Foto: Pixabay

‘O Que Fazer?’: a obra que inspirou a revolução russa

O Que Fazer?, o único romance de Tchernichévsky, ditou o fim dos Czar e mudou o rumo da história. Se este livro não tivesse sido escrito, talvez a revolução russa não tivesse existido e a União Soviética não tivesse sido criada.

A Revolução de Outubro mudou o século XX e, desde 1917, que o dia 7 de novembro (segundo o calendário gregoriano) assinala o nascimento do primeiro país comunista da história.

Passados 100 anos da Revolução Bolchevique, a Guerra e Paz Editores lança agora a obra que inspirou o ímpeto revolucionário de Lénine.

O Que Fazer?, o único romance de Nikolai Tchernichévski, chega dia 15 de novembro a Portugal, sendo publicado pela primeira vez na língua de Camões.

A obra que, segundo conta a editora em comunicado, “incendiou paixões revolucionárias”, é adaptada, por Ana Salgado, 155 anos depois de ter sido escrita na prisão pelo democrata radical russo.

O Que Fazer
Foto: divulgação

O Que Fazer?, que conta com 440 páginas e pode ser adquirido por 25,90 euros, tornou-se leitura obrigatória para a juventude russa nos finais do século XIX, levando a que, décadas mais tarde, os seus ideais de amor e subversão derrubassem a ancestral dinastia dos Romanov.

Talvez por ter sido escrito por “um dos maiores expoentes da inteligência entre as décadas de 1850 e 1860”, o romance de Tchernichévski também tenha fascinado Karl Marx que aprendeu russo propositadamente para o ler.

Sobre o romance

Nikolai Tchernichévski chegou a ser crítico literário da revista Sovremennik (O Contemporâneo, em português), na qual permaneceu durante 9 anos, até 1862, ano em que é preso por ser acusado de agitação política ao participar na elaboração de um panfleto.

Assim, detido e impedido de redigir ensaios filosóficos e literários, o autor pediu autorização ao Governo para escrever um romance, como forma de passar o tempo.

Ao fim de quatro meses de detenção, fazendo uso de truques literários para passar incólume pela censura, o autor apresentou uma história, aparentemente inócua, sobre uma jovem que busca a felicidade e a libertação como mulher em experiências cooperativas.

Tal levou a que “um vírus” imprevisível “de radicalismo pró-revolucionário” se espalhasse pela classe intelectual russa.

A jovem, de seu nome Vera, juntamente com mais dois amigos e amantes, Lopukhov e Kirsanov, dedicam-se à revolução e à utopia. Contra a tirania da moralidade e da sociedade da época, os três lavram o seu caminho, tornando-se livres.

Contudo, Rakhmetov, a figura misteriosa do livro, é a personagem de eleição para Lénine. Esse parece ter revelado ao líder dos Bolcheviques o caminho a seguir: o da revolução.

Com o mesmo papel de Rakhmetov, cujo objectivo passava por instruir e iniciar o processo de mudança, além de se mostrar o arquétipo da perfeição, Lénine torna-se o pai da União Soviética.

Lê também: DIAS DO DESASSOSSEGO INVADEM LISBOA EM NOVEMBRO

Zeen is a next generation WordPress theme. It’s powerful, beautifully designed and comes with everything you need to engage your visitors and increase conversions.

Mais Artigos
Teatro Nacional de São João
Desconfinamento. Já há regras para o regresso dos eventos culturais