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Foto: divulgação

“Morte à morte!”. Virgílio Castelo na pele de um condenado

No ano em que se assinalam em Portugal os 150 anos da abolição da pena de morte, a Yellow Star Company leva à cena o espetáculo O último dia de um condenado, baseado na obra homónima do escritor Victor Hugo.

A personagem de Virgílio Castelo é um homem condenado à guilhotina, cujo nome e crime cometido ficam por revelar. Através de um monólogo, descobrimos os estados de alma do personagem, as suas dores e sofrimento, mas não nos são dadas informações acerca da sua biografia.

Terá sido intenção de Victor Hugo, à época, que este homem fosse o mais anónimo possível: um homem que poderia ser qualquer homem e ter cometido qualquer crime, porque circunstância alguma poderia justificar o acto que está prestes a ser executado para o castigar.

Este é um monólogo “não monocromático”, nas palavras de Virgílio Castelo, já que se invocam vários personagens com quem o protagonista se relaciona, criando momentos que variam entre o cómico e o dramático.

Publicado pela primeira vez em 1829 sem o nome do autor e novamente em 1932, já revelando a autoria e o prefácio assinado por Victor Hugo, a obra é um manifesto empenhado contra a pena de morte.

150 anos depois da abolição da pena de morte

Em 1867, Victor Hugo escreveu uma carta em que saudava Portugal por ser pioneiro na abolição da pena de morte e declarava que “a Europa imitará Portugal. Morte à morte!”.

Na carta, publicada no Diário de Notícias no dia 10 de julho do mesmo ano, as palavras transmitem o entusiasmo do escritor perante o feito histórico do país: “está pois a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história“.

Paulo Sousa Costa adaptou o texto e encenou a peça, que pretende chegar ao maior número possível de pessoas com um tema ao qual dificilmente se fica indiferente. Com esse objetivo em mente, está prevista uma digressão do espetáculo por vários locais do país no próximo ano.

 

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Foto: divulgação

Para veres até janeiro

O espetáculo está em cena em Lisboa no Teatro Armando Cortez até ao dia 28 de janeiro, de quinta a sábado, às 21h30, e aos domingos às 18h00.

Os bilhetes estão disponíveis online e nos locais habituais. O seu preço varia entre os 15 e os 18 euros.

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