No terceiro e último dia da Web Summit, o CentreStage recebeu Alexander NixCEO da Cambridge Analytica e Matthew Freud, fundador e responsável pela Freud Communications. A conversa, em forma de entrevista, focou-se no trabalho da Cambridge Analytica, responsável pelo processamento de dados nas campanhas de Trump e pró-Brexit

Nix começou por abordar a importância da análise de political data para se endereçar os públicos e dar foco às tecnologias publicitárias. A sua intervenção centrou-se essencialmente no panorama das eleições norte-americanas. O investigador afirma que “a ciência de dados não consegue produzir um bom candidato”. Abordando a estratégia da campanha de Trump, Nix refere que é fundamental “ter os dados e a tecnologia certa”.

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Perante a quantidade de informação a que Alexander tem acesso, o entrevistador demonstra uma preocupação com a sua utilização. Freud questiona então se durante ambos os processos democráticos “alguma vez se foi longe demais”. O CEO é claro e afirma que apesar da importância dos dados e do seu poder a intenção terá sido sempre “possibilitar uma decisão informada”. 

O entrevistador vai mais longe, conquistando até uma grande ovação do público, ao questionar o seu entrevistado sobre a existência de algum tipo de “desconforto” em trabalhar com determinados candidatos ou campanhas. Nix responde destacando as cerca de 4000 mil campanhas desenvolvidas nos Estados Unidos da América e afirma que o importante é “ser objetivos, servir os clientes e dar ferramentas para guiar as campanhas da melhor forma possível”. 

Devemos ter medo de si?

Será que Donald Trump Vladimir Putin vão falar de si?” perguntou o entrevistador relativamente ao encontro entre ambos os líderes na próxima semana. Num tom moderado, Alexander respondeu que “nunca consideraria trabalhar para um third state actor, tal como a Russia”. 

Afirma ainda não acredita na história da influência russa nas eleições americanas porque “não haveria tempo ou recursos para o fazer”. O CEO reforça reforça que não é o líder de uma organização política, mas sim tecnológica. Justificando a escolha dos seus clientes através de um olhar de cariz “negocial, sem realizar nunca uma decisão estritamente comercial”.

Nix escolhe antes afirmar que nunca trabalharia para um candidato que pudesse “ferir a reputação” da sua empresa. Matthew Freud comenta apenas dizendo “camadas e camadas de ironia” numa clara alusão a Trump. 

Numa última interpelação, Freud questiona se devemos ter medo das quantidades de data que a Cambridge Analytica possui sobre os públicos.  Nix afasta a ideia de que possa estar a desenvolver um “God complex”. O líder da empresa afirma que todos os dados que possui são benignos, que não existe conteúdo revelador e que tudo se restringe a preferências comerciais. 

Alexander explicita que “a comunicação está a mudar e não só aquela que diz respeito à política”. O entrevistador aproveita a deixa e pergunta de se não devemos olhar para a “bigger picture”  no que toca à utilização destes dados para outros fins. Devemos atacar problemas e não explorar oportunidade” diz  Freud.