O primeiro dia de conferências e conversas da Web Summit 2017 mexeu com os mais variados assuntos, desde a inteligência artificial ao desporto. As vozes do desenvolvimento tecnológico associado ao desporto foram personalidades nacionais e internacionais que ensinaram a milhares de ouvintes as mudanças que estão a decorrer, mas também alertaram para as que estão a chegar.

O palco Sports Trade (ativo apenas no dia 7) foi inaugurado por Pedro Proença, antigo árbitro nacional e internacional e atual presidente da Liga Portuguesa de Futebol.

O seu breve discurso e apresentação basearam-se na e-liga. Traduz-se num ecossistema digital, já implementado em Portugal, capaz de conectar os clubes, a liga, os árbitros, os media e o público.

Esta “ferramenta única na indústria do futebol”, como caracteriza Pedro Proença, permite a permuta de informação entre os árbitros e a liga, durante o jogo e ao minuto. Desta forma, os dados chegam mais rapidamente aos restantes media e, posteriormente, ao público. Os factos de um jogo de futebol são recolhidos por um relógio Gear S3 e são depois “despejados” num Galaxy Tab S2.

Toda esta tecnologia é suportado por uma parceria entre a Liga e a Samsung. O objetivo? Produzir um espetáculo cada vez mais completo e eficiente para os amantes do futebol.

Proença fechou o seu tempo afirmando que “o talento está no nosso ADN”. Referia-se não só aos jogadores portugueses, mas também à capacidade nacional de inovar e de se desenvolver.

Outra das conversas mais interessantes e pertinentes sobre a temática foi encabeçada por Barbara Slater, diretora de desporto da BBC. Confrontada com questões sobre a rivalidade entre canais pelo streaming de eventos desportivos, Barbara respondeu que “a batalha do desporto é uma batalha por atenção”. “Existem rivalidades, mas também algumas parcerias”, acrescentou.

Barbara adiantou ainda que a BBC tem sido muito cautelosa nos avanços tecnológicos que faz nas suas transmissões. Quando abordada com o tema “televisão 3D”, explicou que ainda existiam falhas naquele tipo de transmissão. Falhas essas que estavam ainda por ser colmatadas.

Quanto à realidade aumentada, afirma que não é ainda uma necessidade, mas que pode vir a ser muito útil no futuro. “É um período excitante para o desporto, pelos caminhos que se pode tomar. As pessoas querem estar mais perto, atrás das cenas e conhecer a história que está por trás.”

Um outro momento interessante sobre desporto foi a conversa com Domingos Oliveira, CEO do Sport Lisboa e Benfica. “Legacy vs money: how can clubs compete?”, abordou a situação dos clubes com menos possibilidades financeiras em ter as mesmas possibilidades em grandes competições e na corrida pela compra de jogadores.

Domingos Oliveira salientou a dificuldade que um clube como o Benfica tem em manter os seus jovens talentos. “O maior desafio para um clube grande como o Benfica e um país pequeno como Portugal, é retê-los [aos jovens jogadores].

Domingos Oliveira, CEO SL Benfica WS2017

O CEO dos “encarnados” salientou ainda que o clube procura novas formas de investimento além fronteiras. Esse investimento não serve para impedir a saída desses jogadores, mas sim para a retardar e para espalhar o nome “Benfica”. “Em vez de nos queixarmos, decidimos expandir a nossa marca pelo mundo”, disse.

O que fica patente é a necessidade de criar ainda mais ligações entre o desporto e o desenvolvimento tecnológico, para que se possa beneficiar e apreciar, ainda mais, esta forma de entretenimento.