Teresa Calçada, nomeada em março comissária do Plano Nacional de Leitura (PNL), admite que os primeiros dez anos do projeto foram uma inspiração, mas ressalva os desafios que a próxima década traz, dado que “ler não está na moda”.

No passado dia 6 de novembro, decorreu, na Fundação Calouste Gulbenkian, a Conferência Presente-Futuro: a Urgência da Leitura (uma iniciativa da equipa do PNL 2027).

Dias antes do debate sobre políticas de leitura e escrita favoráveis às múltiplas literacias que a atualidade exige, Teresa Calçada nomeava alguns dos obstáculos que a promoção da leitura pode enfrentar até 2027, antecipando assim as discussões que dariam mote à conferência.

“Ler não está na moda”

Em declarações enviadas ao Observador, a Teresa Calçada começa por ressalvar que a leitura não é uma prática bem-vista.

“Nenhum miúdo se esconde de dizer os seus gostos musicais, mas livros, dizerem uns para os outros de livre e espontânea vontade, é muito difícil. E isto é cultural.”

A comissária garantiu que existem múltiplas estratégias que estão a ser preparadas, sabendo, contudo, não existir nada que faça com que os portugueses passem a ver a leitura como um hábito.

Reforçou ainda que o papel e o digital não estão em guerra aberta nem se omitem entre si. Teresa Calçada reconhece nos jovens e na sociedade atual a urgência do digital, considerando que esse valor acaba pro estar acima de todos os outros.

Plano Nacional de Leitura 2027: pela valorização da leitura

O projeto estreia-se, oficialmente, também para adultos com vários níveis de formação e grande parte do PNL contará com parcerias institucionais e de vários organismos, consoante as necessidades.

Teresa Calçada adianta ainda que:

“O PNL conseguiu constituir-se como uma marca, o que não é fácil, e essa marca ajudou a um dos objetivos primeiros do Plano: Valorizar a leitura.”

A disseminação deste plano, quer pelas escolas, quer pelas famílias, entre os alunos e os professores é o reconhecimento de que a leitura não está presente nos seus quotidianos. Ainda assim, é o resultado de uma política movida pela valorização do ato de ler.

Relativamente à lista de recomendações, a comissária defende uma política de difusão reforçada junto dos portugueses.

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