A Hora Mais Negra é o livro que investiga e promete revelar mais sobre o papel de Winston Churchill no início da Segunda Guerra Mundial.

O livro é fruto das investigações do argumentista Anthony McCarten sobre a época de vida do primeiro-ministro britânico, retratando sobretudo os momentos dramáticos porque este passou e que marcaram o Reino Unido na década de 40.

Desde o afastamento de Neville Charmberlain do cargo de primeiro-ministro, o confronto com Halifax e a tomada de posse de  a 10 de maio de 1940 até à Operação Dínamo – retirada das Forças Expedicionárias Britânicas na evacuação de Dunquerque, no dia 4 de junho, durante a invasão de França por parte do Exército Nazi. Tudo é retratado na obra.

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Foto: Wook

Em comunicado enviado ao Notícias ao Minuto, o autor do livro considera que Churchill não tinha “aptidão para a paz“, que não aceitava outros argumentos, mas que estava correto sobre o nazismo.

Onde homens mais razoáveis temiam legitimamente as consequências das suas decisões, ele não tinha grande pendor para a contemplação de consequências negativas – fora assim toda a sua vida – e não compreendia facilmente os outros” (página 269), escreve o autor.

Na sua investigação, McCarten consultou os Arquivos Nacionais Britânicos, tais como os documentos do Almirantado, do Parlamento e os do Gabinete de Guerra.

Churchill não se opôs a uma eventual paz com a Alemanha

Entre estes documentos descobriu, nomeadamente, que foi posta sobre a mesa a possibilidade de um acordo de paz entre Londres e Berlim, sob a mediação de Mussolini. Isto já após a invasão da Polónia, por parte da Alemanha.

Muitos leitores ficarão surpreendidos ao saber que o grande Winston Churchill, apresentado à História como inimigo empenhado e inabalável de Hitler, disse aos seus colegas do Gabinete de Guerra que, em princípio, não se oporia a conversações de paz com a Alemanha se ‘Herr Hitler estivesse preparado para acordar a paz com as condições de restituição das colónias alemãs e a suserania sobre a Europa Central“, escreveu McCarten, autor do argumento do êxito A Teoria de Tudo.

A retórica de Winston

Além dos aspetos relacionados com a vida de Churchill antes da tomada de posse em 1940 e dos enquadramentos históricos e políticos, a obra detalha também os quatro famosos discursos do primeiro-ministro proferidos publicamente no Parlamento, onde a sua retórica é alvo de análise.

Churchill recorre aqui habilmente a dois dispositivos retóricos essenciais, ambos repescados da Antiguidade. Um é a anacenose, uma figura de estilo em que é feito um apelo aos ouvintes ou aos opositores à manifestação da sua opinião. Ele usa-o em ‘perguntam-me: qual é a nossa política’ atraindo os que o ouvem para a sua dramatização” (página 139), refere McCarten.

O outro dispositivo é a anáfora, a repetição de uma palavra ou palavras no início de um ou mais versos, preposições ou frases sucessivas”, indica o argumentista recordando o uso sucessivo do verbo ‘combater’ ou da palavra ‘vitória’, neste caso, utilizada cinco vezes numa única frase”.

McCarten destaca também o uso da palavra ‘Nós’ em vez de ‘Eu’,  colocando em evidência a diferença entre os discursos de Churchill e os de Hitler, que podem ser apelidados de egocêntricos.

A Hora Mais Negra já se encontra à venda nas livrarias de todo o país pelo valor de 17,20 euros.

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O filme

A obra conta já também com uma adaptação cinematográfica, A Hora Mais Negra, do original inglês Darkest Hour, que terá a sua estreia no dia 11 de janeiro. O filme conta com a atuação do ator Gary Oldman, no papel de Winston Churchill.

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Foto: divulgação

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