Vitinho faz 30 anos e volta para nos dar novamente as suas doces boas-noites. Depois dos cereais e da televisão, o boneco do chapéu de palha e das jardineiras amarelas está nas bancas com uma coleção que promete agarrar pequenos e graúdos.

O pequeno Vitinho está de parabéns. Acumulando três décadas de existência, desde a sua estreia nas caixas de cereais, o desenho animado que encantou gerações está de volta e agora em livro.

Após nos ter deliciado com o sua música de boa-noite, Vitinho promete agora ‘aconchegar-nos’ à hora de dormir mas em formato de papel, com uma coleção de livros para crianças que inclui um volume para os pais.

O regresso do boneco neste formato surgiu porque, segundo José Maria Pimentel, criador de Vitinho, passados 25 anos, foi possível “ter acesso ao registo dele, porque prescreveu e a marca de cereais já não o queria”, conta em entrevista ao Notícias ao Minuto.

O artista afirmou que este boneco se tornara “tão presente na vida das pessoas que era giro continuar”.

Para o ‘pai’ de Vitinho, é certo que o boneco com o “V” ao peito, assim “como os super-heróis”, adquirira uma autoridade institucional e pedagógica, podendo deste modo fazer com que, agora em livro, os pais o escutassem relativamente a comportamentos, política, entre outros assuntos que pudessem sugerir recomendações.

Vitinho

‘Um dia vou ser grande’ é o primeiro volume da coleção de Vitinho | Foto: Wook

Editada pela D. Quixote, a nova versão de Vitinho é algo parecida com Jiminy Cricket, o “grilo da consciência” de Pinóquio.

Segundo o criador do desenho animado, o boneco que nos acompanhava na hora de deitar deveria surgir atualmente como uma personagem que propusesse “coreções aos comportamentos” e criasse “hábitos e rotinas saudáveis”. Para José Maria Pimentel só assim funcionaria.

Desta forma, apesar de dificilmente alcançar a mesma escala de há 30 anos, Vitinho “teria adesão. Porque é urgente e porque as pessoas lhe reconhecem autoridade pedagógica para isso”.

Com dois volumes da coleção de livros para crianças já editados (É a dormir que se cresce! e Um dia vou ser grande!), José Maria Pimentel lembrou-se ainda de criar O grande livro de Vitinho, um livro a pensar nos “miúdos que se iam deitar com o Vitinho, a geração Vitinho, que são os pais dos miúdos de agora”.

A coleção em livro é, assim, uma “recolha do que foram os 30 anos de Vitinho”.

Vitinho

‘O grande livro do Vitinho’ é a obra editada especialmente para os pais. | Foto: Wook

Caso estejas curioso para recordar aquelas maravilhosas memórias de infância, podes encontrar O grande livro à venda nas bancas por 17,91 euros. No entanto, caso o objectivo seja adormecer os mais novos, fica a saber que podes adquirir os dois volumes por 6,26 euros cada um.

“Está na hora da caminha, vamos lá dormir!”

No início da década de 1980, a pedido de uma marca de cereais, José Maria Pimentel desenhou Vitinho para a agência de publicidade onde trabalhava, pensando que o boneco se desvanecia ao fim de seis meses.

Contudo, o menino de chapéu de palha e jardineiras amarelas, com um V ao peito como os super-heróis, saltou para os ecrãs da televisão a 16 de outubro de 1986 e os seis meses passaram a anos.

Com a rubrica Boa Noite na RTP, Vitinho acabaria por marcar uma geração. “Está na hora da caminha, vamos lá dormir! Vê, lá fora as estrelas dormem a sorrir” eram os primeiros versos de uma música que embalou milhões de crianças.

“Costumo falar do Vitinho como um miúdo, alguém que existe de facto, não só por ser animado, mas porque ganhou no meu dia-a-dia uma alma”, referiu o criador em entrevista ao Notícias ao Minuto.

José Maria Pimentel afirma que talvez pela forma como se projeta em Vitinho, como desenha e concebe histórias, como se de facto ele existisse mesmo, além do efeito de repetição em televisão, tenha contribuído para a notoriedade e sucesso que a personagem ganhou ao longo do tempo.

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