A estreia do ano chegou. Star Wars: Os Últimos Jedi, oitavo capítulo da space opera iniciada por George Lucas, chega finalmente aos cinemas. As primeiras críticas são altamente positivas… menos em Portugal.

É inevitável: o novo filme de Star Wars é a estreia do ano. Os Últimos Jedi é a mais recente adição a um legado iniciado por George Lucas há, precisamente, 40 anos atrás. A saga parecia concluída – e não nos melhores termos – com A Vingança dos Sith, em 2005. Mas, após a venda da Lucasfilm à Walt Disney Pictures, em 2012, tudo mudou. A Disney não quis renunciar um dos maiores sucessos da história do cinema e, por isso, decidiu dar continuidade à saga.

Em 2015 estreava assim Star Wars: O Despertar da Força. Novos heróis e heroínas juntaram-se aos personagens originais que todos reconheciam neste sétimo episódio da saga. A frescura aliou-se à nostalgia e o público respondeu da melhor forma. O Despertar da Força gerou quase dois mil milhões de euros em todo o mundo e tornou-se no terceiro filme mais rentável da história do cinema. Estavam assim lançadas as bases.

Dois anos depois (e com Rogue One: Uma História de Star Wars pelo meio), estreia a sequela de O Despertar da Força. Os Últimos Jedi tem sido apoiado por uma eficaz campanha de marketing que deixou o público repleto de adrenalina. Também a crítica parece estar a render-se ao filme. Mas vamos por partes.

Retomando os eventos do filme anterior, Os Últimos Jedi mostra-nos Luke Skywalker (Mark Hamill), o lendário Jedi que ajudou a derrubar o império. No entanto, Skywalker não conseguiu reconstruir os Cavaleiros Jedi, resignando-se por isso ao exílio e a uma vida de paz. Mas a ameaçadora Primeira Ordem, nascida das cinzas do império, ameaça a liberdade de todos os povos da galáxia.

A resistência à Primeira Ordem é liderada pela General Leia Organa (Carrie Fisher), cuja experiência no comando é fulcral. Apesar disso, Leia sabe que a resistência precisa da ajuda do seu irmão. É neste sentido que Rey (Daisy Ridley) é enviada para encontrar Skywalker. A jovem sente o poder da força a despertar cada vez mais dentro de si só ela poderá apelar ao velho Jedi.

Mas, após a derrota da primeira batalha, a Primeira Ordem reorganiza-se. Kylo Ren (Adam Driver), jovem Sith, é a principal arma do Líder Supremo Snoke (Andy Serkis) para destruir Luke e Leia.

O regresso de Hamill e a ausência de Fisher

O regresso de Mark Hamill é, talvez, o principal cartão de visita de Os Últimos Jedi. O ator americano, protagonista central da trilogia original, regressa finalmente ao grande ecrã para reinterpretar o papel da sua carreira. Hamill esteve envolvido no filme anterior, mas as cenas que protagonizou foram escassas. Com o rumo da história diretamente focado em Luke Skywalker e no seu caminho de redenção, é esperado que o ator se assuma como um dos protagonistas.

De regresso estão igualmente Daisy Ridley e Adam Driver. A estes juntam-se John Boyega, o stormtrooper desertor que agora luta pela resistência, e Oscar Isaac, um piloto também da resistência. Domhnall Gleeson regressa também para interpretar General Hux, ex-líder de uma base da Primeira Ordem. É esperado também maior protagonismo para Gwendoline Christie (a Brienne de Game of Thrones), que voltará a interpretar a Captain Phasma, comandante dos stormtroopers.

Mas ao impressionante elenco juntam-se também novos nomes. O oscarizados Benicio Del Toro é o nome mais sonante, assim como a atriz Laura Dern. Há também uma galeria de divertidos cameos e pequenas participações especiais que o público poderá descobrir. Atores como Joseph Gordon-Levitt, Tom Hardy ou Simon Pegg estão algures “escondidos” no filme.

O elenco é também assolado pela ausência de Carrie Fisher. A atriz, que se celebrizou no papel de Leia Organa, perdeu a vida há um ano atrás. Vítima de paragem cardíaca, Fisher viria a falecer no dia 27 de Dezembro, causando o luto entre os fãs. Embora já tivesse terminado as filmagens para Os Últimos Jedi, era esperada a sua presença no Episódio IX, com estreia marcada para 2019.

“In loving memory of our princess”

Apesar da perda de Fischer, o realizador de Os Últimos Jedi garante que o arco da sua personagem não foi alterado. Em entrevista à Entertainment Weekly, Rian Johnson disse esperar que os fãs gostem da conclusão dada à personagem. “Não podíamos saber que este seria o último filme de Star Wars em que ela estaria, não fizemos o filme a pensar num final para a personagem. Mas haverá uma reação muito emocional ao que ela vai fazer neste filme“, disse Johnson.

O realizador revelou já também que o filme é dedicado à memória da atriz. O público que já viu o filme confirma-o, enaltecendo a mensagem presente nos créditos finais: “In loving memory of our princess, Carrie Fischer.” Adicionalmente, Johnson fez questão em recordar Carrie Fisher na noite de estreia do filme. “Dedico esta noite à Carrie. Sei que ela está lá em cima a dizer ‘Bolas Rian, como é que te atreves a deprimir as pessoas assim numa noite destas?’. Por isso vamos divertir-nos pela Carrie.”

Os Jedi dormem?

Naturalmente que, tratando-se do franchise que é, as ações de promoção têm sido constantes. O elenco esteve presente no talk-show de Jimmy Kimmel, onde abordou diferentes assuntos. A importância da saga para cada membro, a singularidade da palavra “Jedi” e até a perspectiva do elenco sobre porgs foram alguns dos hilariantes tópicos abordados.

Mark Hamill brindou o público com a sua imitação de Harrison Ford, mas foi Kimmel o maior aliado do espectador. Não disfarçando o entusiasmo, o apresentador conseguiu arrancar uma informação interessante: a primeira palavra dita em Os Últimos Jedi é “nós”.

E o que diz a crítica?

Embora estreie apenas amanhã, já estão disponíveis as primeiras reações ao filme – e são altamente positivas. O site Rotten Tomatoes regista para já uma taxa de aprovação de 94%. O consenso do site é de que o filme “honra o legado da saga e adiciona algumas surpresas, dando aos fãs a ação carregada de emoção que esperam.”

O The Guardian atribui quatro estrelas (em cinco) e fala de um “espetáculo de adrenalina, um filme que vibra com a crença em si mesmo e no seu universo mítico. É impossível não ser varrido” O The Independent segue a mesma nota e classifica este como “o mais divertido filme Star Wars que já vimos.” A Entertainment Weekly atribui um B+ ao filme, que descreve como “um triunfo com falhas. Mas com essas falhas, mostra-nos uma mensagem tão velha como o tempo. Os heróis não vivem para sempre.“Já a Empire chega mesmo à nota máxima, dizendo que este é “um tributo adequado a Carrie Fisher.”

Curiosamente, a crítica portuguesa parece não estar de acordo. O Público descreve Os Últimos Jedi como tendo “uma sensação de claustrofobia intensa que só as coisas muito aborrecidas proporcionam“. O jornal português atribuiu a classificação mínima ao filme.

O público português terá hipótese de julgar por si mesmo, a partir de dia 14.