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‘O Que Fazer?’: a obra que inspirou a revolução russa

O Que Fazer?, o único romance de Tchernichévsky, ditou o fim dos Czar e mudou o rumo da história. Se este livro não tivesse sido escrito, talvez a revolução russa não tivesse existido e a União Soviética não tivesse sido criada.

A Revolução de Outubro mudou o século XX e, desde 1917, que o dia 7 de novembro (segundo o calendário gregoriano) assinala o nascimento do primeiro país comunista da história.

Passados 100 anos da Revolução Bolchevique, a Guerra e Paz Editores lança agora a obra que inspirou o ímpeto revolucionário de Lénine.

O Que Fazer?, o único romance de Nikolai Tchernichévski, chega dia 15 de novembro a Portugal, sendo publicado pela primeira vez na língua de Camões.

A obra que, segundo conta a editora em comunicado, “incendiou paixões revolucionárias”, é adaptada, por Ana Salgado, 155 anos depois de ter sido escrita na prisão pelo democrata radical russo.

O Que Fazer
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O Que Fazer?, que conta com 440 páginas e pode ser adquirido por 25,90 euros, tornou-se leitura obrigatória para a juventude russa nos finais do século XIX, levando a que, décadas mais tarde, os seus ideais de amor e subversão derrubassem a ancestral dinastia dos Romanov.

Talvez por ter sido escrito por “um dos maiores expoentes da inteligência entre as décadas de 1850 e 1860”, o romance de Tchernichévski também tenha fascinado Karl Marx que aprendeu russo propositadamente para o ler.

Sobre o romance

Nikolai Tchernichévski chegou a ser crítico literário da revista Sovremennik (O Contemporâneo, em português), na qual permaneceu durante 9 anos, até 1862, ano em que é preso por ser acusado de agitação política ao participar na elaboração de um panfleto.

Assim, detido e impedido de redigir ensaios filosóficos e literários, o autor pediu autorização ao Governo para escrever um romance, como forma de passar o tempo.

Ao fim de quatro meses de detenção, fazendo uso de truques literários para passar incólume pela censura, o autor apresentou uma história, aparentemente inócua, sobre uma jovem que busca a felicidade e a libertação como mulher em experiências cooperativas.

Tal levou a que “um vírus” imprevisível “de radicalismo pró-revolucionário” se espalhasse pela classe intelectual russa.

A jovem, de seu nome Vera, juntamente com mais dois amigos e amantes, Lopukhov e Kirsanov, dedicam-se à revolução e à utopia. Contra a tirania da moralidade e da sociedade da época, os três lavram o seu caminho, tornando-se livres.

Contudo, Rakhmetov, a figura misteriosa do livro, é a personagem de eleição para Lénine. Esse parece ter revelado ao líder dos Bolcheviques o caminho a seguir: o da revolução.

Com o mesmo papel de Rakhmetov, cujo objectivo passava por instruir e iniciar o processo de mudança, além de se mostrar o arquétipo da perfeição, Lénine torna-se o pai da União Soviética.

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