Depois de um dia na capital, o Portugal Fashion regressa ao Porto para apresentar as propostas dos designers para a estação quente. Quinta-feira, o primeiro dia de desfiles na Invicta, foi reservada para os jovens criadores, inseridos no espaço Bloom. Desta vez no Museu do Carro Elétrico, a 15ª edição da plataforma que promove os novos talentos foi reforçada com a participação de escolas e cursos especializados em moda.

Às já habituais escolas de moda do Porto que colocam a passerelle no Portugal Fashion, Modatex e ESAD, juntaram-se a EMP, Cenatex, ICPB/ESART e a FAUL. De acordo com Adelino Costa Matos, presidente da ANJE, “estas seis escolas garantem uma maior amplitude geográfica ao Bloom”.

Mais um auto-retrato de Inês Torcato

Pela terceira vez em nome próprio, Inês Torcato traz uma coleção que é um espelho de si própria. Dos 27 coordenados criados, existem “peças que são espelho umas das outras, mas adaptadas às mulheres e aos homens, aos corpos diferentes. Há algumas peças que são assumidamente femininas, ou assumidamente masculinas, mas que se nota que são a mesma versão uma da outra.”

As propostas para a primavera/verão de 2018 mantêm os cortes direitos, característicos da jovem designer. No entanto, Inês Torcato decidiu sair da sua zona de conforto e experimentar técnicas e materiais diferentes. “Tem a alfaiataria, que é o que gosto de trabalhar. Mudar a alfaiataria, fazer coisas diferentes e inesperadas, mas também tem coisas que nunca fiz.”

Estampados a partir de uma ilustração a aguarela da própria designer, ganga cru (um tecido mais grosso), malhas circulares e encaixes, foram aplicados a peças em branco, preto e azul.

Os perfeitos estranhos de Beatriz Bettencourt

Quando era pequena desenhava a roupa para as sailor moon, mas nessa altura não adivinhava que iria ter modelos a desfilar com as suas criações. Beatriz Bettencourt estreou-se na passerelle do Portugal Fashion em outubro de 2015 e considera que é uma plataforma “ótima para poder divulgar o trabalho e chegar mais próximo do público.”

Esta coleção retrata como é a memória celular e, consequentemente, a simbiose entre dois perfeitos estranhos: o dador e o recetor. A designer leu “um artigo sobre situações pró-transplante, em que o recetor começa a despertar gostos e apetece-lhe, por exemplo, comer batatas fritas e antes nem gostava, só porque o dador adorava batatas fritas”, e serviu como base para a criação dos coordenados.

“São perfeitos estranhos que se tornam conhecidos pela casualidade da situação.” É assim que Beatriz Bettencourt sintetiza a inspiração para a coleção, influenciada também por silhuetas dos anos 40. Foi através da combinação de tipologias de peças diferentes numa só que a jovem criadora procurou transmitir esta ideia da transmutação, base da coleção Perfect Strangers.

O dia no Museu do Carro Elétrico ficou completo com os desfiles de Maria Kobrock e Joana Braga, David Catalán, Olimpia Davide, Nycole e Sara Maia. Segue no dia seguinte para a Alfândega do Porto, com destaque para os desfiles de Júlio Torcato, Diogo Miranda e Hugo Costa.

Fotografia: Portugal Fashion

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