Sim, é verdade! A espera interminável está quase a acabar. A série original da Netflix que fez furor no último ano, Stranger Things, está de volta para uma segunda temporada, a estrear esta sexta-feira (27).

A história debruça-se sobre a busca de um rapaz que desaparece misteriosamente. Nessa procura, são essenciais os seus amigos Mike, Dustin e Lucas, aos quais se junta Eleven. A produção dos Duffer Brothers que conta com um elenco de luxo, onde se encontram nomes como Winona Ryder e David Harbour, concilia a ficção-científica, o mistério, o suspense, trazendo-nos também uma seleção musical de elite.

Como fanbase dedicada, achámos por bem fazer um artigo de rescaldo da primeira temporada, onde vos apresentamos aqueles que foram para nós os seus melhores momentos musicais.

Por isso, sem mais demoras, vê o nosso juízo sobre a banda sonora da primeira temporada de Stranger Things.

Toto – Africa (Episódio 1)

Aquele jam que provavelmente faz parte da playlist de uma boa parte dos pais. Aqui é usada para engradecer aquela que poderia ter sido a primeira cena romântica de Stranger Things. O estudo de Nancy Wheeler (Natalia Dyer) e Steve Harrington (Joe Keery) estava prestes a avançar para algo mais íntimo. A atmosfera e a banda sonora eram ideais, mas Nancy ainda não se sentia totalmente presa aos encantos de Steve. O romance é imediatamente suspenso.

Fica só a memória da bateria de Toto e de um momento que tinha tudo para dar certo, mas que ficou pendurado à “chuva”.

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The Clash – Should I Stay or Should I Go Now (Episódio 2)

Este tema está associado a uma das cenas mais marcantes desta série e que, de certa forma, contribuiu para que a música ficasse sempre associada a Will Byers (Noah Schnapp).

Numa viagem de carro que leva Jonathan Byers (Charlie Heaton) para longe de Hawkins, o clássico dos Clash surge na rádio, conduzindo-nos a uma memória da personagem. Nela, Jonathan faz o papel típico do irmão mais velho, mostrando as bandas e artistas que ouve ao mais novo, sendo que é este a música que ambos estão a ouvir.

Para além de uma cena onde se pode compreender a complicada relação que os jovens mantêm com o pai, vemos que a própria banda sonora tem influência na mensagem que Jonathan tenta passar ao irmão mais novo: não devemos ter vergonha daquilo que somos, nem mudar aquilo de que gostamos para agradar aos outros.

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Foreigner – Waiting For A Girl Like You (Episódio 3)

O início do episódio 3 inicia-se com esta canção bem romântica como banda sonora de uma cena de amor entre Nancy e Steve (agora, sim, a primeira). Contudo, ao mesmo tempo, Barb (Shannon Purser) acorda no Upside Down, esquecida pelos seus amigos.

No encadeamento de cenas entre o casal e a jovem a tentar salvar-se, a balada dos Foreigner deixa de ser o pano de fundo de um momento bonito a dois, para passar a ficar ligada com o fim trágico de uma das personagens mais queridas da primeira temporada.

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Peter Gabriel – Heroes (Episódio 3)

Em nada se parece como o original, mas também é de Peter Gabriel que falamos, pelo que não ficamos desapontados. O homem que liderava os Genesis dá voz a um dos momentos mais tristes da temporada.

Um corpo semelhante ao de Will é retirado de um lago, enquanto o quarteto fantástico desta série assiste em choque. A sonoridade melancólica empresta um tom ainda mais sombrio a uma cena, onde vimos os pequenos heróis de Stranger Things a perderem a fé num reencontro com o seu amigo.

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Joy Division – Atmosphere (Episódio 4)

O tema dos Joy Division surge na primeira cena do episódio que se segue ao encontro do suposto corpo de Will. Observamos a reação das personagens, as quebras emocionais de Hopper (David Harbour) e Jonathan, mas, por outro lado, a resiliência de Joyce (Winona Ryder). A música acaba por ser também uma tradução do apelo que as personagens concebem para Will: “Don’t walk away in silence!” Todos precisam de respostas para o desaparecimento de Will.

A cadência da música, que cresce lentamente até a um refrão imponente, parece sugerir que todas as perguntas serão esclarecidas, ainda que o caminho seja longo.

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Dolly Parton – The Bargain Store (Episódio 6)

Revelando um pouco da versatilidade musical presente em Stranger Things, o tema de Dolly Parton ornamenta uma cena que, à partida, parece não ter grande relevo para a história, mas que, na verdade, mostra a proatividade de mais uma dupla na derrota do Upside Down.

Nancy (Natalia Dyer) e Jonathan juntam-se para encontrar Will e, nesta cena, vemo-los a abastecerem-se de armas e materiais para “caçar monstros”, mas esta cena marca também o início de uma relação fulcral no enredo. O country pop-ish de um dos mais emblemáticos rostos do Tennessee confere uma certa simplicidade e inocência ao momento, bastante caricato, na verdade.

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Moby – When It’s Cold I’d Like to Die (Episódio 8)

Depois de uma temporada a assistir ao sofrimento de Joyce devido ao desaparecimento de Will, o último episódio mostra-nos o reencontro entre mãe e filho. Ao mesmo tempo que Joyce e Hopper fazem de tudo para trazer o rapaz de volta à vida, o polícia recorda-se da perda da sua filha anos antes, num momento muito parecido àquele que está a acontecer à frente dos seus olhos.

Todo este momento emocional é embalado pelo simples instrumental de Moby que aumenta ainda mais a carga dramática da cena.

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Bing Crosby – White Christmas (Episódio 8)

A segunda temporada vai ter como cenário o Halloween, mas a primeira foi marcada pelas festividades natalícias. White Christmas é a última canção da temporada (sem contar com o genérico final, claro) e dá o mote para o cliffhanger que deixou todos a suplicar pela próxima.

Enquanto os Byers celebram o Natal novamente juntos, Will ausenta-se para lavar as mãos. Ainda com a canção festiva nos ouvidos, descobrimos que o rapaz trouxe lembranças do Upside Down. Um momento nada natalício para suspender aquele que era um aparente final feliz.

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Agora, é hora dos conselhos finais: bom binge watching dessa segunda temporada… E muito cuidadinho com as luzes.

Escolhas de Bárbara Pereira e Ana Rosário