O desfile de Susana Bettencourt na Alfândega do Porto inicia e também a narrativa começa a desenrolar-se. É uma história de coragem e luta pela igualdade de géneros, que tem Amelia Earhart, a primeira mulher piloto a fazer um voo transatlântico, como personagem principal. Com Creative Resistance, a designer procurou homenagear a mulher que, de acordo com Susana Bettencourt, “mudou muita coisa no nosso mundo.

Ao fazer parte do movimento pela ERA (Equal Rights Amendtment), empenhado em garantir o direito ao voto e na igualdade entre sexos, Amelia Earhart e a sua história, envolta de mística pelo seu desaparecimento, estiveram na base da coleção de primavera/verão da designer.

Neste momento, com a eleição de Trump, andamos muitos anos para trás e estão várias manifestações e vários grupos a reunirem-se para conquistarem isso de volta. Sim, nós estamos na Europa e estamos longe, mas acho que deviamos também fazer parte deste movimento.”

Susana Bettencourt, ainda que não se assuma como feminista, quer juntar-se a este movimento através da sua coleção para as estações quentes, em parceria com a Fifitex. Esta colaboração traduziu-se na possibilidade de criação da matéria prima desde a rama, isto é, “em vez de comprar fios que tantos outros também podem comprar”, a designer vai “mais atrás no processo” e faz “o fio desde o início”. Desta forma, há uma maior exclusividade a nível cromático.

O roxo, o verde, o amarelo, o preto e o branco são já tons característicos da marca. No entanto, com esta contribuição da Fifitex, as cores tornam-se ainda mais Susana Bettencourt, uma vez que “não vão encontrar aquele amarelo, aquele verde ou aquele roxo em qualquer outro sítio”.

As malhas, um traço da marca, apresentam padrões geométricos e passam a mensagem através da presença do 1897, ano em que Amelia Earhart nasceu, em vários coordenados. Existe também uma referência aos uniformes de aviação dos anos 70, que remetem aos posters da National Women’s Party.

Fotografia: Nicole Gonçalves