É dado adquirido que esta temporada de American Horror Story se tem focado no mundo político e na forma como este consegue dividir as massas. Eis então que surge outro movimento que, ao invés de unir, acaba por separar: o feminismo radical. O novo episódio, intitulado Valerie Solanas Died For Your Sins: Scumbag, estreou no dia 17 de outubro no FX.

Década de 60

Lena Dunham interpreta Valerie Solanas, a feminista radical conhecida por ter tentado assassinar Andy Warhol – interpretado de forma brilhante pelo próprio Evan Peters. No entanto, a série dá o seu próprio toque a uma das mais fascinantes histórias norte-americanas dos anos 60.

Valerie tornou-se a primeira líder feminina de um culto conhecido por “SCUM”, composto por mulheres que queriam destruir o poder masculino que imperava na altura. O grupo inclui atrizes como Jamie Brewer e Dot-Marie Jones, ambas veteranas das séries de Murphy – a primeira em American Horror Story e a segunda em Glee.American Horror Story

A personagem liderou uma série de homicídios, que mais tarde acabaram por ser associados ao famoso Assassino do Zodíaco. Furiosa por não ter o crédito que procurava, Valerie acabou por sucumbir à loucura, até que o seu culto a abandonou e a deixou morrer na solidão.

Ver o regresso de caras conhecidas e Peters no papel de Warhol foram os únicos aspetos positivos desta narrativa. Valerie foi criada de forma tão extremista que acabou por cair no ridículo e a atuação de Dunham acabou por se tornar insuportável. Contudo, a lição fica registada: o feminismo, como qualquer outro movimento levado ao limite, pode tornar-se perigoso. Adiante.

Nos dias de hoje…

Após a tragédia do episódio anterior, a figura de Kai acaba por ser reconhecida e ele consegue efetivamente ganhar as eleições. Num momento a sós com Winter (Billie Lourd), ele confessa que “a coroa é pesada” e os irmãos admitem que, apesar de tudo, continuam a amar-se incondicionalmente. Ovação de pé para as capacidades de atuação de Lourd, que evoluem de dia para dia.American Horror Story

Beverly (Adina Porter) dá de caras com uma idosa de nome Bebe Babbitt – o regresso fenomenal da veterana Frances Conroy. Esta última admite ter sido amante de Valerie nos anos 60 e é através dela que nos chega toda a história relatada anteriormente.

Bebe acredita que as mulheres do atual culto estão a ser dominadas pelo poder de Kai, sobretudo quando ele havia combinado “poder igual” com Beverly. As coisas parecem agravar-se quando Harrison (Billy Eichner) faz comentários machistas, desvalorizando a presença feminina no grupo.American Horror Story

Como tal, Winter, Beverly e Ivy (Alison Pill) conseguem atrair Harrison para o restaurante a meio da noite e assassinam-no com uma serra elétrica. Kai assiste às notícias, dizendo que “as mulheres são melhores quando estão zangadas”. Bebe, a seu lado, concorda, revelando que tudo foi um esquema combinado entre ambos.

Ryan Murphy sempre teve uma paixão pelo elenco feminino das suas séries e este episódio foi prova disso. Contudo, é um passo arriscado mostrar que até as próprias mulheres continuam a ser comandadas por cordas invisíveis, à mercê de Kai. Um episódio que se focou num tópico importante mas que, em termos de narrativa, pouco ou nada adiantou.

NOTA: 5/10