Na manhã do segundo dia da Web Summit, a conversa com Brad Parscale mediada por Michael Isikoff relativa à administração de Trump descambou rapidamente, dividindo-se entre apupos em forma de protesto e ovações. 

Na segunda edição da Web Summit em Lisboa todas as atenções estão especialmente focadas no papel dos media face ao espectro social e político. Um dos momentos mais esperados foi a conversa com Brad Parscale, diretor da campanha digital do Presidente norte-americano Donald Trump. A talk, com o tema “The Trump effect, one year on“, procurava averiguar qual o futuro da presidência do controverso líder americano e qual o seu impacto no resto do mundo. Como colega de painel, Parscale tinha o chefe de investigação correspondente da Yahoo! News.

Logo numa das primeiras intervenções do diretor de campanha a discórdia instalou-se, não tivesse o mesmo afirmado que “Donald Trump é o melhor presidente da história dos Estados Unidos da América”. A conversa foi seguida com especial atenção por parte da plateia.

A questão que abriu o debate foi: “Qual foi a arma secreta da campanha digital de Trump?”. Parscale afirmou que a grande vantagem da sua campanha terá sido o próprio Trump, enquanto produto publicitário e comercial.

O orador vai mais longe ao reforçar uma afirmação já proferida: “ganhámos as eleições através do Facebook“. Parte da estratégia terá passado pela captação de donativos e pela campanha (avaliada em cerca de 300 milhões de dólares) executada nas diferentes plataformas.

O responsável da campanha revelou ainda que trabalhou juntamente com funcionários do Facebook de forma a aproveitar da melhor forma a ferramenta digital. “Micro-targeting de anúncios para uma audiência especifica” foi parte da estratégia para conseguir “gerar uma doação de mais de 1 dólar através de anúncios que custassem menos de 1 dólar”, argumentou Parscale

I can’t take back what I already tweeted

A discussão, que até aqui tinha sido relativamente discreta, ganha um outro tom quando Isikoff confronta Parscale com a falta de investimento em infraestruturas que, na sua opinião, não corresponde às promessas de Trump. O público foi rápido em ovacionar o jornalista, apupando de imediato o orador quando este afirmou “ainda há tempo para isso“. Os temas dominantes seriam doravante o “health care”, a controvérsia da Cambridge Analytica (empresa de processamento de dados) e os anúncios russos.

Quando questionado sobre os bots russos e a sua exploração do eleitorado de Trump, Parscale reforçou a sua posição, afirmando claramente desconhecer o sucedido e apoiando as investigações que decorrem por estes dias.

Numa última abordagem ao tema, Isikoff explorou o caso da conta de Twitter que alegava ser do Partido Republicano, mas que era na verdade controlada a partir da Rússia. Parscale, que durante a campanha “retweetou” uma das publicações da referida conta, afirmou não se sentir manipulado. O responsável de conteúdos disse ainda não “não falar pelo presidente” e que “teremos de deixar os factos falar por si mesmos”. 

Numa última abordagem, discutiu-se já a possível reeleição do actual presidente. A isto o diretor da campanha digital de Trump respondeu que tudo será mais fácil “se Trump continuar a tweetar”, adiantando que “as pessoas querem políticos que não se contentem com a imagem que os media constroem para eles”. Parscale deixou ainda clara a sua ambição de voltar a trabalhar com o líder americano nas próximas eleições.

No público houve ainda a oportunidade de se ouvir o nome “Hillary Clinton!” enquanto os oradores se despediam. Ao mesmo tempo, os aplausos dividiam-se entre a congratulação da “destreza” de Isikoff e a moderação de Parscale.