saramago
Foto: página oficial de Julián Fuks no Facebook

‘Ocupação’ é o próximo livro do vencedor do Prémio Saramago

O escritor brasileiro Julián Fuks, vencedor do Prémio José Saramago, prepara já o seu próximo livro. A Resistência, obra galardoada, vai dar lugar ao sofrimento, à miséria e à pobreza em Ocupação, cujo lançamento é esperado no final de 2018.

O livro, que se encontra ainda numa fase muito prematura, vai abordar esses temas fortes, reflexo da imigração e dos refugiados sírios e de países latinos como o Peru e o Uruguai.

Contudo Ocupação não se vai restringir apenas a retratar a pobreza específica de cada caso, indo antes ao encontro de “um sistema global que fere iniquidades e desigualdades”, pode ler-se num comunicado enviado à imprensa.

“Uma ocupação do centro de São Paulo (cidade brasileira) por moradores sem teto”, com os quais Julián Fuks foi convidado a viver algum tempo, é o ponto de partida deste livro que refere ainda a “globalização do sofrimento”.

O autor, que se considera um apoiante de “uma literatura em diálogo franco com a realidade do mundo“, não tem dúvidas que na sua nova obra vai denunciar o que crê ser uma miséria global.

Escrever é “um imperativo”

Em conversa com os leitores do Folio, Festival Literário Internacional de Óbidos, sobre a sua carreira, Julián admitiu que escrever é para si “um imperativo” que expressa através dos livros, nos quais aproveita, por vezes, para exorcizar os seus “fantasmas” e os dos outros.

Exemplo disso foi o seu mais recente livro, que lhe valeu o Prémio José Saramago. Nele é retratada a história da sua família, oriunda da Argentina, de onde partiu em 1976, quando se deu o golpe de Estado. Este derrubou a presidente María Estela Perón e instaurou o poder ditatorial de uma junta militar, que governou o país com grande violência até dezembro de 1983.

LÊ TAMBÉM: JULIÁN FUKS E A RESISTÊNCIA: QUEM É ESTE AUTOR QUE VENCEU O PRÉMIO JOSÉ SARAMAGO?

Sob uma “pressão paradoxal”

Quando fala da sua mais recente galardão, o escritor confessou sentir-se numa “pressão paradoxal”, na medida em que encara a “a responsabilidade de escrever mais e melhores livros“.

Por um lado, o público exige mais livros, enquanto que pelo outro, o autor sente que precisa de distanciamento e tempo para a escrita.

Julián Fuks admitiu ainda a possibilidade de vir a lançar o seu novo livro em Portugal, durante o Folio do próximo ano.

LÊ TAMBÉM: NO PORTO O HALLOWEEN COMEMORA-SE NA LIVRARIA LELLO