Justice League: O esperado, infelizmente

Zack Snyder traz-nos o mais recente tomo do universo cinematográfico da DC. O que estava em jogo era muito e as fichas foram todas postas em cima da mesa. Infelizmente, não existem dúvidas: Justice League é um mau filme e uma entrada irrelevante no gasto universo de super-heróis adaptados a Cinema. Nem o orçamento milionário, nem o portentoso elenco podem corrigir isto.

Bruce Wayne (Ben Affleck) está decidido a reunir um grupo de autênticos heróis. Contando com a ajuda de Diana Prince (Gal Gadot), Wayne procura recrutar alguns indivíduos extraordinários, mas relutantes. Esta vontade do cavaleiro das trevas cedo se tornará uma necessidade, com o emergir de um perigoso vilão, Steppenwolf (Ciarán Hinds).

Uma mera desculpa

Se a sinopse parecer excessivamente simples, é porque de facto o é. Justice League cedo se revela como uma mera desculpa para um desfile de super-heróis. As pretensões para a presença de cada um no ecrã e os caminhos que percorrerão, individualmente e em grupo, são fracas.

Justice League carece de dois fatores essenciais em qualquer filme: um argumento coeso e uma realização sóbria. Zack Snyder, fiel a si mesmo, compõe um festival de atabalhoadas cenas de ação. A mínima desculpa é suficiente para explosões sucessivas, muito barulho e pomposos temas musicais.

O americano comprova não ter aprendido a lição com os restantes filmes da DC que já encabeçou, Man of Steel e Batman v Superman: Dawn of Justice. Este novo tomo cola-se ao modelo já estereotipado de filmes do género, não sendo capaz de trazer rigorosamente nada de novo.

Especialmente revoltantes são algumas decisões criativas anteriores a Justice League, e cujas consequências agora se sentem. Para um total desfrutar do filme, é necessário ao espetador ser um conhecedor do universo cinematográfico da DC. Sucedem-se as alusões a outros filmes e a backstories não explicadas. Mais ridícula ainda é a inclusão de heróis que ainda não foram devidamente explorados num filme a solo. O conhecimento das origens de Aquaman (Jason Momoa) e Cyborg (Ray Parker) era importante. As origens de Cyborg são especialmente pertinentes para a história de Justice League, ficando por explicar esta opção quando o seu filme apenas estreará em 2020.

De desconfiar

Já o argumento de Chris Terrio e Joss Whedon é, no mínimo, de desconfiar. A premissa apresentada por Justice League não é nova, e o seu desenvolvimento é o expectável. Começa pelo recrutamento, seguindo-se o conflito dentro do grupo e terminando num explosivo all-out que harmoniza o grupo de heróis ao combater um inimigo comum. O que Justice League tenta, já foi feito pelos Avengers, e melhor.

Por outro lado, Justice League cola-se ainda ao modelo dos Avengers graças à sua ênfase no humor. Começando por ser bem vinda, e personificada sobretudo por Ezra Miller, rapidamente esta vertente do filme se torna excessiva e forçada.

E por falar em forçado, Justice League traz-nos um dos mais pobres vilões do género. Espelho da falta de empenho colocada na história, Steppenwolf surge literalmente do céu de um momento para o outro. Também a este personagem seria essencial o conhecer do seu contexto e motivações. Algumas cenas de exposição excessiva parecem estabelecer ligações entre Steppenwolf e as Amazonas, bem como com Darkseid. Mas não é possível fazer tudo num só filme, e o resultado final é um patético vilão que quase nos faz ter saudades do overacting de Jesse Eisenberg.

Elenco não é a resposta

Também não está no sonante elenco a salvação de Justice League. Ben Affleck não carrega qualquer do entusiasmo do filme anterior, parecendo agora cansado do papel. Ray Fisher é entediante e nomes como Henry Cavill, Amy Adams ou J.K. Simmons não têm protagonismo suficiente para se fazerem notar.

Gal Gadot rouba, como sempre, muitas das cenas em que entra com a sua beleza e carisma. Jason Momoa é uma lufada de ar fresco e traz uma coolness muito necessária a Justice League. Já Ezra Miller está algures entre o cómico e o estupidificante na sua leitura de Flash.

Nunca é fácil reunir tantos heróis sob uma só direção. Mas a sensação que fica é que a DC não está, de todo, a seguir este complexo processo pelos passos certos. Os filmes continuam a parecer pouco coesos, individualmente e entre si. Não existe um esqueleto generalizado, uma bigger picture clara do que a DC está a tentar fazer com os seus heróis.

A verdade é que este pobre desfecho para mais um filme da DC já era esperado. Os problemas existem, sempre existiram, e dificilmente será um realizador tão limitado quanto Zack Snyder a resolvê-los.

5/10

Título original: Justice League
Realização: Zack Snyder
Argumento: Joss Whedon Chris Terrio
Elenco: Ben Affleck, Gal Gadot, Henry Cavill, Jason Momoa e Ezra Miller.
Género: Aventura, ação
Duração: 120 minutos

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