Eleger o melhor costureiro de Portugal é a promessa do novo programa de entretenimento da RTP1. Cosido à Mão conta com a apresentação de Sónia Araújo e tem estreia marcada para dia 28 de outubro às 21h15.

Costura, design, moda e criatividade serão os quatro pilares do novo formato de entretenimento da RTP1. O talent show é um formato original da BBC, com enorme sucesso na Europa. Depois de adaptado em Inglaterra, França, Alemanha, Noruega e Suécia, chega finalmente a Portugal.

A apresentação do programa decorreu esta quinta-feira (12), ao final da tarde, no Bar Alfaiataria, em Lisboa. O EF esteve presente no evento, que contou, também, com a presença da apresentadora, Sónia Araújo, dos jurados, Paulo Battista e Susana Agostinho, e ainda Daniel Deusdado, diretor de programas da RTP.

Quinze costureiros amadores serão desafiados a apresentar as melhores propostas em provas com uma duração limitada, entre quatro e cinco horas. Em cada episódio os concorrentes terão de enfrentar dois desafios que ditarão a sua continuidade no programa. A cada semana, um costureiro será eliminado.

Um dos desafios, comum aos 13 episódios, é uma prova de moldes, em que serão avaliados sobretudo a técnica e o rigor na execução das peças. A segunda prova alterna entre um desafio de transformação e um feito à medida.

Paulo Battista, notável alfaiate português, e Susana Agostinho, criadora de moda e consultora de imagem, serão os responsáveis pela avaliação técnica e criativa dos concorrentes. Apesar de peritos no mundo da moda e alfaiataria, esta experiência representa para ambos uma estreia no universo televisivo.

“Eu nunca fiz televisão, mas já estou preparado para as próximas 30 edições”, confessou o jurado.

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Susana Agostinho e Paulo Battista, jurados do ‘Cosido à Mão’ (Fotografia: Carolina Galvão / EF)

A dinâmica entre jurados parece ter sido positiva. “Eu sou alfaiate, não invento nada. Sou uma pessoa que executa, ponto. A Susana é uma pessoa mais criativa, da geração acima da minha. É assim meio louca. Funcionamos muito bem”, acrescentou o alfaiate em conversa com o EF.

A aposta num décor natural ditou que o programa fosse gravado num armazém junto ao Museu Nacional de Arte Antiga. As implicações técnicas desta escolha refletiram-se nas três semanas e meia de gravações. O programa foi, portanto, gravado em tempo recorde.

“O maior obstáculo foi aguentar tantas horas de gravação”, afirmou Sónia Araújo. “Nós não podemos acelerar uma prova que tem quatro ou cinco horas”, acrescentou a apresentadora. O jurado Paulo Battista partilhou esta opinião: “O que realmente nos bloqueava era o fator tempo”.

Susana Agostinho discordou: “Para mim o maior obstáculo ao longo desta experiência foi esquecer-me que eles [concorrentes] eram pessoas. Foi esquecer as emoções e ter de avaliar a peça pela peça”, confessou a jurada.

“Para mim as coisas são sempre resultados das emoções com que nós contribuímos para elas. Eu não consigo conceber uma peça sem alma”, completou.


A escolha do Bar Alfaiataria para a apresentação do programa não foi inocente. O local é bastante sugestivo e reflete a tendência do universo da costura e alfaiataria. Este foi considerado pela estação pública o ambiente ideal para recordar uma tradição portuguesa e a relevância da indústria têxtil no panorama histórico português.

“Nós temos uma enorme dívida, enquanto portugueses, enquanto país, à indústria têxtil, à indústria do vestuário, às pessoas que durante tantos anos transformaram este setor numa das âncoras exportadoras do país”, afirmou Daniel Deusdado.

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Susana Agostinho reconheceu, também, esta necessidade. “Nós, como portugueses, devemos isto a nós próprios. Há aqui toda uma memória genética que está por responder, ou seja, houve um abandono da área têxtil que neste momento tem de ser retomado. Há muitos talentos que estão ao abandono.”

O vencedor de Cosido à Mão viajará até Paris para participar na Premiére Vision Paris, a maior feira de materiais e serviços da indústria da moda. Terá, ainda, a oportunidade de realizar um estágio numa fábrica têxtil.

Para Paulo Battista os costureiros ultrapassaram as expectativas. “Acho que estes 15 concorrentes foram fantásticos. Foram muito bem escolhidos”. “Fiquei muito feliz por perceber que há tanto talento em Portugal, perceber que a moda está muito enraizada nas pessoas e continua a ser uma grande paixão”, acrescentou Susana Agostinho.

Surpresas na primeira edição

As novidades de Cosido à Mão não se esgotam na inovação do formato. Ao longo desta primeira edição do programa, os concorrentes vão poder contar com a presença e participação de alguns convidados especiais.

Catarina Furtado, juntamente com os estilistas Nuno Gama, Eduarda Abbondanza e a blogger Joana Nobre Garcia, são alguns dos convidados que prometem melhorar os desafios de cada semana.

Cosido à Mão estreia dia 28 de outubro às 21h15 e será exibido todos os sábados, na RTP1.