A RTP1 começou a transmitir, esta sexta-feira (1), a série brasileira Sob Pressão. Aclamada pela crítica e pela audiência no Brasil, marcou um regresso, com pouca audiência, das produções da Rede Globo ao canal público.

O primeiro episódio teve a atenção de menos de 95 mil espectadores, chegando mesmo a ser ultrapassado pela RTP3 e pela CMTV. Esta audiência correspondeu a um share de 3,6%. Ou seja, em cada 100 televisores ligados, apenas quatro estavam sintonizados no canal público.

A melhor adesão à série registou-se entre os espectadores com 25 a 34 anos, junto dos quais conquistou um share de 6,2%. 20% do auditório do primeiro episódio pertencia a esta faixa etária.

A produção está dividida em nove capítulos e ocupa, na RTP1, uma faixa habitualmente dedicada à ficção europeia. No mesmo horário tinha sido transmitida anteriormente a série Happy Valley.

Nos últimos anos têm sido raros os momentos em que produções da Globo são transmitidas em sinal aberto por outros canais que não a SIC. A RTP foi detentora, em exclusivo, dos direitos de emissão dos produtos do canal brasileiro até 1994, ano em que a estação de Carnaxide se tornou parceira preferencial da Rede Globo.

Rotina sob pressão no Rio de Janeiro

Sob Pressão

Fotografia: Divulgação / Rede Globo

A história, que surge baseada num filme com o mesmo nome, é centrada em “duas vidas atormentadas pelos fantasmas do passado e que encontram, uma na outra, a cura para as suas almas doentes“. A Rede Globo coloca assim, lado a lado, “o cético Dr. Evandro (Júlio Andrade), cirurgião-chefe da equipe médica de um hospital público e a religiosa e eficiente Dra. Carolina (Marjorie Estiano), cirurgiã vascular que busca na fé o antídoto contra toda a miséria que enfrenta no dia-a-dia“.

Estes dois colegas têm em comum “o desejo de salvar vidas” e tentam encontrar um equilíbrio “entre as dificuldades do ofício e os conflitos íntimos para enfrentar a rotina no ambiente caótico e sob pressão de um serviço de urgência nos subúrbios do Rio de Janeiro“.

Sob Pressão, já com uma segunda temporada de 12 episódios encomendada, foi transmitida no Brasil entre 25 de julho e 19 de setembro de 2017. O argumentista Jorge Furtado sublinha como um ponto forte da série “o drama dos pacientes“, explicando que “todos os dias chegam ambulâncias de onde saem histórias de vida“. As histórias retratadas na série são “baseadas em casos reais, recolhidos junto das equipas de vários hospitais públicos“.

A colunista Patrícia Kogut, do jornal O Globo, destaca como mais-valias de Sob Pressão a forma como apresenta, “com subtileza e sensibilidade (…) a impotência dos médicos diante da precariedade recursos para trabalhar“, bem como “o desenrolar, acertadamente lento, de vários momentos da ação“.