Amadora BD — Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora está  a chegar ao fim: acaba já este domingo, dia 12 de novembro. Mas, antes disso, o Espalha-Factos mostra-te o que viu no passado fim de semana e conta-te um pouco como é perder-se no meio da 9.ª arte e ficar, pelo menos, uma hora à espera de autógrafos.

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O Rio Salgado

Uma exposição focada em O Rio Salgado, o primeiro romance gráfico do alemão Jan Bauer, publicado em português pela editora Polvo. Conta uma história de amor terno e inesperado, com paisagens laranja e turquesa, que fazem sonhar.

Revisitar a Visão

A exposição bibliográfica Revisões, edição da editora Chili com Carne, invoca a extinta Visão, uma revista dedicada à banda desenhada, publicada por Vítor Mesquita. Embora a cenografia não ajude na hora de nos aproximarmos das páginas de BD, aplaude-se o grafismo vanguardista de autores como Carlos Zíngaro — um ilustrador e autor de banda desenhada que também é músico.

Tecto da Biblioteca

Não é propriamente uma exposição. É mais um exercício de decoração que entretém por breves momentos — ou um pouco mais para quem se dá ao trabalho de consultar o guia para identificar os personagens, retratados por Rui Pimentel e que se encontram (como o nome da alegada exposição indica) no tecto. E o que se vê — caricaturas de personagens da literatura, do cinema, da história e da banda desenhada — é uma reprodução do que o arquitecto fez para outro tecto, o da sua biblioteca pessoal.

Jack Kirby

Jack Kirby é uma lenda do mundo dos comics. Co-criador com Stan Lee das personagens mais icónicas da Marvel dos anos 60, acabou por se afastar da editora e começou, no início da década de 70, a trabalhar para a concorrência, a DC, com quem já tinha colaborado nos anos 40 e 50. Foi, assim, que criou o Quarto Mundo, uma mitologia de ficção científica que gira em torno de antigas divindades do espaço, os Novos Deuses.

A exposição, comissariada por Mário Freitas, destaca alguns dos momentos mais marcantes da carreira de Kirby. E Mike Royer, um dos seus colaboradores, esteve presente no festival.

Nem todos os cactos têm picos e The Lisbon Studio

Conseguimos uma geribéria e um lírio, no interior de dois exemplares de Nem todos os cactos têm picos, de Mosi. É a nova banda desenhada da jovem autora, que teve a sua estreia em língua inglesa no festival Thought Bubble, em setembro último. A apresentação do livro decorre hoje, 11 de novembro, às 15h, com a presença do seu editor, Rui Brito, da editora Polvo. Sempre simpática, não tinha mais que uma pessoa das duas vezes que a visitámos no espaço para os autógrafos — resta dizer que não percebemos porquê.

Quanto ao The Lisbon Studio, já se contam duas antologias, a primeira sobre Cidades e a segunda sobre o Silêncio. Para conseguirmos autógrafos de todos os autores desta última obra foi necessária pelo menos uma hora em pé. A maior parte dos autores mostrou-se bem disposto, apesar de tantas horas a desenhar — sim, os autógrafos dos ilustradores são sempre desenhos mais ao menos elaborados.

O espaço onde se pode não só comprar livros, muitas vezes com acesso a descontos, mas sobretudo entrar em contacto com os autores (argumentistas e ilustradores) é, sem sombra de dúvida, incontornável. Não há quem não se perca nas bancas e sabe tão bem ter uma obra — seja um álbum, um romance gráfico, um comic, uma antologia ou uma fanzine —autografado, de preferência com uma ilustração única, feita especialmente para nós.

E este fim de semana?

Este fim de semana é, pelo menos, para ver o resto das exposições do piso -1, entrevistar a Mosi e conseguir um autógrafo de Grazia La Padula, a ilustradora de Ecos Invisíveis, de Tony Sandoval (editado em Portugal pela Kingpin Books). E não esquecer também de dar um salto à banca da editora Goody, pela primeira vez no Amadora BD.

Fotos de Raquel Dias da Silva.