A Comédia Fantástica, do actor e dramaturgo Nöel Coward, estreou em 1941 no West End, em Londres, e desde aí que tem ido a cena nos mais distintos palcos. E até já valeu um prémio Tony à veterana Angela Lansbury.

O espetáculo está agora em cena, com encenação de Filipe La Féria, até dia 17 de dezembro, no Teatro Politeama. E o Espalha-Factos já foi assistir ao espetáculo que promete (e cumpre) ser uma “barrigada de rir”.

Carlos Quintas é Charles, um dramaturgo que está a preparar-se para escrever uma peça à volta do espiritismo e das ciências ocultas. E que, por isso, convida para jantar, na sua casa de campo inglesa a peculiar Madame Arcati (Cristina Oliveira), que irá conduzir uma sessão que o possa inspirar a criar uma personagem vigarista — na verdade, o nosso protagonista não acredita nada em espíritos e só quer “gozar o prato” um bocado, também na companhia da sua mulher (Helena Isabel) e do seu casal amigo (interpretado por Maria Henrique e Nuno Guerreiro).

a comédia fantástica

O problema é que a exótica médium acaba mesmo por invocar um espírito. E é assim, que a primeira, já falecida, mulher (Rita Salema) de Charles, lhe decide infernizar a vida, a si e à sua actual mulher (Helena Isabel). E, no meio do caos, a divertidíssima empregada Edith (Marina Alburquerque) tem de aturar as discussões conjugais.

Mas Charles não sabe o que há-de fazer: os amigos acham que está maluco, o espírito da sua falecida mulher quer tê-lo à força toda e a sua mulher não acredita em nada do que ele lhe diz — o feitiço virou-se contra o feiticeiro: afinal a Madame Arcati não é vigarista.

Um elenco cheio de grandes nomes

Por um lado, o elenco é, sem dúvida, de luxo. Atores experientes que fazem um excelentíssimo e meritório trabalho. Marina Alburquerque tem, por exemplo, uma força de expressão corporal maravilhosa e é capaz de fazer o público rir com um simples pulinho. E a personagem de Rita Salema também é absolutamente hilariante.

Por outro lado, de destacar o cenário (com a cortina da janela a mexer-se como se estivesse vento e os livros a certa altura a voarem todos das prateleiras como por magia), bem como os figurinos muito elegantes.

Uma peça cómica, mas também muito trágica, que nos faz reflectir sobre o que é ou não é politicamente correcto (e como as nossas máscaras podem cair a qualquer momento) e sobre os nossos preconceitos e a forma como a nossa presunção nos pode colocar em situações desconfortáveis: é a velha máxima “eu não acredito em bruxas, mas que as há, há” e o melhor é deixá-las sossegadas.

Até quando podes ver

A Comédia Fantástica pode ser vista no Teatro Politeama de quinta a sábado, às 21h30, e ainda sábado e domingo, às 17h00.

Os bilhetes estão à venda na bilheteira do teatro e na bilheteiraOnline e custam entre 10 e 25 euros.

Fotos de Inês Lopes da Costa.

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