) e de quem com ela privou após ter tomado a drástica decisão de acabar com a própria vida. Interpretações fortes e sobretudo uma forma bastante interessante de abordar os diferentes conceitos de verdade são aquilo que torna esta série em mais do que uma série para adolescentes. Se ainda precisas de mais motivos para dares uma oportunidade a 13RW antes que saia a segunda temporada, deixamos-tos aqui.

Lembra: “Entre o pensamento e o ato há uma pequena distância”


American Gods

Depois de muitas rejeições, a adaptação do romance de Neil Gaiman, que põe em confronto os novos e os antigos deuses, chegou finalmente ao pequeno ecrã em 2017.

American Gods conta a história de Shadow Moon quando ele sai da prisão para ir ao funeral da sua mulher, mas é arrastado numa disputa entre deuses ao envolver-se na vida de Mr. Wednesday. Ver a série sem ter lido o livro causa alguma dificuldade no início, pois há demasiada informação e demasiados estímulos visuais. Porém, é precisamente ao decifrar este intrincado quebra-cabeças que a série vai ganhando valor.

Não se sabe bem quem é quem, quem representa o quê e quem quer o quê de quem. É nesta incerteza que American Gods se vai desenvolvendo e cada descoberta tem um sabor especial. A única coisa sobre a qual não temos dúvidas é que este é um quebra-cabeça com o qual vale a pena perderes o teu tempo.

Big Little Lies

Big Little Lies

Com seis nomeações para os Globos de Ouro, e com uma segunda temporada confirmada, Big Little Lies, vai à frente não só no arranque desta award season, como de praticamente tudo aquilo que foi apresentado pela televisão este ano.

Elencos potentes como o desta série podem ser a receita perfeita para o desastre. Porém, Nicole Kidman, Reese Witherspoon e Shailene Woodley oferecem das melhores atuações das suas carreiras e deixam-nos agarrados desde o primeiro momento. Em Big Little Lies a única coisa pequena é mesmo o tamanho de Monterey, que não é capaz de conter toda a densidade destas mulheres. Elas estão longe de serem perfeitas, mas os seus problemas fazem delas protagonistas exímias.

Com uma fotografia que espelha de forma perfeita a melancolia, o impasse, e as lutas interiores que a sociedade parece querer calar, Big Little Lies é a série que expõe o mais feio e o melhor da condição humana de forma tão equilibrada que atinge a perfeição que ironicamente pretende desmontar.

The Bold Type

Inspirada na vida da editora-chefe da Cosmopolitan, Joanna Coles, The Bold Type não passou nos radares de muita gente este ano: o que é uma pena. A série conta a história de três amigas (Jane Sloan, Kat Edison e Sutton Brady) que procuram encontrar o seu lugar a nível profissional enquanto tentam decifrar a sua própria identidade.

The Bold Type consegue não ser só mais uma série sobre um grupo de amigas com Nova Iorque como pano de fundo, pela simplicidade e honestidade com que elas e os seus problemas são apresentados. Não há tabus mas também não há grandes dramas. Atualmente, o que parece também não haver é grande tempo para dúvidas, para sonhos e para complexos, e tudo tem que ser aquilo que toda a gente espera que seja.

No entanto, qualquer rapariga a entrar na idade adulta consegue confirmar que isto é asfixiante e encontrar em The Bold Type o escape perfeito para, de forma leve, se confrontar com a sua própria (a)normalidade.

The Handmaid's Tale

 The Handmaid’s Tale

Em Gilead, uma versão dos Estados Unidos dominada por uma autocracia religiosa, as mulheres são propriedade do Estado e reduzidas à função reprodutora. The Handmaid’s Tale passa-se neste futuro distópico que tem tanto de arrepiante e repugnante como a fotografia da série da Hulu tem de bonita.

É o contraste desta realidade tão crua e redutora com planos de cortar a respiração que mais impressiona quem vê The Handmaid’s Tale. A narrativa não tem pressa e faz-nos apreciar cada segundo por mais arrebatador que possa ser, e cada silêncio tem uma força incrivelmente ensurdecedora. Somos convidados a partilhar a dor destas mulheres de forma tão íntima que chega a ser desconfortável, pelo que é impossível esta não ser uma das séries mais memoráveis de 2017.

Recorda: ‘The Handmaid’s Tale’ é uma distopia feminista fértil em relevância


Legion

A série que mostra que o formato de super-heróis não está gasto, e que uma nova abordagem a um mesmo tema pode marcar a diferença. Do mesmo produtor de Fargo, Noah Hawley, Legion demorou três anos até passar de uma ideia a um projeto concreto.

David Haller (Dan Stevens) é uma personagem conhecida do universo de X-Men, e na série da FX tenta descobrir se a esquizofrenia, que lhe foi diagnosticada em criança, não é apenas uma mentira contada para abafar os poderes da sua mente. Na verdade, em Legion todos os limites são explorados em termos de estilo e de forma, e o que é efetivamente real é às vezes deixado ao nosso próprio critério.

Legion é uma bad trip que perturba tanto quanto tem a capacidade de nos encantar e tal como qualquer droga, deixa-nos a pedir mais. Apesar das audiências modestas, a série foi renovada para uma segunda temporada que tem o desafio de conseguir responder a tudo aquilo que foi deixado em aberto na season finale.

Feud: Bette and Joan

O sempre criativo Ryan Murphy trouxe-nos este ano mais uma antologia. Feud foca-se em rivalidades célebres e a primeira temporada mostrou-nos a competição entre as lendas do grande ecrã Joan Crawford e Bette Davis.

Jessica Lange e Susan Sarandon dão vida às atrizes titãs, enquanto medem forças na produção do filme conjunto What Ever Happened to Baby Jane? A série é um cesto repleto de easter eggs para quem conhece o filme e pode servir de incentivo para uma nova audiência descobrir a obra de horror cómico.

A segunda temporada da antologia vai explorar a relação atribulada entre o Príncipe Carlos e a Princesa Diana.

Riverdale

Menção honrosa: Riverdale

Decidimos incluir Riverdale nesta lista porque, apesar de todos os seus defeitos, é o guilty pleasure que adoramos ver. Esta série inspirada na banda desenhada Archie Comics traz-nos um drama adolescente, cuja narrativa começa com uma morte na cidade que lhe dá título. Acompanhada também pela chegada de Veronica Lodge, vinda de Nova Iorque depois de um escândalo familiar, a vida dos habitantes estás prestes a tornar-se mais interessante.

Cativou audiências com o seu estilo clássico da The CW, com muito humor, romance e, principalmente drama. O elenco também chamou a atenção, com Cole Sprouse, um dos gémeos de Hotel Doce Hotel, e o protagonista KJ Apa. Estreada no início deste ano, vai já a meio da segunda temporada com cada vez mais revelações e mudanças.

Texto: Joana Martins, Helena Santos e Mariana Espírito Santo