As formas circulares presentes nos coordenados e a paleta de cores adequam-se ao espaço escolhido para apresentar a coleção. Mas não foi só isto que fez Luís Buchinho escolher o Cais Novo para mostrar as suas propostas para as estações quentes no último dia de Portugal Fashion. “Acho que a primeira reação foi entrar aqui e uau.

A forte influência desportiva, “com uma intenção claramente sportswear”, é visível na utilização de “peças leves” e “materiais extremamente ligeiros”, fáceis de utilizar no dia-a-dia. Assim, surgem silhuetas longas e soltas, que permitem a liberdade de movimentos e se refletem numa “atitude easy going”.

O designer misturou padrões, essencialmente gráficos, como é característico de Luís Buchinho, e usou o círculo como forma geométrica. Mas são também as riscas que ajudam na sugestão de “padrões decorativos dos anos 60-70”, reinterpretados livremente. Surge também muita modulação, mas, de acordo com criador, mais ambiciosa nesta coleção.

Extremamente clara, extremamente leve

Renovando na técnica dos amarrotados e dos plissados, como tem vindo a fazer ao longo dos anos, Buchinho apostou nas assimetrias e sobreposições. Desenham-se mangas balão e recortes, reatados com fitas que se assemelham aos atacadores das sapatilhas, e nos remetem, consequentemente, para o universo desportivo.

A paleta cromática é “extremamente clara, extremamente leve”, com tonalidades como o verde água, rosa pele e azuis aguados. Conta ainda com cores mais vivas e quentes, que dinamizam e trazem um apontamento mais enérgico à coleção. Destacam-se o salmão, o coral e o vermelho, além do preto e branco como toques gráficos.

O Portugal Fashion terminou no sábado, dia 21 de outubro, com os desfiles de Nuno Baltazar, Alexandra Moura, Pé de Chumbo, o segmento Shoes (com as marcas Ambitious, Dkode, Fly London, J. Reinaldo, Nobrand e Rufel), Lion of Porches, Micaela Oliveira, Dielmar e Ana Sousa, na Alfândega do Porto.

Fotografia: Nicole Gonçalves