Web Summit

Web Summit 2017: Facebook em silêncio sobre necessidade de proteção da democracia

No primeiro dia da segunda edição da Web Summit em Portugal, Stan Chudnovsky,  responsável pelo desenvolvimento da aplicação do Facebook Messenger, subiu ao Centre Stage. O developer do Facebook viria a protagonizar um dos momentos do dia, quando foi incapaz de garantir que a rede social evitaria o seu uso com fins de manipulação política.

À margem de uma talk sobre o futuro das conversações online, a jornalista Laurie Segall introduziu o polémico tema da ética na tecnologia. Apesar de algumas considerações sobre a transparência no diálogo com bots e pessoas, e do tempo usado para desmistificações relativamente aos anúncios relacionados no Facebook, foram as eleições norte-americanas de 2016 que voltaram a fazer escorrer tinta.

Qual o papel do Facebook na proteção da democracia?”

Quando questionado acerca do impacto dos anúncios russos no ato eleitoral, atualmente em discussão no Congresso norte-americano, Chudnovsky quis “certificar que não volta a acontecer“.

No entanto, perante a insistência de Segall na clarificação do “papel do Facebook na proteção da democracia“, o desconforto começou a torna-se visível. O representante da empresa de Mark Zuckerberg optou por não responder, escudando-se na mais recente declaração do CEO sobre o assunto, proferida em outubro.

Perante uma última tentativa da profissional da CNN, que apela a que seja tornada clara a distinção entre factos políticos e opiniões ou suposições, Chudnovsky não vai além de relembrar a resposta do fundador do Facebook, afirmando não ter tempo para abordar a questão. “É o tipo de perguntas que não se pode responder em dois minutos“, numa tentativa de aproximação do fim da sua intervenção.

Um silêncio ensurdecedor, que nem a conversa sobre o passado do informático na psicologia ou a recordista meta que a rede social tem para o seu número de utilizadores conseguiram apagar.

Inteligência Artificial e Realidade Virtual também agitaram debate

A polémica em torno da política nos Estados Unidos não foi a única questão que dominou o debate. Inteligência artificial e realidade virtual, bem como os seus perigos e benefícios, motivaram o início do diálogo com Stan Chudnovsky com Laurie Segall à margem do tema The Evolution of Conversation.

O afirmou a sua confiança em que “as conversas vão migrar para as plataformas digitais”. A questão para si será: “Queremos mesmo falar com alguém quando podemos mandar mensagens?”.

A audiência assistia, quase apaticamente, à sua conversa quando chegamos ao que realmente o traz ao palco da Web Summit. As ferramentas para as empresas poderem comunicar com os seus clientes, os ditos bots, enquanto inteligência artificial.bots estão agora a lidar com parte das conversas entre as empresas e clientes.

O paralelismo aqui será ver estes novos mecanismos como “alternativa aos serviços ao cliente telefónico”. O próximo passo será a possibilidade de efectuar pagamentos dentro do próprio Messenger. Para tal Chudnovsky revela estar a trabalhar com o PayPal, empresa que liderou até 2014, e com a Visa, na tentativa de concretizar esta nova etapa.

Ainda abordando a questão dos chatbots, discutem-se os limites que esta ferramenta tem em responder com eficiência e rapidez às necessidades dos utilizadores. A tentativa aqui será para não exista uma quebra na conversa, já que, até ao momento, a incapacidade de dar uma total resposta obrigue a que o serviço seja repartido entre o sistema de AI e trabalhadores do Facebook.

 

Stan Chudnovsky
Stan Chudnovsky

Fotografia: João Marcelino

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